Documento reúne medidas para orientar políticas públicas, ampliar investimentos e melhorar o ambiente de negócios do setor
A Confederação Nacional do Transporte (CNT) lançou a publicação O Transporte Move o Brasil – Propostas da CNT ao País, documento que reúne medidas para fortalecer o transporte, melhorar a infraestrutura e ampliar a eficiência logística no Brasil.
A publicação foi elaborada em conjunto com entidades representativas do setor e será entregue aos candidatos à Presidência da República durante o Fórum CNT de Debates, previsto para agosto, em Brasília.
A proposta da entidade é colocar o transporte em posição estratégica na agenda nacional. Para a CNT, o setor precisa de políticas públicas permanentes, planejamento de longo prazo e maior previsibilidade para atrair investimentos.
Em termos simples, a CNT defende que o transporte seja tratado como prioridade de Estado, e não apenas como pauta de governo. Ou seja, que os projetos tenham continuidade independentemente das mudanças políticas.
Transporte é essencial para reduzir o Custo Brasil
Segundo a CNT, fortalecer o transporte e a logística é fundamental para aumentar a competitividade da economia e reduzir o chamado Custo Brasil.
Custo Brasil é o conjunto de dificuldades que encarecem a produção, o transporte e os negócios no País. No caso do transporte, entram nessa conta problemas como estradas ruins, burocracia, insegurança, falta de integração entre modais, excesso de custos e baixa previsibilidade para investimentos.
Para quem vive da estrada, esses gargalos aparecem de forma prática no dia a dia: mais tempo de viagem, maior consumo de combustível, aumento da manutenção, risco de acidentes, insegurança e fretes pressionados.
“O transporte é um vetor estratégico para o desenvolvimento de uma nação e deve ocupar posição central na agenda de Estado brasileira. É urgente que o Brasil priorize, de forma contínua e coordenada, o planejamento de longo prazo e a execução de políticas públicas voltadas à modernização, à redução da insegurança jurídica e à integração do sistema de transporte”, afirma Vander Costa, presidente do Sistema Transporte.
Documento reúne propostas para diferentes áreas
A publicação apresenta propostas para enfrentar os principais desafios da infraestrutura e da logística brasileiras.
As recomendações tratam de temas como ampliação dos investimentos, modernização das regras do setor, segurança pública, transição energética, qualificação profissional, relações de trabalho e fortalecimento dos diferentes modos de transporte.
Ambiente regulatório é o conjunto de regras que orienta a atuação das empresas e dos profissionais. Quando essas regras são claras e estáveis, o setor consegue planejar melhor investimentos, contratos e operações.
Já segurança jurídica significa ter mais previsibilidade sobre leis, contratos e decisões do poder público. Para o transportador, isso é importante porque reduz o risco de mudanças repentinas que podem afetar a operação.
Integração entre modais é uma das prioridades
A CNT também defende maior integração entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos.
Essa integração entre modais significa usar melhor cada tipo de transporte, de acordo com a carga, a distância e a necessidade da operação. Na prática, o objetivo é tornar a logística mais eficiente, reduzir desperdícios e melhorar o escoamento da produção.
Hoje, o Brasil ainda depende fortemente do transporte rodoviário. Por isso, a melhoria das rodovias continua sendo essencial. Mas a integração com outros modais pode ajudar a reduzir gargalos e tornar o sistema de transporte mais equilibrado.
Setor está presente em quase todo o País
A CNT também destaca o peso econômico do transporte. Segundo a entidade, o setor reúne mais de 198 mil empresas, presentes em 98,1% dos municípios brasileiros, e responde por mais de 2,9 milhões de empregos formais.
Esses números mostram a importância do transporte para o funcionamento da economia nacional. É o setor que movimenta cargas, passageiros, insumos, alimentos, medicamentos, combustíveis e produtos essenciais para a população.
Para o caminhoneiro e para as transportadoras, a discussão sobre infraestrutura e logística não é distante. Ela interfere diretamente no custo da viagem, na segurança das rotas, na produtividade e na capacidade de manter a operação funcionando.
