PRF reforça que a direção defensiva para veículos de carga depende da gestão antecipada de riscos, distância segura, controle de velocidade, manutenção preventiva e respeito ao descanso do motorista
A direção defensiva para veículos de carga exige atenção permanente à gestão de riscos, especialmente pelas características físicas e operacionais dos caminhões. As orientações foram enviadas por Marina Leiko Higa, chefe do Serviço de Perícia e Registro de Sinistros e coordenadora-geral de Segurança Viária substituta da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Gestão de risco começa antes da emergência
Segundo a PRF, a base da direção defensiva para veículos de carga está na gestão de risco antecipada.
“A base da direção defensiva para veículos de carga reside na gestão de risco antecipada. O condutor deve priorizar a manutenção do espaço de segurança lateral e frontal, considerando que a massa do veículo carregado amplia significativamente a energia cinética, dificultando imobilizações de emergência”, explica Marina Leiko Higa.
Ela também destaca a importância do uso correto do freio motor em trechos de descida.
“É imperativo o uso do freio motor em declives acentuados para evitar o fading, superaquecimento e perda de eficiência do sistema de frenagem”, orienta.
Além disso, a PRF reforça que o gerenciamento da fadiga é vital para a segurança nas rodovias.
“O monitoramento do ciclo circadiano e o respeito à Lei do Descanso, Lei 13.103/15, são as principais salvaguardas contra sinistros causados por sonolência, que apresentam altos índices de letalidade devido à ausência de reação prévia”, afirma Marina.
Distância segura é tempo de reação
A manutenção da distância de segurança também é considerada crítica para veículos de grande porte. De acordo com a PRF, isso se deve a fatores físicos e mecânicos.
O primeiro é a distância de frenagem, já que um caminhão pode demandar um espaço muito maior que um veículo leve para parar totalmente. O segundo é a inércia da carga, que tende a manter o veículo em movimento.
“Manter a distância de segurança é garantir o tempo de percepção e reação necessário para que o condutor processe o perigo e inicie a manobra evasiva ou a frenagem total antes da colisão”, explica Marina Leiko Higa.
Chuva, curvas e descidas exigem controle
Em condições adversas, como pista molhada ou curvas, a velocidade deve ser sempre compatível com a visibilidade e a aderência do pavimento. Na pista molhada, ocorre a redução do coeficiente de atrito, elevando o risco de aquaplanagem.
Nas curvas, a recomendação é que o motorista faça a redução de velocidade e marcha no trecho de tangente, ou seja, na reta, antes de adentrar à curva.
“Frear durante a curva altera a distribuição de carga nos eixos e potencializa a força centrífuga, podendo levar ao tombamento ou ao efeito ‘L’, canivete, em veículos articulados”, esclarece a representante da PRF.
Nas descidas, a velocidade deve ser controlada pela marcha adequada, mantendo o motor em rotação que otimize o freio motor e preservando o sistema de serviço para intervenções pontuais.
Veículo carregado muda a dinâmica da condução
A PRF também alerta para os riscos específicos no tráfego de curvas com o veículo carregado. O principal desafio é o centro de gravidade, ou CG, elevado. Ao entrar em uma curva, a transferência de peso lateral pode exceder o limite de estabilidade do conjunto.
“O condutor deve evitar correções bruscas de direção, que geram o efeito chicote no reboque. A saída da curva deve ser feita com aceleração gradativa somente após o realinhamento do conjunto, garantindo a estabilidade direcional e evitando que a parte traseira invada a faixa adjacente ou o acostamento”, orienta Marina Leiko Higa.
Ultrapassagem pede mais espaço e cautela
Nas ultrapassagens, a PRF reforça que a manobra exige ainda mais cautela quando realizada por veículos longos.
“A ultrapassagem para um veículo longo exige uma janela de tempo e espaço muito superior. O condutor deve realizar a análise da sinalização, faixas longitudinais, e da visibilidade real”, afirma.
A orientação é que a sinalização seja feita com antecedência e que o motorista verifique os pontos cegos, especialmente do lado direito.
“O retorno à faixa de origem só deve ocorrer após a visualização completa do veículo ultrapassado pelo retrovisor, evitando a interceptação do outro veículo. Na dúvida ou em condições de baixa visibilidade, a manobra deve ser abortada imediatamente”, acrescenta a PRF.
Neblina e chuva reduzem a margem de segurança
Em cenários de visibilidade comprometida, como chuva ou neblina, a orientação técnica é a redução escalonada da velocidade e a manutenção do farol baixo aceso.
A PRF explica que o farol alto dispersa a luz nas partículas de água ou neblina, criando uma “parede branca”.
O condutor deve guiar-se pelas faixas de sinalização horizontal, especialmente pelos bordos de pista. Caso a visibilidade seja inferior à distância de parada segura, o motorista deve descontinuar a viagem, buscando um ponto de apoio ou posto de serviço.
“O uso do acostamento para parada é estritamente desencorajado, pois o transforma em um obstáculo fixo com alto potencial de sinistro do tipo colisão traseira”, alerta Marina Leiko Higa.
Erros frequentes aumentam o risco na estrada
Entre os erros mais frequentes que elevam o risco de sinistros, a PRF aponta o excesso de velocidade, quando incompatível com a geometria da via ou com a carga transportada; a distância de seguimento insuficiente, considerada a principal causa de colisões traseiras; a deficiência de manutenção, como pneus desgastados e sistema de freios inoperantes ou ineficientes; a negligência quanto ao descanso; e o acondicionamento inadequado da carga, que altera a dinâmica do veículo e pode causar queda de objetos na via ou tombamentos.
“A condução sob fadiga equivale, em termos de perda de reflexos, à condução sob efeito de álcool”, destaca a representante da PRF.
Inspeção pré-viagem ajuda a prevenir problemas
Para a segurança operacional diária, a Polícia Rodoviária Federal recomenda a inspeção veicular pré-viagem, com check-list rigoroso de pneus, sistema de iluminação, sistemas de freios e amarração de carga.
A PRF também reforça o respeito à fisiologia do motorista.
“Não negligenciar o sono; o repouso é a única contramedida eficaz contra a fadiga”, afirma Marina.
Além disso, a entidade destaca o respeito às leis de trânsito como medida essencial para a prevenção de sinistros.
“A prudência e o respeito às normas de trânsito são fundamentais para a garantia da segurança e prevenção de sinistros”, conclui Marina Leiko Higa, chefe do Serviço de Perícia e Registro de Sinistros e coordenadora-geral de Segurança Viária substituta da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
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