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ZF vai produzir a transmissão TraXon 2 em Sorocaba e nacionaliza nova geração para caminhões pesados

Por Revista em 03/11/2026 às 12:36
ZF vai produzir a transmissão TraXon 2 em Sorocaba e nacionaliza nova geração para caminhões pesados

Empresa também anuncia disco de embreagem desenvolvido no Brasil, remanufatura do ConAct e função PreVision na 9AS EcoTronic

A ZF vai passar a fabricar no Brasil a TraXon 2, transmissão automatizada para caminhões pesados. A produção será na unidade de Sorocaba (SP) e, segundo a empresa, começa nos próximos meses, já amparada por contratos de fornecimento no mercado local. A nova geração sairá de uma linha flexível, que seguirá fabricando também a TraXon 1.

A TraXon 2 é testada no Brasil desde 2025. Junto com a nacionalização, a fabricante apresentou um novo disco de embreagem, a futura remanufatura de um atuador de embreagem e uma função de condução assistida por GPS para a transmissão de nove marchas 9AS EcoTronic.

O que muda na TraXon 2

A diferença mais importante está na eletrônica. A TraXon 2 recebe uma nova ECU, a unidade de controle eletrônico, espécie de computador que comanda a transmissão. Com mais capacidade de processar dados, ela permite trocas de marcha mais velozes, suaves e exatas, segundo a ZF.

A transmissão também fica mais integrada ao motor e aos demais componentes eletrônicos do caminhão. Entre os recursos dessa integração estão o PreVision, função que usa o GPS para antever as condições do trajeto, o ECO-Roll e a comunicação com os freios ABS e EBS.

O conjunto vem preparado para o FOTA (Flash Over The Air), tecnologia de atualização remota de software. Com ele, será possível incluir melhorias e novas funções durante toda a vida do caminhão, sem levá-lo a uma oficina, de forma parecida com a atualização de um celular. A arquitetura traz ainda recursos de cibersegurança, a proteção contra invasões digitais, alinhados às exigências internacionais para sistemas eletrônicos embarcados.

Sobre consumo, a ZF cita uma estimativa divulgada globalmente: conforme a aplicação, a TraXon 2 pode reduzir em cerca de 1,7% o consumo de combustível e as emissões de CO? em relação à geração anterior. A empresa diz que isso ajuda a baixar o custo de operação do caminhão.

Produção local mira as montadoras

Carlos Delich, presidente da ZF América do Sul, define a TraXon 2 como tecnologia de alta complexidade, feita para acompanhar a digitalização, a conectividade e a eletrificação do setor. Para ele, a nacionalização é mais que fabricar uma transmissão no país: aproxima a inovação dos clientes e deixa a cadeia automotiva nacional mais competitiva.

"Esta solução coloca o mercado sul-americano no mesmo patamar de acesso tecnológico que os principais mercados globais", afirmou Delich.

Silvio Furtado, vice-presidente de Soluções para Veículos Comerciais e Tecnologia Industrial da ZF América do Sul, falou do efeito para quem monta os caminhões. Com a transmissão feita aqui, disse ele, as montadoras conseguem planejar melhor a produção, importam menos e encaixam o componente com mais rapidez na linha de montagem. Furtado afirmou que o desempenho e a confiabilidade seguem o padrão já entregue nos principais mercados do mundo.

Em Sorocaba, a linha também ganhará uma estação nova, de processamento e carregamento de software, com cerca do dobro da capacidade da atual. O equipamento seguirá os requisitos de cibersegurança da norma internacional ISO/SAE 21434.

Embreagem para motores Euro 6

O TD285 é a nova geração de discos de embreagem da ZF, desenvolvida no país para o segmento de pesados, que inclui caminhões e ônibus. O componente leva um amortecedor torcional, peça que absorve as vibrações geradas pelo motor, e foi pensado para motores eficientes e de baixa emissão.

O projeto é para discos com 430 mm de diâmetro e atenua melhor as vibrações dos motores Euro 6, de controle de emissões mais rígido que o das gerações anteriores, e dos sistemas de propulsão que vierem depois. De acordo com a ZF, o ganho aparece na dirigibilidade, sobretudo em baixas rotações, nas partidas e nas trocas de marcha. Existem versões para motores de até 3.500 Nm de torque máximo (newton-metro, medida da força do motor), e o disco é destinado às montadoras e ao mercado de reposição.

Remanufatura do ConAct começa em 2027

O portfólio de remanufaturados da ZF vai ganhar o ConAct, sistema automatizado que aciona a embreagem por ar comprimido em veículos comerciais pesados. A remanufatura, que começa em 2027 na fábrica de Araraquara (SP), consiste em recuperar uma peça já usada para que volte ao mercado, com testes e garantia.

O ConAct entra em ação sozinho a cada troca de marcha e, com isso, poupa a embreagem e a transmissão do desgaste precoce. Suporta motores com torque de até 3.200 Nm e serve a operações severas, o que inclui o fora de estrada. Como não depende de sistema hidráulico, a ZF afirma que a montagem é mais simples e a manutenção, mais barata.

Segundo a empresa, as peças remanufaturadas são testadas pelos mesmos padrões das originais e saem com garantia equivalente à de uma peça nova. A ZF também aponta que o processo gasta menos energia e matéria-prima e emite menos CO? do que fabricar componentes novos. A linha de Araraquara terá ainda capacidade para produzir peças novas, conforme a demanda dos clientes.

PreVision chega à 9AS EcoTronic

A 9AS EcoTronic, transmissão automatizada de nove marchas pensada para caminhões de porte médio e semipesado, passa a contar com o PreVision, desenvolvido pela engenharia de aplicação brasileira da ZF. O sistema lê o GPS para se antecipar ao trajeto e regular as trocas de marcha, o que traz mais conforto ao motorista e contribui para reduzir o consumo de combustível. A transmissão tem modos de condução que vão do Eco ao Power e software baseado na mesma plataforma da TraXon.

A ZF diz que o PreVision foi adaptado à realidade dos veículos extrapesados que rodam no país, com capacidade de até 74 toneladas. O limite citado pela empresa para mercados como o europeu é de 40 toneladas.

O que o anúncio ainda não detalha

O comunicado da ZF não informa quais montadoras vão receber a TraXon 2 nem em quais modelos de caminhão ela estreia. Para o transportador, é essa informação que indica quando a tecnologia deve aparecer nos caminhões novos. Por ora, a ZF diz apenas que a versão nacional já nasce com acordos de fornecimento local fechados.

Foto: divulgação ZF

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