A Associação Brasileira dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) informa que o setor de caminhões encerrou o ano de 2025 com produção de 124,1 mil unidades, contra 141,3 mil veículos fabricados em 2024, o que representa uma queda de 12,1% no comparativo anual.
Os emplacamentos também apresentaram retração ao longo do ano. No acumulado de janeiro a dezembro de 2025, o segmento de caminhões registrou queda de 9,2% frente ao mesmo período de 2024, reforçando o cenário de desaceleração do mercado.
No recorte mensal, o desempenho de dezembro foi impactado pelo menor número de dias úteis — praticamente 15 dias, em função das festas de fim de ano e do recesso coletivo nas fábricas. A produção no mês de dezembro somou 5,7 mil unidades, contra 9,6 mil caminhões fabricados em novembro.
Já no que se refere aos emplacamentos, dezembro apresentou um crescimento de 10,5% em relação a novembro, sinalizando uma leve reação pontual do mercado, ainda que insuficiente para reverter o resultado negativo do acumulado anual.
Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, apesar da queda específica no segmento de caminhões, o desempenho geral da indústria automotiva em 2025 não pode ser classificado como ruim.
“De um modo geral, não posso dizer que foi um ano ruim para o setor automotivo. Fechamos com dados positivos e com crescimento”, afirmou.
Calvet pondera, no entanto, que fatores macroeconômicos seguiram limitando uma recuperação mais consistente ao longo do ano.
“O patamar elevado da taxa Selic e a persistência de tensões geopolíticas, que restringiram uma retomada mais forte do setor em 2025, continuam presentes neste início de ano”, destacou o executivo.
Caminhões pesados lideram retração e programa Move Brasil surge como esperança
Dentro do segmento, o mercado de caminhões extrapesados foi o mais impactado, registrando queda de 20,5% nos emplacamentos ao longo de 2025. Segundo a Anfavea, o desempenho negativo dessa categoria teve peso relevante no resultado geral do setor.
Nesse contexto, o lançamento do Programa Move Brasil é visto como estratégico para conter a retração. A iniciativa foi publicada oficialmente em dezembro e começou a operar há cerca de 15 dias, o que ainda impede uma avaliação concreta de seus efeitos.
“Foi justamente em dezembro que tivemos a publicação do Move Brasil, desenhado para caminhoneiros autônomos e frotistas, com recursos da ordem de R$ 10 bilhões. Vamos avaliar os resultados nos próximos meses, ao menos para tentar interromper a queda no segmento de caminhões”, explicou Calvet.
Programa Move Brasil é lançado com R$ 10 bilhões em crédito a juros mais baixos
O Governo do Brasil lançou oficialmente o Programa Move Brasil, com o objetivo de estimular a renovação da frota brasileira de caminhões, priorizando eficiência, segurança e sustentabilidade. A iniciativa oferece financiamento com taxas de juros reduzidas para caminhoneiros autônomos, cooperativados e empresas de transporte rodoviário de cargas.
O programa disponibiliza R$ 10 bilhões em crédito, provenientes de recursos do Tesouro Nacional e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que será o responsável pela operação das linhas de financiamento. Desse total, R$ 1 bilhão é reservado exclusivamente para caminhoneiros autônomos e cooperados.
O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, ressaltou a importância da iniciativa para o meio ambiente, a saúde pública e a economia.
“O programa retira de circulação veículos antigos, que poluem mais, coloca nas rodovias caminhões novos e mais seguros e contribui para a manutenção do emprego, além de estimular a indústria e o comércio nacional”, afirmou Alckmin durante visita à concessionária Nasa Caminhões e Ônibus, em Brasília (DF), acompanhado do presidente e CEO da Volkswagen Caminhões e Ônibus, Roberto Cortes.

Condições especiais e regras de financiamento
Em dezembro de 2025, o Governo Federal publicou uma Medida Provisória autorizando a destinação de recursos para as linhas de crédito voltadas à renovação da frota. Por meio de portaria, o MDIC definiu os critérios de conteúdo local, sustentabilidade e reciclagem para concessão dos financiamentos.
O Conselho Monetário Nacional (CMN) estabeleceu as condições financeiras das operações, incluindo juros, prazos e carência, com vantagens adicionais para quem entregar um veículo antigo para desmonte.
Segundo as regras:
Critérios de habilitação e contrapartidas
O financiamento de caminhões novos será permitido apenas para veículos de fabricação nacional, alinhando o uso dos recursos públicos aos objetivos da Nova Indústria Brasil (NIB), que busca fortalecer cadeias produtivas, gerar empregos e ampliar a base tecnológica do país.
Os caminhões seminovos também deverão comprovar conteúdo local e atender às exigências da portaria do MDIC. Enquadram-se nessa categoria os veículos fabricados a partir de 2012.
A compra de seminovos com recursos do programa será permitida apenas para caminhoneiros autônomos e pessoas físicas associadas a cooperativas. As linhas de crédito também permitem a contratação de seguro do bem e seguro prestamista, desde que vinculados ao financiamento do veículo.
Exigências ambientais e de desmonte
Como contrapartida, o programa exige o desmonte de veículos antigos. O caminhão a ser entregue deve:
O beneficiário deverá apresentar, no prazo de até 180 dias, a certidão de baixa definitiva do veículo junto ao órgão de trânsito e a nota fiscal de entrada na empresa de desmontagem, garantindo o correto descarte do automóvel.
Foto: Divulgação
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