As expectativas para o mercado de transporte em 2026 estarão diretamente ligadas ao comportamento da taxa de juros ao longo do ano. A avaliação é de Alex Nucci, diretor de Vendas de Soluções da Scania Brasil, que aponta diferentes cenários a depender do ambiente econômico.
“Tudo vai depender do comportamento da taxa de juros ao longo de 2026. Se ela começar a cair a partir do início do ano e fechar algo próximo de 12% ou 12,5%, a tendência é termos um ano muito parecido com 2025, o que chamamos de um mercado ‘andando de lado’. Caso contrário, se os juros permanecerem elevados por mais tempo, podemos ter uma retração adicional, principalmente no mercado acima de 16 toneladas”, afirma Nucci.
Apesar do cenário de atenção, o executivo destaca oportunidades importantes para o setor, impulsionadas por políticas públicas recentes.
“Claro que a iniciativa lançada pelo governo para impulsionar a renovação de frota, a Move Brasil, lançada recentemente, já aponta uma grande oportunidade e movimento do mercado, que pode ser muito benéfica para que clientes de pequeno e médio porte renovem suas frotas, e nós estamos prontos para atender essa demanda”, destaca.
Na avaliação da Scania, os principais segmentos de carga não apresentam sinais de retração significativa, mesmo com um ambiente de crédito mais restrito.
“Sendo assim, não vemos um cenário negativo nos principais segmentos de carga. O agro deve seguir positivo, a mineração continua investindo, o setor madeireiro vem com novos projetos industriais e o e-commerce segue crescendo de forma consistente. Esses fatores sustentam a renovação de frota, ainda que de forma mais cautelosa”, explica.
Nucci ressalta que, com juros elevados e maior seletividade no crédito, os transportadores passam a priorizar ainda mais eficiência operacional e redução de custos.
“Esses fatores serão cada vez mais decisivos. Com juros altos e crédito restrito, o transportador olha ainda mais para eficiência e custo. Sustentabilidade deixou de ser apenas um discurso e passou a ser uma questão de viabilidade econômica.”
Nesse contexto, soluções energéticas alternativas ganham relevância no mercado.
“As soluções a gás, biometano, biodiesel e, no futuro, o elétrico, ganham espaço justamente por reduzirem custo operacional e emissões”, afirma o executivo.
Além da matriz energética, a tecnologia também se consolida como diferencial competitivo.
“Além disso, tecnologia e conectividade têm um papel fundamental na gestão da frota. Serviços conectados, soluções financeiras e ferramentas digitais ajudam o cliente a ganhar produtividade, previsibilidade e controle do negócio. Em 2026, quem entregar menor consumo, menor custo total de operação e soluções completas de transporte terá uma vantagem competitiva clara no mercado”, conclui Nucci.
Fotos: divulgação
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