Infraestrutura e financiamento
Na área de infraestrutura, a CNT defende a recomposição dos investimentos públicos. Em outras palavras, a entidade pede que o governo volte a investir mais em obras de transporte.
A publicação também menciona a aprovação da PEC nº 1/2021, conhecida como PEC da Infraestrutura. PEC é uma Proposta de Emenda à Constituição, ou seja, uma proposta que busca alterar o texto da Constituição Federal.
Outro ponto defendido pela entidade é a destinação integral dos recursos da Cide-combustíveis para obras de transporte e subsídios ao transporte público coletivo.
A Cide-combustíveis é um tributo cobrado sobre combustíveis. A CNT defende que esse dinheiro seja usado diretamente em infraestrutura de transporte e em apoio ao transporte coletivo.
A entidade também propõe ampliar as fontes de financiamento, com participação do mercado de capitais, organismos multilaterais e operações estruturadas.
Em linguagem mais simples, isso significa buscar mais formas de levantar dinheiro para obras e projetos, sem depender apenas do orçamento público.
Segurança nas estradas também entra na pauta
A segurança pública é outro ponto presente no documento.
A CNT recomenda penas mais duras para roubos de cargas e crimes contra profissionais do transporte, além do reforço do policiamento em rodovias, ferrovias e hidrovias.
A entidade também propõe medidas para proteger a infraestrutura logística nacional.
Para o transporte rodoviário de cargas, esse tema é central. Roubo de carga, falta de policiamento, insegurança em áreas de parada e risco nas rotas afetam diretamente caminhoneiros, transportadoras, embarcadores e seguradoras.
Transição energética e renovação de frota
A publicação também aborda a descarbonização do transporte.
Descarbonização significa reduzir a emissão de gases poluentes, especialmente aqueles ligados ao aquecimento global. No transporte, isso pode envolver renovação de frota, uso de combustíveis mais limpos, eletrificação, biometano, maior eficiência energética e melhor planejamento logístico.
A CNT defende o incentivo à renovação das frotas, a ampliação da participação dos modos ferroviário e aquaviário e o desenvolvimento de uma infraestrutura mais preparada para os efeitos das mudanças climáticas.
A entidade também propõe aperfeiçoar os instrumentos de financiamento voltados à transição energética. Na prática, isso significa criar ou melhorar linhas de crédito que ajudem empresas e profissionais a investir em veículos e tecnologias mais eficientes.
Qualificação profissional e SEST SENAT
No eixo de desenvolvimento humano, a CNT propõe fortalecer políticas de qualificação profissional, saúde e segurança dos trabalhadores.
A entidade também defende a preservação do modelo de atuação do SEST SENAT, instituição voltada à formação profissional, promoção da saúde e atendimento aos trabalhadores do transporte.
Para o setor, esse ponto é importante diante de desafios como falta de mão de obra, envelhecimento da categoria, necessidade de formação técnica e novas exigências ligadas à tecnologia embarcada nos veículos.
Planejamento para o futuro do transporte
Segundo a CNT, o objetivo da publicação é contribuir para a construção de uma política de Estado para o transporte.
A expressão política de Estado se refere a medidas de longo prazo, com planejamento e continuidade. Diferente de ações pontuais, esse tipo de política busca resolver problemas estruturais, como falta de infraestrutura, insegurança, baixa integração logística e dificuldade de investimento.
As propostas de O Transporte Move o Brasil – Propostas da CNT ao País são complementadas pelo Plano CNT de Transporte e Logística 2026, estudo técnico que reúne projetos prioritários para enfrentar os gargalos da infraestrutura nacional.
Para o transportador, o caminhoneiro e toda a cadeia logística, o recado é direto: sem infraestrutura adequada, segurança, financiamento, qualificação e planejamento, o custo da operação aumenta e a competitividade do País diminui.
Ao levar suas propostas aos candidatos à Presidência, a CNT busca inserir o transporte no centro do debate nacional sobre crescimento econômico, eficiência logística e desenvolvimento sustentável.
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