O diretor Executivo da Suspensys fala sobre liderança no setor, inovação em eixos elétricos, eletromobilidade e os próximos passos rumo a um transporte de carga mais sustentável.
Revista Caminhoneiro - Ricardo Barion, ao assumir a liderança da Suspensys, quais são suas principais metas estratégicas para os próximos anos?
Ricardo Barion - Uma das primeiras metas é que a empresa siga na liderança de mercado em eixos e suspensões. Somos muito próximos de todas as montadoras, fornecemos para todos e para as principais empresas produtoras de semirreboques. Primeiro passo, é manter essa proximidade e relacionamento com os clientes. O segundo, continuar desenvolvendo produtos que se adaptem à necessidade do mercado. E essa é uma premissa que a Suspensys faz muito bem. O terceiro, e não menos importante, é que temos uma missão de trazer cada vez mais o ESG para o mercado, por meio da eletromobilidade. O e-Sys, nosso sistema de tração auxiliar elétrico, já é uma primeira iniciativa que trouxemos e que está sendo aplicado em diversos produtos no mercado, e tem demonstrado essa eficiência que a gente quer trazer com o modal elétrico para dentro do segmento.
Revista Caminhoneiro - Como a Suspensys se posiciona no mercado latino-americano em termos de inovação e sustentabilidade?
Ricardo Barion - Nos posicionamos como referência e liderança para todo o mercado com soluções inovadoras em sistemas de suspensão e rodagem, e como vanguarda no desenvolvimento de tecnologias para a eletromobilidade. A Suspensys tem uma presença significativa na América Latina, com produção fabril no Brasil e no México. Entre os componentes relevantes do nosso portfólio para esses mercados, estão linhas de suspensão pneumática, suspensão mecânica, eixo autodirecional, sistemas de controle de estabilidade, entre outros. O e-Sys, como já mencionei, é um sistema que tem muito aderência à região, porque é uma solução que se adapta às características geográficas e de mercado dos países do continente. Já exportamos essa solução para o Chile, por exemplo, e temos o objetivo de seguir expandido para outros locais a presença desse produto.
Revista Caminhoneiro - O sistema e-Sys é destacado como o primeiro eixo elétrico auxiliar regenerativo em produção na América Latina. Poderia explicar como essa tecnologia funciona e quais são os principais benefícios para os veículos de carga?
Ricardo Barion - O e-Sys é um sistema de tração elétrica auxiliar, de perfil inovador e disruptivo, com tecnologia avançada de padrão global. É um conjunto eletromecânico que busca solucionar um dos principais desafios para a eletrificação de veículos pesados, que é o tempo necessário para carregar o veículo e a falta de infraestrutura nas rodovias para tal. Por meio de um algoritmo inteligente, a solução faz com que o próprio motor passe a trabalhar também como um gerador de energia. Formado por um motor elétrico acoplado em um eixo de tração auxiliar, um inversor de frequência, um pack de baterias e uma unidade de controle eletrônico energia gerada durante as frenagens e descidas do veículo, a fim de aplicá-la durante as subidas. Dependendo da aplicação, das condições da rodovia e do tipo de carga transportada, o sistema gera uma economia de combustível de até 20%, reduzindo, por sua vez, as emissões de gases de efeito estufa e propiciando, também, menor desgaste dos componentes.
Revista Caminhoneiro - Quais são os diferenciais tecnológicos da Suspensys em relação à concorrência, especialmente no que tange à automação e segurança na produção de baterias e sistemas de tração elétrica?
Ricardo Barion - Entre os diferenciais da empresa no mercado, está a proximidade com nossos clientes e o desenvolvimento de soluções customizadas e adequadas para as necessidades específicas, com foco prioritário na segurança dos componentes e na alta tecnologia empregada. Essa nossa expertise é que nos faz líder nos segmentos que atuamos, e que nos permitiu alcançar relevantes projetos e nomeações junto às montadoras. Cito dois exemplos práticos dessa nossa característica: a presença consórcio modular da Volkswagen Caminhões e Ônibus, com a nossa operação dedicada de fabricação em Resende (RJ) e a conquista do fornecimento dos eixos dianteiros para a linha de caminhões da Mercedes-Benz, que se traduz no investimento em uma nova planta em Mogi Guaçu, já nas fases iniciais de produção. Além disso, investimos numa unidade de produção dedicada para tecnologias de eletromobilidade, instalada na sede da Suspensys, em Caxias do Sul (RS), estruturada inclusive para a montagem e produção de baterias.
Revista Caminhoneiro - Há planos para desenvolver soluções específicas de eletromobilidade para diferentes tipos de caminhões, como os de longa distância versus os urbanos?
Ricardo Barion - Estamos trabalhando para que tenhamos essa opção, um caminhão híbrido, isto é, à combustão com eixo elétrico. E isso pode gerar uma redução de combustível de, por exemplo, até 12% em média, dependendo da aplicação. Se trata do primeiro caminhão conceito híbrido no mercado nacional, liderado pela Volkswagen Caminhões e Ônibus. O VW Meteor Hybrid conta com sistema de tração inteligente, feito sob medida para a infraestrutura brasileira. Maximiza a performance e proporcionando benefícios significativos de tempo de viagem, economia de combustível e desgaste do sistema de freio. Possibilita, ainda, aos transportadores e embarcadores, ganhos expressivos de descarbonização aliados às metas ESG.
