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Mercado de caminhões reage em junho, mas previsão para 2026 cai

Por Graziela Potenza em 08/07/2026 às 08:10
Mercado de caminhões reage em junho, mas previsão para 2026 cai

Mesmo com reação nos emplacamentos de junho, setor ainda acumula queda no ano; Anfavea diz que programas de crédito ajudaram, mas não foram suficientes para reverter o cenário negativo

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) reduziu sua expectativa para o mercado brasileiro de caminhões em 2026. A nova projeção indica 106,7 mil unidades licenciadas até o fim do ano, resultado 5,9% abaixo do volume registrado em 2025, quando foram emplacados 113,4 mil caminhões. Ao comentar a revisão, o presidente da entidade, Igor Calvet, classificou o recuo como expressivo. “Infelizmente, é uma perda significativa”, afirmou.

Durante a apresentação dos resultados e das projeções do setor automotivo, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, chamou atenção para a dimensão da retração. Segundo ele, a indústria brasileira de caminhões perdeu, em apenas dois anos, um volume equivalente ao tamanho do mercado argentino.

Já em junho, foram produzidos 10,9 mil caminhões, contra 10,5 mil em maio, o que representa alta de 3,9%. Na comparação com junho de 2025, porém, ainda houve queda de 3,5%. No acumulado de janeiro a junho, a retração chega a 14,4%.

Nos emplacamentos, junho trouxe um sinal positivo. O volume cresceu 15,9% em relação a maio e 14,7% na comparação com junho do ano passado. Ainda assim, no acumulado do primeiro semestre, o mercado permanece em queda de 10,5%.

A melhora de junho foi puxada principalmente pelos caminhões pesados, segmento que concentrou 76% da variação positiva registrada no mês. Segundo Calvet, esse foi o primeiro período em que a curva de 2026 superou a do ano anterior. Em junho, foram emplacadas 9,8 mil unidades, acima das 8,5 mil registradas no mesmo mês de 2025, resultado que já reflete os primeiros efeitos da segunda etapa do programa Move Brasil.

Apesar desse avanço pontual, a Anfavea mantém cautela em relação ao desempenho do setor no segundo semestre. A entidade avalia que o esgotamento de boa parte dos recursos do Move Brasil 2, somado aos juros elevados, ao aumento dos custos com diesel e pedágios e às dificuldades financeiras enfrentadas pelo agronegócio, ainda deve limitar a recuperação do mercado de caminhões.

Calvet explicou que os programas de financiamento ajudaram a aliviar a retração, especialmente no segmento de pesados. Segundo ele, os recursos disponibilizados no Move Brasil 1 e no Move Brasil 2 foram importantes para reduzir a queda, mas não conseguiram colocar o mercado em trajetória positiva.

“O mercado de caminhões não conseguiu reverter a trajetória de queda e tornar o mercado positivo neste ano. Atenuou, e por essa razão foram programas muito bem-vindos, mas diminuíram a queda”, afirmou.

Segundo o presidente da Anfavea, os dois programas somaram cerca de R$ 30 bilhões em crédito para o segmento, incluindo caminhões, ônibus e implementos. No entanto, boa parte dos recursos já foi utilizada. Ainda restaria, de forma informal, algo entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,4 bilhão voltado aos transportadores autônomos.

A revista Caminhoneiro questionou Calvet sobre a possibilidade de um Move Brasil 3 para apoiar o setor de caminhões, diante da importância do transporte rodoviário de cargas para a economia nacional. O presidente da Anfavea afirmou não acreditar em uma nova fase do programa.

Segundo ele, fontes do governo indicam que não há espaço para um novo programa, tanto por questões fiscais quanto por limitações legais e eleitorais. “Pessoalmente, não acredito. Infelizmente, não acredito”, disse.

Para Calvet, o setor precisará buscar novas alternativas para estimular a renovação da frota e recuperar o mercado de pesados. Ele ressaltou que, mesmo com os emplacamentos ainda previstos a partir dos financiamentos já aprovados, o segundo semestre deve continuar desafiador.

Entre os fatores que pressionam o segmento estão as altas taxas de juros, o endividamento de empresas e produtores, a redução das margens no agronegócio, o aumento de custos das transportadoras, o diesel e os pedágios.

“Vamos ter que encontrar outras formas de fazer, porque o mercado de caminhões vai estar junto com o agro. O segundo semestre será muito difícil”, afirmou Calvet.

O presidente da Anfavea também alertou que a retração no mercado de caminhões pode ter impacto futuro sobre a produtividade e o crescimento do país. Para ele, quando a renovação da frota perde ritmo, os reflexos aparecem mais adiante na economia.

Foto: divulgação

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