Levantamento da ValeCard aponta avanço de 2,43% em setembro e fim de quatro meses de queda; só o Espírito Santo registrou redução
O diesel S-10 ficou mais caro em setembro e interrompeu uma sequência de quatro meses de queda. De acordo com levantamento da ValeCard, o preço médio nacional subiu 2,43%, de R$ 7,159 para R$ 7,333 por litro, e o combustível voltou ao patamar médio de abril.
A alta foi quase generalizada: aconteceu em 26 das 27 unidades da Federação (os estados e o Distrito Federal). A exceção foi o Espírito Santo, onde o preço médio caiu 0,79%, de R$ 7,320 para R$ 7,262 por litro.
Os números se baseiam em transações feitas entre 1º e 26 de setembro em mais de 25 mil postos credenciados em todo o País.
Por que o diesel subiu
Segundo a ValeCard, o diesel foi o principal destaque do mês em meio à pressão dos preços internacionais e a mudanças nas condições de oferta. No mercado externo, restrições à passagem de petróleo e derivados pelo Estreito de Ormuz e problemas nas refinarias russas mantiveram o abastecimento global sob pressão.
O governo federal reduziu o PIS/Pasep e a Cofins (tributos federais cobrados sobre os combustíveis) da gasolina, zerou essas contribuições sobre o etanol hidratado e manteve a subvenção ao diesel, que é um auxílio para segurar o preço do produto. Mesmo assim, o diesel subiu em praticamente todo o território nacional.
Marcelo Braga, diretor de Mobilidade e Operações da ValeCard, afirmou que a combinação de petróleo mais caro, dependência de importações e menor disponibilidade do produto no mercado internacional aumentou a pressão sobre o abastecimento brasileiro. Ele disse ainda que, nos últimos dias do mês, a empresa começou a observar novos movimentos de alta em alguns mercados, sem que isso tenha chegado a todas as unidades da Federação. Por isso, a atenção se volta para outubro, já que câmbio, disponibilidade do produto e custos de importação e distribuição podem continuar pressionando os preços.
Sul lidera os aumentos do mês
O Rio Grande do Sul teve a maior alta percentual do diesel S-10 em setembro, de 5,56%. O litro passou de R$ 6,368 para R$ 6,722, diferença de R$ 0,354.
Santa Catarina aparece em seguida, com 4,51%, e o preço foi de R$ 6,743 para R$ 7,047 (R$ 0,304 a mais por litro). No Paraná, a alta foi de 3,70%, de R$ 6,913 para R$ 7,169, ou R$ 0,256. O Sul, portanto, reúne três das maiores altas do mês.
Completam a lista dos maiores aumentos Amapá (4,18%), Goiás (3,82%), Tocantins (3,49%), Mato Grosso (3,44%) e Bahia (3,37%).
Rio Grande do Sul e Santa Catarina estão entre as oito unidades da Federação que vinham de quatro meses seguidos de queda e mudaram de direção em setembro. As outras seis são Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e São Paulo.
No Norte, a alta vem de mais longe
Em parte da Região Norte, o movimento é diferente e não começou em setembro. Acre, Amazonas, Amapá e Roraima registraram aumento do diesel em todos os meses de maio a setembro.
O Amapá é o caso mais acentuado. Desde abril, o litro subiu R$ 1,616 (24,05%), de R$ 6,718 para R$ 8,334, o que colocou o estado com o diesel S-10 mais caro do País. No Acre, o acumulado é de R$ 1,490 (21,83%), e em Roraima a alta chega a 15,62% no período.
O contraste com o Rio Grande do Sul é grande: apesar de liderar as altas de setembro, o estado manteve o menor preço médio, de R$ 6,722 por litro. A diferença entre o litro mais caro e o mais barato do País é de R$ 1,612.
Etanol sobe e gasolina recua
O levantamento também mediu outros combustíveis. O etanol subiu 1,47% na média nacional, de R$ 4,275 para R$ 4,338 por litro, e também encerrou quatro meses de queda. Ainda assim, 16 estados tiveram redução, dez registraram alta e o Piauí ficou estável. Mato Grosso teve o maior aumento (5,42%, para R$ 4,123), e o Maranhão, a maior queda (6,01%, de R$ 5,278 para R$ 4,961). São Paulo segue com o etanol mais barato, a R$ 3,964, e Sergipe com o mais caro, a R$ 5,275.
A gasolina comum caiu 0,09%, de R$ 6,774 para R$ 6,768, no quinto mês seguido de queda na média nacional. Foram 13 estados em alta e 14 em baixa. A Bahia teve a maior redução (1,82%, de R$ 7,039 para R$ 6,911) e o Distrito Federal, o maior aumento (1,60%, de R$ 6,701 para R$ 6,808). O menor preço médio da gasolina está no Rio Grande do Sul (R$ 6,332), e o maior em Roraima (R$ 8,186).
Para quem vive de abastecer na estrada, o recado da ValeCard é de atenção: o diesel já subiu em quase todo o País em setembro, e os sinais de novos reajustes no fim do mês indicam que outubro pode trazer mais pressão sobre o preço do litro.
Foto: divulgação
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