Revista Caminhoneiro - Quais são os principais desafios que a Suspensys enfrenta na implementação de tecnologias de eletromobilidade em larga escala?
Ricardo Barion - Quando falamos propriamente do e-Sys, sabemos que tem componentes que são desafiadores em qualquer produto elétrico como, por exemplo, baterias. Nossa planta dedicada em Caxias do Sul nos dá agilidade no mercado nacional na montagem e produção própria das baterias usadas no sistema. No passado, de forma geral no setor automotivo, o elétrico não teve uma aceleração maior, uma introdução mais rápida no mercado, justamente porque uma das dificuldades é a escala de produção e uso da bateria. Tudo está ficando, de alguma forma, mais facilitado com a entrada ou a aceleração da eletrificação dos veículos leves. Acreditamos que, com a aceleração do mercado, conhecendo um pouco mais essa tecnologia, com a facilidade de compra, redução de custo dos fornecedores, toda essa conjunção, vai nos ajudar no futuro a tornar esse produto mais viável no mercado.
Revista Caminhoneiro - Como a Suspensys contribui para as metas de sustentabilidade da Randoncorp?
Ricardo Barion - A contribuição da Suspensys se dá, justamente, pelo investimento em soluções para a eletromobilidade, como o e-Sys. Componente que surge, desde a sua concepção, com os princípios da sustentabilidade associados ao seu objetivo central. Ao possibilitar a hibridização de um veículo e, consequente redução do consumo de combustível, essa solução inovadora colabora diretamente na descarbonização do meio ambiente. A Randoncorp trilha uma jornada de cálculo da pegada de carbono de diferentes produtos, de diversas das suas unidades de negócios, com principal objetivo de reduzir as emissões de gases do efeito estufa ao longo do ciclo de vida do produto – desde a extração da matéria-prima até seu descarte final. Entre os projetos em andamento está o do e-Sys.
Revista Caminhoneiro - Para os caminhoneiros que estão na estrada diariamente, como as inovações da Suspensys, como o e-Sys, impactam diretamente no seu dia a dia?
Ricardo Barion - Entendo que, nesse primeiro momento, o e-Sys vai ser mais voltado para os frotistas que estão engajados em uma responsabilidade social, ambiental e de governança. E o caminhoneiro naturalmente vai começar a tomar conhecimento disso quando estiver rodando. A partir do momento que está rodando e que você precisa de alguma forma abastecer eletricamente um produto, isso obviamente vai começar a chamar atenção nas estradas. Os caminhoneiros hoje estão cada vez mais exigentes em termos de conforto, em termos de jornada e de facilidade e resultado operacional. Então, acho que todas essas tecnologias que agregam valor ao caminhoneiro são interessantes e fazem com que ele comece a prestar atenção.
Revista Caminhoneiro - O executivo é um profundo conhecedor do setor de caminhões, com uma trajetória consolidada nesse segmento. De que maneira essa bagagem profissional agrega valor ao seu novo papel como diretor Executivo da Suspensys e como ela influencia a visão estratégica da empresa para o futuro da eletromobilidade?
Ricardo Barion - Fiquei 26 anos na indústria, 18 de Volkswagen e quase nove de Iveco. Lá, a gente olhava para o cliente e para a melhor solução. O tempo todo a gente olhava para tecnologia, para valor agregado ao produto. Saí e fui para o outro lado, que é o lado do cliente, da concessionária e da locação. Três visões diferentes que apenas uma empresa me deu. O lado do cliente é olhar se realmente o que a montadora me oferecia era o que eu precisava ou se eu precisava de alguma coisa a mais. Se o que ela me oferecia de tecnologia era aquilo que eu precisava ou se eu não precisava daquilo. Ao mesmo tempo, do lado da operação para cada tecnologia. Hoje sou fornecedor de uma montadora. Então, minha visão como Suspensys é liderar nosso time para desenvolver produtos inovadores e estar próximo do cliente. É saber das tecnologias adequadas para o mercado, trazer tecnologias que se adequem a operação no Brasil e isso eu conheço muito bem. Participei de longos anos de desenvolvimento de produto, sei como uma montadora pensa, como exige em termos de produtos no mercado final para o cliente final.
Revista Caminhoneiro - A eletrificação do transporte pesado ainda enfrenta desafios relacionados à autonomia e infraestrutura de recarga. Como a Suspensys enxerga essas barreiras e de que forma suas soluções podem ajudar a mitigá-las?
Ricardo Barion - Existe uma dificuldade porque as cidades não foram preparadas e desenvolvidas com a infraestrutura necessária para 100% de eletrificação. Como é que você vence autonomia? Ou você encurta as distâncias ou aumenta a carga que você precisa ter, só que sempre falamos que precisávamos fazer produtos mais leves para levar mais carga. Então, assim, essa é uma balança de equalização. Longas distâncias ficam mais impactadas com caminhões elétricos porque normalmente você não vai ter capacidade de autonomia necessária para o que ele precisa. A lógica hoje do elétrico, quando você começa a balancear a carga útil que leva no produto versus a capacidade de autonomia, é um balanço que você tem que fazer para a aplicação do cliente. Por isso que, no caso do e-Sys, um exemplo, não é apenas vender para qualquer aplicação. Ele tem uma quantidade de autonomia necessária que exige a recarga. Em alguns momentos, a volta terá que ter recarga para que ele retorne fazendo efeito também. Não é um produto para ser aplicado a longas distâncias por conta da carga da bateria, assim como todo e qualquer caminhão elétrico.
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