O foco é o jogador Ganso

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Um momento de reflexão sobre um jogador que tem muito potencial.

Ganso, o triste
Ganso não sorri.
Ganso pensa.
Ganso joga.
Joga muito.

Mas Ganso está jogando só 21,07% do que sabe e pode. Já é muito mais do que Kléberson, Josué, Grafite, Elias, Júlio Baptista, Jádson, Elano, Lucas Leiva, Felipe Melo (arght!) e Ramires… juntos!

Ganso não tem sido um craque 100% participante do jogo.

Vive de lampejos, poucos, mas todos brilhantes, fáceis, únicos, diferentes, exclusivos…

Mas por que só seis ou sete toques mágicos de sua canhota durante 90 minutos?

Foram e são as operações?

Conflitos familiares?

Divergências entre seus 800 “donos”?

Ou seria por que Ganso é um triste?

Sim, Ganso não sorri, observem.

Calado, fechado, pensativo e carrancudo, Ganso só esboça um sorriso amarelo quando deste ou aquele gol… dos outros!

Seria Ganso o novo Quarentinha?

O saudoso e célebre nº 9 do melhor Botafogo da história também era, digamos, esquisito.

Contou-me Nilton Santos, em Porto Alegre, em 2000, no ônibus que nos levou para um evento ? homenagem a grandes craques ? que apresentei ao lado de Dunga ? que Quarentinha “lamentava” seus gols.

O “Enciclopédia” sempre perguntou, nunca entendeu e Quarentinha não explicava, mas sorria pela curiosidade de todo o timaço do Fogão.

Mas a verdade era que, quando Quarentinha fazia o gol com sua canhota portentosa, ele ficava triste e voltava carrancudo para o meio do campo.

E quando chutava para fora, na trave ou o goleiro pegava, Quarentinha se encaminhava para a intermediária com largo sorriso nos lábios.

E, a bem da verdade, saibam que o grande Quarentinha, o primeiro dos Quarentinhas, teve voltas para o meio campo muito mais vezes tristes do que alegres.

É que ele foi um grande matador.

Em caso contrário, não teria jogado “100 anos” ao lado de Garrincha, Didi, Amarildo, Zagallo e Nilton Santos. Faltou- lhe uma Copa.

Mazzola, Dida, Vavá e Coutinho não deixaram.

Mas umas duas ou três Copas não faltarão a Ganso, o triste.

Especial, cerebral, calmo, pode se tornar um Didi Canhoto.

O “Príncipe Etíope”, de Nelson Rodrigues, também era cadenciado, como Mengálvio Figueiró.

Só que para isso, Ganso precisa eliminar as minhocas que atormentam sua cabeça de craque raro.

É que minhocas não sossegam, deslizam, movimentam-se e serpenteiam para lá e para cá.

E devem estar descendo para os ombros, coxas, joelhos e tornozelos do moço de Belém, onde também nasceu Jesus.

Enquanto isso, caro Ganso, jogue e… sorria!

Sorria muito!

O sorriso é a mais bela expressão que Deus escalou e delegou aos homens de boa vontade.

Como Ganso, o triste, que logo vai se transformar no Ganso, o alegre, o feliz, o iluminado, como é seu imenso talento.

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