Levantamento da Edenred Mobilidade aponta S-10 a R$ 7,46, com alta de 5,07%; Sul registra os maiores aumentos e Norte tem os preços mais altos
O preço do diesel comum subiu 6,67% na primeira quinzena de outubro, e o litro passou a custar R$ 7,20 em média no país. No S-10, a alta foi de 5,07%, e o preço médio chegou a R$ 7,46. Os números vêm do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), que mede quanto se paga nos postos de todo o Brasil a partir das transações de abastecimento.
A Edenred Mobilidade atribui o aumento ao cenário externo, com preços instáveis no mercado internacional, e à dependência de combustível importado para completar o abastecimento nacional.
Sul concentra as maiores altas do diesel
O Sul foi a região com os maiores aumentos. O diesel comum encareceu 11,70% e foi a R$ 6,97 por litro; no S-10, a alta foi de 7,50%, e o preço chegou a R$ 7,17. Ainda assim, a região está empatada com o Sudeste no diesel comum mais barato do país (R$ 6,97) e tem a gasolina de menor preço, R$ 6,43.
O Centro-Oeste teve alta de 6,97% no diesel comum, que passou a R$ 7,21, e de 7,02% no S-10, que foi a R$ 7,62. O Norte é a região mais cara em todos os combustíveis pesquisados: o litro médio custa R$ 7,75 no diesel comum, R$ 7,80 no S-10, R$ 7,25 na gasolina e R$ 5,19 no etanol.
Roraima tem o diesel comum mais caro; Minas Gerais, o mais barato
Entre os estados, Roraima cobra o maior preço médio pelo diesel comum (R$ 8,19 por litro) e Minas Gerais, o menor (R$ 6,91), uma diferença de R$ 1,28. O aumento mais forte foi no Paraná, onde o preço subiu 12,66% e chegou a R$ 6,94. Em sentido oposto, no Acre o diesel comum ficou 1,60% mais barato, a maior queda entre os estados, e o litro foi a R$ 8,00.
No S-10, o litro mais caro está no Acre (R$ 8,30) e o mais barato no Rio Grande do Sul (R$ 6,95), distância de R$ 1,35. Goiás teve o maior aumento, de 8,71%, com preço médio de R$ 7,49, enquanto no Amazonas o aumento foi o menor, de 0,27%, e o litro ficou em R$ 7,36.
Etanol sobe 2,38% e gasolina fica estável
O etanol ficou 2,38% mais caro, a R$ 4,31 o litro. É no Sudeste que o biocombustível sai mais barato (R$ 4,20), apesar de ter subido 2,69% na região. Por estado, os extremos são Sergipe, com R$ 5,54, e São Paulo, com R$ 4,03. A maior alta foi em Mato Grosso, de 3,96% (R$ 4,20), e a maior queda no Rio Grande do Norte, de 5,07% (R$ 5,06).
Na gasolina, a variação foi de apenas 0,15%, e o litro custa R$ 6,73 em média. Roraima cobra o valor mais alto (R$ 7,64) e o Rio Grande do Sul, o mais baixo (R$ 6,28). Pernambuco registrou o maior aumento, de 2,46%, para R$ 7,08, e o Rio Grande do Norte, a maior redução, de 3,02%, para R$ 6,74.
Quando um combustível é comparado ao outro, o etanol compensou mais em 19 unidades da federação (18 estados e o Distrito Federal): Acre, Amazonas, Pará, Rondônia e Tocantins, no Norte; Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Piauí, no Nordeste; Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, no Centro-Oeste; Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, no Sudeste; e Paraná e Santa Catarina, no Sul. A gasolina levou vantagem em seis estados: Alagoas, Maranhão, Rio Grande do Norte e Sergipe, no Nordeste; Espírito Santo, no Sudeste; e Rio Grande do Sul, no Sul.
Para Vinicius Fernandes, diretor de Unidades de Negócios da Edenred Mobilidade, essa relação de preços pesa na escolha do combustível, e o etanol ainda tem a vantagem de emitir menos poluentes.
Importações e subsídio pesam no preço do diesel
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) citados pela Edenred mostram que o Brasil ainda depende de diesel importado: as refinarias nacionais não dão conta de todo o consumo do combustível usado nas estradas. A Edenred informa que, em agosto, 23,14% das vendas de diesel A no país foram de produto importado. O diesel A é o combustível puro, antes da mistura com biodiesel.
Para reduzir o impacto e segurar o repasse de custos aos consumidores, o Ministério da Fazenda elevou em R$ 1,40 por litro o subsídio concedido a quem importa diesel de uso rodoviário. É uma ajuda financeira do governo, que passou de R$ 2,12 para R$ 3,52 por litro.
Fernandes afirma que a necessidade de importar deixa o preço interno mais sujeito às oscilações do mercado externo e que o subsídio federal procura aliviar esse efeito para o transporte rodoviário e para a logística. A medida, no entanto, não impediu o avanço de 6,67% do diesel comum no período.
"Por sua relevância para o transporte rodoviário, o diesel é um importante termômetro da atividade logística brasileira, e variações em seu preço podem ter reflexos em diferentes setores da economia", afirma Fernandes.
Se o reforço do subsídio chegará ao preço cobrado nos postos, só os próximos levantamentos do IPTL vão mostrar. Até lá, o litro do diesel segue variando conforme o estado: são R$ 1,35 de diferença no S-10 entre o Acre e o Rio Grande do Sul.
Foto: divulgação
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