Trecho de 23,8 km entre Lerroville e Irerê recebe R$ 470 milhões e é a etapa final de um projeto que vai somar 66 km de pista dupla; SETCEPAR Londrina cobra planejamento integrado dos acessos
O Norte do Paraná vive um novo ciclo de investimentos em infraestrutura rodoviária. Está em andamento a duplicação de 23,8 quilômetros da PR-445 entre os distritos londrinenses de Lerroville e Irerê, com investimento de R$ 470 milhões.
O trecho é a etapa final de um conjunto de obras que deve levar a cerca de 66 quilômetros a extensão total duplicada da rodovia — principal ligação entre Londrina e o centro do Estado.
Outras obras já entregues ou em carteira na região
Além da duplicação da PR-445, o Norte do Paraná recebe outras intervenções recentes. Em abril, foi inaugurado o novo viaduto de Lerroville, com investimento de R$ 33,4 milhões.
Está previsto ainda o Lote 4 das concessões rodoviárias do Estado, que soma R$ 10,8 bilhões em obras — entre elas novos contornos, duplicações, faixas adicionais, vias marginais, pontes e viadutos.
Para SETCEPAR, avanço precisa vir com planejamento integrado
Para a unidade de Londrina do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná, a SETCEPAR, o conjunto de investimentos representa um avanço para a infraestrutura regional. A entidade defende, no entanto, que as intervenções sejam planejadas de forma integrada, considerando toda a dinâmica logística do Norte do Estado — e não apenas os trechos de rodovia isoladamente.
Segundo a entidade, a eficiência logística depende de uma visão que vá além das obras em pontos específicos: a circulação das cargas precisa ser avaliada de ponta a ponta, do deslocamento pelas rodovias até a chegada às indústrias, cooperativas, centros de distribuição e áreas comerciais. Quando essa integração não existe, melhorias pontuais podem apenas deslocar os gargalos para outros pontos da malha viária, reduzindo parte do benefício esperado com os investimentos.
Acessos urbanos e trevos são o principal desafio, diz diretor do sindicato
O crescimento do agronegócio, da indústria e dos centros de distribuição elevou significativamente o fluxo de caminhões na região nos últimos anos, ampliando a pressão sobre rodovias, acessos urbanos e ligações com distritos industriais e centros logísticos.
Na avaliação de Marcelo Aguiar, diretor regional do SETCEPAR Londrina, os próximos investimentos precisam priorizar justamente esses pontos críticos da operação. "O Norte do Paraná é um dos principais corredores logísticos do Estado e, hoje, os maiores desafios estão nos acessos às cidades, distritos industriais e centros logísticos. Investir em trevos, vias marginais e conexões entre rodovias é essencial para tornar o transporte mais seguro, ágil e eficiente, beneficiando toda a cadeia produtiva", afirma.
O dirigente destaca ainda que a infraestrutura precisa acompanhar o ritmo de crescimento econômico da região. "Pequenos congestionamentos ou dificuldades nos acessos urbanos acabam gerando atrasos, aumentando os custos e reduzindo a eficiência das operações. Investir em infraestrutura é investir no desenvolvimento da região, tornando o transporte de cargas mais ágil, seguro e competitivo para toda a cadeia produtiva", conclui Aguiar.
Serviço
Para quem roda pelo corredor Londrina–centro do Paraná, o recado do setor é direto: acompanhar o avanço da duplicação, mas continuar considerando os acessos urbanos e trevos da região como pontos de atenção no planejamento das viagens.
Foto: divulgação
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