Etanol também avançou e gasolina ficou estável; alta interrompe quatro meses seguidos de queda nos preços dos combustíveis, segundo o Índice de Preços Edenred Ticket Log
Os preços dos combustíveis voltaram a subir no Brasil em setembro, e o diesel S-10 liderou o movimento. O litro chegou a R$ 7,24 na média nacional, alta de 2,70% sobre os R$ 7,05 do mês anterior, segundo o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL). A alta interrompe uma sequência de quatro meses consecutivos de queda, registrada até agosto.
O IPTL é um levantamento que acompanha o comportamento dos preços das transações realizadas em postos de abastecimento de todo o Brasil.
Diesel S-10 sobe mais que o diesel comum
O diesel comum também ficou mais caro, com alta de 1,33%, de R$ 6,75 para R$ 6,84 por litro. O etanol avançou 2,66%, de R$ 4,13 para R$ 4,24 por litro. A gasolina foi o único combustível a manter estabilidade em setembro, com preço médio de R$ 6,73 por litro.
Plantio da safra e petróleo pressionam os preços
A alta do diesel coincide com o início do plantio da safra agrícola 2026/27, período em que aumenta a demanda pelo combustível para abastecer tratores, colheitadeiras e caminhões. A maior necessidade de transporte e de operações no campo, somada à volatilidade das cotações internacionais do petróleo, contribuiu para pressionar os preços no período.
Para Vinicios Fernandes, diretor de Unidades de Negócios da Edenred Mobilidade, setembro marca uma mudança de comportamento: depois de quatro meses de queda, o diesel volta a pressionar o mercado, impulsionado pela demanda do agronegócio e pela volatilidade do petróleo. Segundo ele, o movimento "acende um alerta para os custos logísticos, especialmente em um período estratégico para o escoamento da produção agrícola".
Governo prorroga subvenção e descarta desabastecimento
Diante das preocupações do setor produtivo com possíveis dificuldades logísticas, o governo federal descartou o risco de desabastecimento de diesel no País e afirmou que acompanha o fornecimento nacional.
Para amenizar os impactos da oscilação dos preços sobre o frete rodoviário e os custos de produção, o Ministério da Fazenda prorrogou por 30 dias a subvenção econômica ao óleo diesel A (o diesel puro, antes da mistura com biodiesel), mantendo o subsídio de R$ 2,12 por litro. A medida entrou em vigor no domingo, 27 de setembro, e dá continuidade aos mecanismos previstos nas Medidas Provisórias 1.363 e 1.391 (normas com força de lei editadas pelo governo federal), com o objetivo de atenuar os efeitos da volatilidade internacional sobre o mercado interno.
Norte tem o diesel mais caro, e o Sul, o mais barato
Na análise regional, o Norte concentrou os maiores preços médios do diesel em setembro, com o S-10 a R$ 7,63 por litro e o comum a R$ 7,64. O Sul registrou os menores valores médios do País para as duas versões, R$ 6,85 para o S-10 e R$ 6,44 para o comum, mas teve as maiores altas mensais, de 4,42% e 4,04%, respectivamente.
O Centro-Oeste também se destacou pela elevação do diesel S-10, que subiu 4,14% e chegou a R$ 7,30 por litro.
Mato Grosso lidera a alta do S-10; Acre tem o preço mais alto
Entre os estados, Mato Grosso registrou o maior aumento nacional do diesel S-10, de 5,61%, com preço médio de R$ 7,53 por litro, em um cenário de intensificação das atividades agrícolas. O Acre teve os maiores preços médios do País para as duas versões do combustível, R$ 8,11 para o diesel comum e R$ 8,19 para o S-10.
Na outra ponta, o Paraná teve o menor preço médio nacional do diesel comum, de R$ 6,33 por litro, e o Rio Grande do Sul, o menor valor para o S-10, de R$ 6,63. O estado gaúcho também teve a gasolina mais barata do País, a R$ 6,28 por litro, enquanto Roraima registrou a maior média, de R$ 7,68.
No mercado de etanol, São Paulo manteve o menor preço médio do País, de R$ 3,94 por litro, mesmo diante da alta de 3,68% registrada no preço do biocombustível na região Sudeste.
O que acompanhar
Para quem transporta carga, o diesel S-10 foi o combustível que mais subiu no mês, cerca do dobro da alta do diesel comum. A subvenção ao diesel A foi prorrogada por 30 dias desde 27 de setembro, e o escoamento da safra agrícola, período que a Edenred considera estratégico para os custos logísticos, é o próximo ponto de atenção para o frete.
Foto: divulgação
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