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Restrições urbanas aumentam desafios para o transporte de cargas no Paraná

Por Equipe RC em 01/07/2026 às 14:42
Restrições urbanas aumentam desafios para o transporte de cargas no Paraná

Limitações de circulação, janelas de entrega e falta de pontos adequados para carga e descarga pressionam custos e operação das transportadoras

As restrições à circulação de caminhões em áreas urbanas do Paraná têm tornado a rotina do transporte de cargas mais complexa. Limites de horários, regras de acesso, congestionamentos e dificuldade para realizar carga e descarga reduzem a produtividade das operações e aumentam os custos para transportadoras, motoristas e toda a cadeia de abastecimento.

Em Curitiba, caminhões com mais de sete toneladas ou sete metros de comprimento não podem circular na Zona Central de Tráfego das 9h às 19h em dias úteis e das 9h às 13h30 aos sábados. Na Linha Verde, veículos com peso bruto total acima de dez toneladas têm restrições das 7h às 9h e das 17h às 19h, de segunda a sexta-feira.

Na prática, essas limitações obrigam as empresas a reorganizar rotas, equipes, horários e até o tipo de veículo utilizado nas entregas. Para quem trabalha com transporte urbano de cargas, a operação passa a depender de janelas mais apertadas e de uma logística mais difícil de equilibrar.

Segundo o Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Paraná (SETCEPAR), o impacto vai além dos atrasos pontuais. As transportadoras acabam tendo de operar em horários noturnos ou de madrugada, o que comprime a jornada útil, eleva gastos com horas extras e aumenta a exposição dos motoristas a riscos de segurança.

Outro ponto de preocupação é a falta de vagas regulamentadas para carga e descarga. Sem locais adequados, motoristas podem ser levados a fazer paradas irregulares, o que gera multas, retrabalho e perda de tempo na operação.

O problema também chega ao preço final dos produtos. De acordo com estudo da Confederação Nacional do Transporte (CNT), as entregas urbanas podem representar até 28% do custo total do transporte. Ainda segundo o levantamento, as dificuldades encontradas nas cidades podem acrescentar até 20% ao valor do frete.

Esse cenário ganha ainda mais peso com o crescimento do comércio eletrônico e das entregas rápidas. O setor faturou R$ 204,3 bilhões em 2024, com 414,9 milhões de pedidos, e a tendência é de crescimento nos próximos anos. Isso significa mais veículos em circulação, mais paradas e operações em horários variados, inclusive aos finais de semana.

Para o presidente do SETCEPAR, Silvio Kasnodzei, a malha viária urbana não foi planejada para suportar a atual densidade de movimentação. Ele avalia que a demanda crescente exige uma discussão mais ampla sobre infraestrutura, planejamento e regras compatíveis com a realidade da logística urbana.

Em Curitiba, outra preocupação do setor é uma proposta que limita a 12 horas o estacionamento de veículos pesados em áreas residenciais. Para as transportadoras, medidas desse tipo precisam vir acompanhadas de alternativas adequadas para parada, carga, descarga e descanso.

O SETCEPAR defende que novas regras sejam precedidas de estudos de impacto logístico e discutidas com transportadoras, embarcadores, comerciantes e entidades representativas. A entidade alerta que restringir circulação ou estacionamento sem oferecer estrutura alternativa transfere o custo da falta de planejamento para empresas, motoristas e consumidores.

Para quem depende do transporte rodoviário de cargas, o tema é direto: quando a cidade limita o caminhão, mas não cria condições para a entrega acontecer, a operação fica mais cara, o frete sobe e o abastecimento se torna mais difícil.

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