Polícia para quem precisa

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Polícia para quem precisa

 

Dizem que ela existe

Prá ajudar!

Dizem que ela existe

Prá proteger!

Eu sei que ela pode

Te parar!

Eu sei que ela pode

Te prender!…

 

Polícia!

Para quem precisa

Polícia!

Para quem precisa

De polícia.

 

O relacionamento entre caminhoneiros e a Polícia Rodoviária é muito parecido com o daquele casal casados há mais de 40 anos. Um não suporta o outro, mas sabem que não conseguirão viver um sem o outro. Às vezes acontecem umas coisas que o caminhoneiro fica na bronca com o policial rodoviário e o policial rodoviário não tem culpa. SÃO AS NORMAS.

Encontrei um caminhoneiro que deveria descarregar às 16 horas, próximo do posto da Polícia Rodoviária, na Raposo Tavares, em São Paulo. Chegou meia hora antes, e, mesmo agendado para as 16 horas, foi informado que só poderia descarregar no dia seguinte. O dono da carga disse para esperar e o caminhoneiro ficou em uma avenida, próximo ao local, onde nos encontramos.

Dormir na rua não é nenhuma novidade para caminhoneiro. Mas para que dormir na rua, com uma carga avaliada em R$ 60 mil, fora o Constellation 24.250, comprado com muito trabalho, e, principalmente, sua vida, se de onde estávamos, podíamos ver dois grandes pátios da Polícia Rodoviária?

Liguei para lá e fui informado que o caminhoneiro não poderia passar a noite no pátio por que uma das áreas precisa ficar livre para que, em caso de acidente, tenha onde colocar os carros. E a outra área era do DER, que inclusive colocou uma placa de proibido parar e estacionar.

Noite muito fria em São Paulo. Um caminhoneiro de quase 60 anos, franzino, com forças apenas para trabalhar, não para enfrentar bandidos, cansado por ter rodado 1.110 km cumprindo o horário para descarregar e voltar para casa em Minas Gerais. Foi ignorado pela empresa que iria receber a carga e agora, ignorado por quem deveria protegê-lo.

Experiente, sorriu quando perguntei e agora? Sorriu, agradeceu minha boa vontade em ajudá-lo e disse: fecho a porta, puxo a cortina e durmo com Deus. Deus me protege.

João, Pedro, Paulo, Edvaldo, Mané. Não importa o nome desse caminhoneiro. Foi apenas mais um que passou a noite na rua, exposto a toda sorte de perigo por que a NORMA não permite caminhoneiros em pátios da Polícia Rodoviária. Isso não pode ficar assim.

Entrei em contato com o Comando da Polícia Rodoviária e com o DER. O Comando, por meio da Assessoria de Imprensa do 5º BPRv respondeu que os condutores de veículos, principalmente os de carga, devem efetuar o planejamento de sua viagem. No caso da Base Operacional do Policiamento Rodoviário localizada no Km 18 da Rodovia SP-270 (Raposo Tavares), ela não comporta veículos de grande porte para fins de estacionamento, pois o local é destinado ao estacionamento de viaturas policiais e para atender a demanda de veículos envolvidos em acidentes de trânsito, os quais, na maioria das vezes, chegam ao local para confecção das ocorrências removidos por guinchos, necessitando, para tanto, de espaço suficiente para realizar manobras seguras. Torna-se necessário acrescentar que, mesmo nos casos de acidentes de trânsito, os veículos são retirados rapidamente para não trazerem prejuízos à circulação e à segurança viária.

Finalizou afirmando que na Polícia Militar você pode confiar!

Como eu escrevi no começo, os dois lados têm razão. O caminhoneiro estava agendado. Não ficou na rua porque quis. O caminhão trucado não iria atrapalhar as operações da Base, ainda que ocorresse um grande acidente. Não quero transformar as bases operacionais em estacionamentos. Mas toda REGRA tem uma exceção. Enquanto o Governo não cumpre a própria lei que instituiu pontos de parada (nunca construídos), acho que seria de bom tom, permitir que, em casos EXCEPCIOINAIS, os caminhoneiros pudessem contar com o apoio da Polícia Rodoviária, com o limite de um caminhão por base. Não atrapalharia e evitaria que um caminhoneiro corresse riscos desnecessários. É apenas uma sugestão.

O Departamento de Estradas de Rodagem informa que a área do DER disponível no Posto Rodoviário é destinado exclusivamente a paradas de emergências rodoviárias. Para esta finalidade, a área tem que ficar livre.

Como o caminhoneiro vai confiar na Polícia Rodoviária se quando mais precisa não tem apoio? É mais uma área que o DER tem e não dá uma destinação correta.

 

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