Encontro em São Paulo debateu 18 ações do Roadmap Net Zero para ampliar o uso do combustível renovável em caminhões e ônibus
O biometano voltou ao centro do debate sobre descarbonização do transporte rodoviário em um encontro promovido em São Paulo, na sede da Aya Earth Partners. O Encontro Estratégico de Descarbonização dos Transportes: Biometano como Rota Tecnológica reuniu representantes de transportadoras, indústrias e entidades do setor e integrou a agenda do Hub de Biocombustíveis e Elétricos, do Pacto Global da ONU – Rede Brasil, iniciativa que reúne empresas em torno dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
O que ainda trava a expansão do biometano
A falta de postos e pontos de abastecimento foi apontada pelos participantes como um dos principais obstáculos para que mais transportadoras e frotistas migrem para o combustível, que é um gás renovável produzido a partir da decomposição de resíduos orgânicos, como lixo urbano e dejetos agropecuários, e pode substituir o diesel em caminhões e ônibus adaptados.
Também foi discutida a necessidade de políticas de incentivo ao desenvolvimento tecnológico na produção, no armazenamento e no transporte do biometano. Outro ponto levantado foi a conversão de lixões em aterros sanitários regularizados, considerada etapa necessária para aproveitar o gás gerado pelos resíduos e ampliar a rede nacional de produção do combustível.
Frota a biometano cresce, mas ainda é pequena
O Sistema Transporte, que reúne a Confederação Nacional do Transporte (CNT) e o SEST SENAT, participou do encontro representado pela gerente executiva ambiental da CNT, Erica Marcos, e pela analista de ESG (sigla para as práticas ambientais, sociais e de governança das empresas) do SEST SENAT, Larissa Machado. A entidade atua desde 2024 na difusão das diretrizes da Rede Brasil junto ao setor de transporte e integra o comitê que orienta as ações do Hub.
Segundo Erica Marcos, que apresentou dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) durante o encontro, o uso da fonte tem crescido no país: em 2025, 1.661 caminhões e ônibus teriam sido emplacados sob essa especificação, ante 196 veículos em 2021.
"Foi um momento estratégico para alinhar estratégias de descarbonização e elencar um conjunto de ações concretas para destravar a rota do biometano no transporte rodoviário brasileiro", afirmou a gerente.
Roadmap Net Zero define as próximas ações
As discussões tiveram como base o Roadmap do Transporte Rodoviário Net Zero (termo que designa a meta de zerar as emissões líquidas de carbono do setor), estudo lançado durante a COP30, em novembro de 2025, pelo Pacto Global da ONU – Rede Brasil, com contribuições do Sistema Transporte. O levantamento mapeou 132 ações estruturantes para descarbonizar o transporte rodoviário brasileiro, das quais 18 foram selecionadas no encontro como prioritárias para destravar o uso do biometano.
Mão de obra também precisa se preparar
Larissa Machado destacou a capacidade do SEST SENAT de treinar profissionais do setor para lidar com a nova tecnologia: a entidade tem 176 unidades espalhadas pelo país.
"O SEST SENAT está apto a treinar esses profissionais, que precisam estar familiarizados com a transição energética e o uso de combustíveis alternativos ao fóssil", disse.
O encontro também reuniu representantes da Transjordano, Jomed, NZ Log Logística e Comércio, Ambev, Apol, Compass Gás e Energia, Gás Verde, L'Oréal, Mercado Livre, Natura, Scania, Ultragaz e Urca. Para transportadoras que avaliam migrar parte da frota para o biometano, o ponto de atenção segue sendo a disponibilidade de infraestrutura de abastecimento na região de operação, ainda concentrada em poucos estados.
Foto: divulgação
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