Caminhões começaram a circular em julho em rotas entre São Paulo, Curitiba, Ribeirão Preto e Belo Horizonte
O Grupo Rodonaves iniciou a operação de sua primeira frota de caminhões movidos a gás. Os veículos começaram a circular gradualmente ao longo de julho, em rotas que conectam São Paulo, Curitiba, Ribeirão Preto e Belo Horizonte.
A iniciativa faz parte da estratégia da companhia para avançar na transição energética e reduzir emissões no transporte rodoviário de cargas.
Transição energética é o processo de substituição gradual de fontes de energia mais poluentes por alternativas de menor impacto ambiental. No transporte, isso pode envolver o uso de caminhões a gás, elétricos, movidos a biometano, biodiesel ou outras tecnologias.
Com a nova frota, a Rodonaves passa a avaliar, em operação real, o desempenho dos caminhões movidos a gás e os impactos dessa tecnologia na rotina logística.
Plano de longo prazo
A chegada dos caminhões movidos a gás dá continuidade a um plano de modernização da frota.
Em 2025, o Grupo Rodonaves investiu mais de R$ 60 milhões na renovação de seus veículos, com a aquisição de 108 caminhões. Atualmente, segundo a empresa, 98% da frota é equipada com motores Euro 5 e Euro 6.
Em sua agenda ESG, a Rodonaves também informa que trabalha com frota diversificada, incluindo veículos elétricos, modelos movidos a biodiesel e GNV, além de tecnologia Euro 6. A companhia afirma que essas iniciativas fazem parte de sua busca por transporte com menor impacto ambiental.
Teste em condições reais de operação
A entrada da frota movida a gás permitirá que a empresa avalie a tecnologia em rotas comerciais reais.
Ao longo da operação, serão monitorados indicadores como desempenho, disponibilidade e consumo dos veículos.
Desempenho, nesse caso, envolve a capacidade do caminhão de cumprir a rota com eficiência, considerando força, autonomia, comportamento em diferentes trechos e atendimento à demanda da operação.
Os dados coletados servirão para orientar as próximas etapas da estratégia de transição energética e descarbonização do Grupo Rodonaves.
O que é descarbonização
Descarbonização é o esforço para reduzir as emissões de carbono e outros gases ligados ao aquecimento global.
No transporte rodoviário, esse desafio é grande porque o caminhão ainda depende fortemente do diesel. Por isso, empresas do setor têm testado alternativas para reduzir o impacto ambiental sem comprometer a operação.
O caminhão movido a gás aparece como uma dessas possibilidades, especialmente em rotas planejadas e operações com abastecimento estruturado.
Para transportadoras, porém, a decisão não depende apenas da tecnologia. É preciso avaliar custo do combustível, autonomia, rede de abastecimento, manutenção, treinamento, segurança e capacidade de atender os prazos de entrega.
Preparação técnica e operacional
A implantação do projeto exigiu preparação técnica e operacional.
Segundo a empresa, o processo envolveu certificações, inspeções, adequações regulatórias, treinamentos, revisões dos veículos e integração entre diferentes áreas da companhia.
Adequações regulatórias são ajustes necessários para que a operação esteja de acordo com as normas técnicas e legais aplicáveis.
Certificações e inspeções servem para comprovar que veículos, equipamentos, processos e equipes estão preparados para operar com segurança.
Esse tipo de preparação é importante porque novas tecnologias exigem conhecimento específico. A operação com caminhões a gás envolve cuidados próprios de abastecimento, manutenção, condução e segurança.
Segurança energética e eficiência
Para Régis Tiecher, CEO do Grupo Rodonaves, a mudança vai além da troca de combustível.
“A transição não é apenas uma mudança na matriz de combustíveis; é uma transformação da forma como pensamos segurança energética, eficiência, inovação e geração de valor para os nossos clientes”, afirma.
Segurança energética significa reduzir a dependência de uma única fonte de energia e ampliar as alternativas disponíveis para manter a operação funcionando.
No transporte, isso pode ajudar empresas a se preparar para variações de preço, mudanças regulatórias, exigências ambientais e novas demandas de clientes.
Caminho para a logística do futuro
A iniciativa integra a visão de longo prazo do Grupo Rodonaves para construir uma operação preparada para os desafios da logística do futuro.
Além da transição energética, a companhia também cita transformação digital e novas tecnologias como parte de sua estratégia.
Transformação digital, nesse contexto, envolve o uso de dados, sistemas, conectividade e ferramentas de gestão para melhorar a operação, acompanhar indicadores e tomar decisões com mais precisão.
Segundo a Rodonaves, o objetivo é consolidar-se, até 2030, como o principal ecossistema logístico independente e integrado do país.
Ecossistema logístico é uma forma de descrever um conjunto de soluções conectadas, que pode envolver transporte, armazenagem, tecnologia, gestão, serviços financeiros, manutenção, locação e outras frentes ligadas à movimentação de cargas.
Tema ganha espaço no transporte
A operação de caminhões movidos a gás pela Rodonaves reflete um movimento mais amplo no transporte rodoviário de cargas.
Empresas do setor têm buscado alternativas para reduzir emissões, melhorar eficiência e responder a novas exigências ambientais de clientes e do mercado.
Para caminhoneiros, transportadoras e frotistas, a adoção dessas tecnologias deve ser acompanhada com atenção. O avanço depende não apenas da redução de emissões, mas também da viabilidade econômica e operacional.
Na prática, o caminhão precisa entregar desempenho, disponibilidade, manutenção adequada e custo competitivo.
A nova frota da Rodonaves será, portanto, uma etapa de aprendizado em operação real. Os resultados obtidos nas rotas entre São Paulo, Curitiba, Ribeirão Preto e Belo Horizonte deverão indicar os próximos passos da companhia na transição energética do transporte rodoviário.
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