Detran-SP fiscalizou 1.230 desmontes entre janeiro e julho, alta de 169% sobre 2025
Peça usada é caminho comum para reduzir o custo de manutenção do caminhão, mas a origem do componente pode custar mais caro do que parece. Entre janeiro e julho de 2026, o Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) realizou 1.230 fiscalizações em empresas de desmontagem de veículos, contra 457 no mesmo período de 2025. O crescimento foi de 169% na comparação entre os dois anos.
O reforço na fiscalização mira estabelecimentos que operam sem autorização e vendem peças sem origem comprovada. Os desmontes regularizados são fonte legítima de componentes para reposição e reparo, mas o problema está justamente nos que atuam à margem da regularização: além do risco de a peça vir de veículo roubado ou de atividade criminosa, o comprador pode levar para casa um componente sem as condições mínimas de segurança para uso.
Para quem tira o sustento do caminhão, esse cuidado pesa mais. Uma peça de origem desconhecida pode significar gasto extra com novo reparo e, pior, o veículo parado justamente quando não pode parar.
Como checar se o desmonte é credenciado
Antes de fechar a compra, o primeiro passo é verificar se a empresa de desmontagem está credenciada pelo Detran-SP. A consulta é feita no portal do órgão, na área de Agentes Regulados, que reúne os estabelecimentos e profissionais autorizados a prestar diferentes tipos de serviço, entre eles a desmontagem de veículos.
Etiqueta e QR Code confirmam a procedência da peça
Além de checar o estabelecimento, dá para rastrear a peça em si. O Detran-SP mantém um sistema que permite consultar a origem do componente pelo número gravado na etiqueta de identificação, disponível no site do órgão. No aplicativo do Detran-SP, o mesmo resultado é obtido lendo o QR Code impresso na etiqueta. Em qualquer um dos dois caminhos, o comprador confirma se o item está registrado regularmente antes de fechar negócio.
Itens de segurança que a lei proíbe reutilizar
Preço baixo não deve ser o único critério na hora de escolher uma peça usada. Segundo o Detran-SP, alguns componentes ligados diretamente à segurança do veículo não podem ser reaproveitados sob nenhuma hipótese e devem ser destruídos ou encaminhados para reciclagem e recondicionamento industrial. Estão nessa lista: airbags e seus subcomponentes; componentes do sistema de freios, incluindo discos, pinças, hidrovácuo e ABS; cintos de segurança e pré-tensionadores; caixa e sistema de direção; componentes da suspensão, como amortecedores, bandejas e molas; sistema de controle de estabilidade; e vidros de segurança com a gravação original do chassi.
Para o profissional que depende do caminhão para gerar renda, a conta não fecha se a economia de hoje virar imobilização amanhã. Antes de comprar peça usada, vale conferir a regularidade do estabelecimento e a identificação da peça, e nunca abrir mão dessa checagem quando o componente for de segurança.
Foto: divulgação/Detran-SP
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