Comando Rosa seleciona profissionais com CNH categoria C, oferece treinamento com instrutores e paga a mudança para a categoria E
A West Cargo, transportadora especializada em comércio exterior, criou o Projeto Comando Rosa para formar mulheres motoristas de carreta dentro da própria empresa. A frente principal se chama Programa Motorista Trainee e é voltada a profissionais que já têm a categoria C da CNH e querem avançar para os veículos pesados. Quem conclui a formação tem a troca da carteira para a categoria E, a que habilita a conduzir carretas, paga integralmente pela empresa.
A West Cargo cuida do transporte rodoviário de cargas que entram e saem do país, com atuação em grandes aeroportos e portos brasileiros. Segundo a empresa, a meta do projeto é reduzir as barreiras que afastam as mulheres de operações mais complexas, oferecendo formação, vivência com veículos pesados e segurança em viagens de longa distância.
Como o programa forma mulheres motoristas de carreta
O trainee funciona como uma trilha de crescimento dentro da West Cargo. A formação inclui treinamento na própria empresa, o apoio de motoristas instrutores e a entrada gradual em diferentes operações. No conteúdo, entram direção preventiva e defensiva, telemetria e o manuseio de carretas.
O diretor da empresa, Luigi Rosolen, diz que o programa nasceu de uma lacuna percebida na própria transportadora.
"Identificamos que muitas mulheres já possuem habilitação e experiência com caminhões menores, mas encontram poucas oportunidades para avançar até a carreta", explica.
Segundo ele, a empresa quis oferecer esse caminho por conta própria, com treinamento, supervisão e meios para que as motoristas cresçam na profissão sem abrir mão da segurança.
Primeira formada dirige a carreta rosa
Andreia Cardoso é a primeira a completar o ciclo de formação. No percurso, fez treinamentos internos, atuou em coletas e entregas e se preparou para assumir veículos pesados. Como reconhecimento, ganhou uma carreta 100% rosa, algo inédito na transportadora, que até então mantinha o visual tradicional em toda a frota.
Andreia atribui a conquista ao apoio que recebeu pelo caminho.
"Minha trajetória foi construída passo a passo. O apoio de colegas, instrutores e profissionais qualificados foi essencial para ganhar segurança e confiança", conta.
Ela diz que a profissão exige estudo constante: ninguém sabe tudo, e o motorista precisa se manter atualizado sobre tecnologias, veículos e os diferentes tipos de operação.
Para as mulheres que pensam em seguir o mesmo caminho, o recado dela é direto:
"Não tenham medo dos desafios e não permitam que ninguém diga que esse lugar não é para vocês. O transporte tem muitas oportunidades."
Paradas mapeadas e treinamento de segurança
Além do preparo ao volante, o projeto leva em conta os desafios que as motoristas enfrentam na estrada. A transportadora levantou, nas principais rotas, pontos de parada com estrutura adequada para receber as profissionais e criou treinamentos de segurança voltados a elas. Tudo isso se soma ao que a empresa já usa na operação: monitoramento, rastreamento, câmeras, telemetria e capacitação contínua.
Hoje são quatro mulheres ao volante, e a West Cargo diz que quer aumentar esse número aos poucos. Enquanto o projeto era desenvolvido, o total de mulheres na empresa dobrou, com presença em todos os departamentos.
Um setor com poucas mulheres ao volante
Os números mostram o tamanho do desafio. Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), com base na RAIS 2024 (a Relação Anual de Informações Sociais, cadastro do governo federal sobre empregos formais), o país contava com 713.229 motoristas de caminhão registrados com vínculo formal. Apenas 7.567 eram mulheres, ou 1,06% do total.
Ao mesmo tempo, as transportadoras têm dificuldade para encontrar profissionais. Pesquisa da entidade NTC&Logística mostra que 88% das empresas têm problemas para contratar motoristas e agregados.
O tema também chegou à agenda do setor. Na edição 2026 do Prêmio Destaques do Transporte Terrestre, a ANTT definiu critérios próprios para reconhecer transportadoras que empregam motoristas mulheres. A West Cargo, por sua vez, integra programas voltados às mulheres do setor: o A Voz Delas, da Mercedes-Benz, e o Vez & Voz – Mulheres no TRC, criado pelo SETCESP, sindicato das empresas de transporte de cargas de São Paulo e região.
Para quem já tem a categoria C e quer chegar à carreta, o modelo da West Cargo prevê o caminho completo dentro da empresa: seleção, formação com instrutores e troca da carteira para a categoria E, com o custo coberto pela transportadora.
Foto: divulgação
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