Primeira turma teve nove aprovadas e cinco já foram contratadas; formação de 107 horas inclui simulador, condução real e módulos sobre produtos perigosos
Nove mulheres concluíram a primeira turma do Mulheres na Direção, projeto do SEST SENAT em São Paulo, e cinco delas já foram contratadas. A iniciativa começou em São Vicente, como piloto, e hoje funciona em 18 das 41 unidades da entidade no estado, pouco menos da metade.
O objetivo é preparar mulheres que já têm habilitação nas categorias D ou E para atuar nas estradas, tanto no transporte de cargas quanto no de passageiros, com formação técnica e chances de conseguir emprego no setor.
De cozinheira a contratada por transportadora
A primeira turma começou em junho. Das nove alunas aprovadas, cinco já têm emprego: duas na Nelcar Transportes Rodoviários, duas na CarpoLog e uma na S. Magalhães. As quatro restantes participam de processos seletivos. Isso representa mais da metade da turma.
Uma das alunas, Rita Beatriz dos Santos, resume o impacto do curso: "Esse curso mudou a minha vida. Eu era cozinheira e não tinha nada a ver com o transporte, mas sonhava ser motorista profissional". Depois da formação, ela foi chamada para uma vaga na Nelcar, passou pela seleção da empresa e hoje está em treinamento.
Participação feminina ainda é reduzida nas funções operacionais
O ponto de partida do projeto é o número ainda pequeno de mulheres que atuam em funções operacionais no transporte. Nicole Goulart, diretora executiva nacional do SEST SENAT, diz que ver uma mulher nessas atividades ainda provoca estranhamento e que a qualificação profissional ajuda a mudar essa realidade.
"Ainda nos espantamos quando vemos uma mulher na cabine de um avião, na boleia de um caminhão ou conduzindo um ônibus. Enquanto instituição formadora, nosso papel é diminuir esse espanto", explica.
Ela defende que esses espaços se tornem mais naturais para as mulheres, o que depende de capacitação, incentivos fiscais, infraestrutura e logística adequadas e investimento do governo.
O piloto foi desenhado com base em indicadores do Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo) para a Baixada Santista. Pelos dados usados no projeto, 775 mulheres da região têm habilitação em categorias profissionais: 97 (12,5%) nas categorias AE e E e 678 (87,5%) nas categorias AD e D.
Quem pode participar
O projeto atende mulheres com mais de 21 anos que moram na Baixada Santista e têm habilitação na categoria E. A prioridade é para quem vive em vulnerabilidade social ou procura entrar, ou voltar, ao mercado de trabalho.
Formação de 107 horas, com módulos sobre produtos perigosos
Na primeira edição, foram 107 horas de curso. Em sala, as alunas tiveram aulas presenciais de teoria, com dinâmicas, exercícios e estudos de caso. Na prática, treinaram em simulador de direção e dirigiram veículos de verdade, em atividades coletivas e individuais. Os conteúdos foram organizados em quatro módulos:
As alunas são avaliadas pela frequência mínima, pelo desempenho em teoria e prática, pelo envolvimento nas simulações e nas aulas de condução real e pelo comprometimento.
A estrutura e a equipe técnica do SEST SENAT foram usadas no curso, e o Sindisan (Sindicato das Empresas de Transporte Comercial de Cargas do Litoral Paulista) ajudou a levar as interessadas até as empresas do setor. Rita avalia que a preparação foi fundamental para a mudança em sua vida e diz que hoje aplica o que aprendeu com mais segurança.
Próximos passos
Há expectativa de que o projeto passe a incluir novos cursos, como formação para operador de empilhadeira, operador de drone e primeiros socorros, entre outras opções. A ideia é aumentar o alcance da iniciativa e dar mais caminhos de qualificação a mulheres que queiram entrar no setor ou crescer nele.
O material divulgado não detalha as datas das próximas turmas nem como fazer a inscrição, informações que as interessadas precisam confirmar com o SEST SENAT.
Foto: divulgação/CNT
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