Plano Nacional de Logística 2050 mapeia 31 eixos prioritários de transporte e aponta redução da dependência rodoviária como meta central
O Ministério dos Transportes lançou, na quarta-feira (12), o Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, documento que reúne as diretrizes do governo federal para investimentos em infraestrutura de transporte nas próximas duas décadas e meia. O plano foi elaborado em conjunto com o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e contou com participação da Casa Civil e do Ministério do Planejamento e Orçamento.
Segundo o governo, a estimativa é de que sejam necessários R$ 1,225 trilhão em investimentos até 2050, divididos entre R$ 734,4 bilhões esperados da iniciativa privada e R$ 490,5 bilhões de recursos públicos.
O que o plano prioriza
O PNL 2050 define prioridades de investimento em manutenção da malha já existente e estabelece um cenário-meta de expansão, composto por 31 eixos logísticos considerados estratégicos: 12 rodoviários, oito ferroviários, quatro aquaviários e sete intermodais. O documento também lista 112 objetivos prioritários de atuação e faz um diagnóstico dos principais gargalos logísticos do país.
Entre os problemas identificados pelo governo estão a saturação rodoviária em curtas e médias distâncias, a concentração de tráfego aéreo na região metropolitana de São Paulo, o isolamento de comunidades na região Norte e as dificuldades de integração regional hidroviária e aérea.
Por que o plano quer reduzir a dependência das rodovias
Atualmente, as rodovias concentram 54% da movimentação de cargas no Brasil, segundo dados da Infra S.A. (estatal responsável pelo planejamento da infraestrutura de transportes) citados pelo governo. As ferrovias respondem por 27%, o transporte aquaviário por 19% e o modal aéreo por menos de 1%.
Uma das diretrizes centrais do PNL é o fortalecimento da intermodalidade, com maior integração entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos. O plano prevê a ampliação das malhas de transporte, a começar pela ferroviária, que hoje soma cerca de 30 mil quilômetros, além de estimular concessões aquaviárias, terrestres e aeroviárias adaptadas às particularidades de cada Estado, de forma a dar conta do escoamento de volumes crescentes do setor produtivo nas cinco regiões do país.
Na avaliação do governo, diversificar a matriz de transportes tem potencial para reduzir custos logísticos, aumentar a segurança operacional e ampliar a competitividade dos setores exportadores, sem que isso signifique abandono do transporte rodoviário, que segue como o modal mais usado no país.
O que isso significa para quem roda hoje
Por ser um plano de 24 anos, o PNL 2050 não representa obras com início imediato nas rodovias. Seu papel é orientar prioridades: o documento deve subsidiar a elaboração do próximo Plano Plurianual (PPA), o documento que fixa as prioridades de investimento do governo federal a cada quatro anos, e ajudar a definir prioridades orçamentárias da União, além de nortear a estruturação de futuros projetos de concessão e parcerias com o setor privado.
Isso significa que os 12 eixos rodoviários listados como prioritários no plano tendem a concentrar as próximas rodadas de concessão e investimento público em rodovias federais nos próximos anos, embora o cronograma detalhado de cada obra ainda dependa de definições posteriores.
Para caminhoneiros e transportadoras, o plano funciona como um indicativo de para onde o governo pretende direcionar recursos e concessões no médio e longo prazo, mais do que uma mudança que já aparece na estrada este ano.
Foto: divulgação/ilustrativa
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