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Mercado de caminhões mostra resiliência em 2025 e Move Brasil anima início de 2026

Por Graziela Potenza em 27/01/2026 às 12:55
Mercado de caminhões mostra resiliência em 2025 e Move Brasil anima início de 2026

Mesmo em um cenário econômico desafiador, marcado por juros elevados e restrição de crédito, o mercado brasileiro de caminhões demonstrou maturidade e resiliência ao longo de 2025. A avaliação é de Ricardo Alouche, vice-presidente da Volkswagen Caminhões e Ônibus, que classificou o ano como “racional, profissional e sustentável” para o setor.

“2025 foi um ano de muita resiliência e maturidade no mercado de caminhões. Foi um ano com bastante desafio, mas o setor conseguiu se sustentar”, afirmou o executivo.

Segundo Alouche, apesar da Selic em patamares elevados — em torno de 15% —, o volume de emplacamentos se manteve estável ao longo de todo o ano, algo incomum historicamente.

Agronegócio sustentou o mercado, apesar do crédito restrito

Um dos principais pilares de sustentação do mercado em 2025 foi, mais uma vez, o agronegócio. O setor registrou novo recorde de produção, impulsionando a demanda por transporte de grãos, carnes e insumos. No entanto, o avanço poderia ter sido maior não fosse a dificuldade de acesso ao crédito.

“Embora a demanda de transporte tenha sido maior, o mercado não reagiu mais por conta da restrição de crédito”, explicou Alouche.

Outro fator relevante foi a retomada gradual da renovação de frotas pelas grandes empresas. Após a pandemia, a idade média dos caminhões chegou a 11 anos, mas voltou a cair nos últimos dois anos.

“As empresas postergaram a renovação das frotas, mas agora observamos uma retomada, ainda que moderada”, disse.

Cliente mais racional e foco no custo total

De acordo com o vice-presidente da VWCO, o comportamento do cliente mudou significativamente. Em 2025, a decisão de compra passou a ser guiada principalmente pelo custo total de propriedade (TCO), e não apenas pelo preço do caminhão.

“O cliente nunca prestou tanta atenção no custo total de propriedade. O preço do caminhão passou a ser até uma segunda prioridade”, afirmou. Segundo ele, fatores como consumo de combustível, manutenção, valor de revenda e eficiência do pós-venda ganharam ainda mais peso.

“Quando o juro está alto, o cliente faz mais conta. Ele olha para o tempo de caminhão parado, custo de manutenção e qualidade dos serviços”, completou.

Esse cenário contribuiu para que a Volkswagen encerrasse 2025, mais uma vez, como líder de mercado no segmento de caminhões. Pelo 22° ano, a marca teve a preferência entre os clientes do transporte de cargas e, de acordo com dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foram licenciados 30.211 caminhões VW, volume correspondente a 26,6% das unidades emplacadas. Em um mercado altamente competitivo, a marca conseguiu ampliar sua participação de mercado em 1,5 ponto percentual.

Move Brasil anima início de 2026

Para 2026, as expectativas são divididas. O início do ano já mostra sinais de aquecimento impulsionados pelo Programa Move Brasil, que reduziu significativamente as taxas de financiamento.

“Nós saímos de uma taxa de CDC na ordem de 1,45% ao mês para 1,05% com o Move Brasil. Isso representa uma redução de cerca de 30% a 35% no custo do financiamento”, explicou Alouche.

Segundo ele, a nova linha de crédito despertou o interesse dos clientes e começou a movimentar o mercado. No entanto, o processo mais burocrático tem alongado o ciclo de fechamento dos negócios, o que impactou os números de janeiro.

Risco político e antecipação de compras

Apesar do otimismo no curto prazo, Alouche alertou para os riscos do segundo semestre. O programa Move Brasil foi aprovado por medida provisória, com validade inicial de 120 dias, e depende de aprovação do Congresso.

“Existe o risco de o programa não ser prorrogado, especialmente em um ano eleitoral. Isso pode levar à antecipação de compras no primeiro trimestre”, afirmou.

Na visão do executivo, muitos clientes devem antecipar investimentos para aproveitar os juros mais baixos, o que pode deixar o segundo semestre mais instável.

“Eu vejo dois grandes momentos em 2026: um primeiro semestre bastante agitado, com aceleração das compras, e um segundo semestre mais desafiador, dependendo dos desdobramentos econômicos e políticos”, disse.

Extrapesado ainda enfrenta desafio de crédito

O segmento de caminhões extrapesados também deve sentir os efeitos positivos do Move Brasil, com aumento do apetite para compras. No entanto, o crédito segue como principal obstáculo.

“Uma coisa é o cliente não querer comprar por causa do juro. Outra é ele querer comprar e não conseguir aprovar o crédito”, alertou Alouche. “O crédito continua sendo o grande desafio para o segmento de extrapesados.”

Mesmo diante das incertezas, o executivo avalia que o setor está mais profissional e preparado para enfrentar cenários complexos. “As empresas estão mais ágeis, resilientes e focadas em soluções completas, não apenas no produto”, concluiu.

Foto: divulgação

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