Fabricante indiana inicia compra formal das ações da Iveco; negócio, se concluído, deve criar grupo com mais de 590 mil veículos vendidos por ano
A Tata Motors deu o passo mais concreto até agora na aquisição da Iveco Group. A partir de 7 de setembro, a fabricante indiana começou a comprar formalmente as ações ordinárias da companhia italiana (o tipo de ação que dá direito a voto nas decisões da empresa), numa oferta pública voluntária que vai até 26 de outubro de 2026. Trata-se de uma OPA, sigla para oferta pública de aquisição: um processo em que uma empresa se propõe a comprar as ações de outra diretamente dos acionistas, mediante pagamento em dinheiro.
O preço oferecido é de 14,10 euros em dinheiro por ação, o que avalia a operação em aproximadamente 3,82 bilhões de euros. A compra é feita pela TML CV Holdings B.V., uma subsidiária criada pela Tata Motors especificamente para conduzir a transação.
Conselho da Iveco e maior acionista já apoiam a operação
O Conselho de Administração da Iveco aprovou a oferta por unanimidade e recomenda aos acionistas que aceitem vender suas ações. A companhia também vai realizar uma Assembleia Geral Extraordinária em 16 de outubro para votar deliberações ligadas ao processo.
A Exor, holding da família Agnelli e principal acionista da Iveco, já se comprometeu formalmente a vender sua participação na oferta. A Exor detém cerca de 27,06% das ações ordinárias da companhia e 43,19% dos direitos de voto, o poder de decisão em assembleias que nem sempre é proporcional à fatia de ações que cada acionista possui.
Um acordo que começou em 2025 e passou por outra venda antes
Esta oferta é o desdobramento de um acordo já anunciado. Em agosto de 2025, a Tata Motors confirmou que compraria o negócio de veículos comerciais da Iveco, caminhões, ônibus e motores, por valor semelhante ao agora oficializado, mantendo fábricas e empregos, inclusive no Brasil e na Argentina.
Entre o anúncio e o início da oferta, a Iveco concluiu outra etapa que era pré-condição do negócio: a venda de sua divisão de defesa para a Leonardo, fabricante italiana do setor. Essa venda, que não faz parte da operação com a Tata Motors, teve suas condições cumpridas em março de 2026 e abriu caminho para a Tata avançar com a compra do negócio civil da Iveco.
Escala global e presença mais espalhada pelo mundo
Se a operação for concluída, Tata Motors e Iveco vão formar um grupo com vendas superiores a 590 mil veículos comerciais por ano e receita combinada de cerca de 21 bilhões de euros. Dessa receita, 46% vêm da Europa, 32% da Índia, 8% da América do Sul e 14% do restante do mundo.
Segundo as duas empresas, a vantagem da junção está na baixa sobreposição entre os mercados onde cada uma é forte, o que amplia a presença geográfica combinada em vez de concentrar operação nas mesmas regiões. A expectativa das companhias é ganhar musculatura para investir em novas tecnologias e em soluções voltadas à sustentabilidade, além de fortalecer a FPT, braço da Iveco responsável por motores e sistemas de propulsão.
Executivos afirmam que estratégia da Iveco será mantida
Girish Wagh, Managing Director e CEO da Tata Motors, disse que o início da oferta representa uma etapa importante na aproximação entre as duas empresas.
"Combinando os respectivos pontos fortes, competências e presença no mercado, temos a oportunidade de criar uma empresa de veículos comerciais mais sólida e competitiva globalmente, mais bem posicionada para atender aos clientes, investir nas tecnologias do futuro e gerar valor sustentável", afirmou.
Wagh também comentou a trajetória da companhia italiana:
"Temos profundo respeito pela história da Iveco Group, por seus profissionais e por suas marcas, e estamos satisfeitos em poder apoiar seu caminho de crescimento e sucesso."
Olof Persson, CEO da Iveco Group, destacou o potencial de crescimento com a união. Segundo ele, a maior escala e a ampliação da presença mundial poderão acelerar investimentos e a inovação.
"Como parte de uma nova e importante organização global no setor de veículos comerciais, poderemos obter vantagens significativas de uma maior dimensão e presença global, acelerar a inovação e disponibilizar aos clientes de todo o mundo um número ainda maior de produtos líderes do setor", disse.
Negócio ainda depende de adesão mínima de acionistas
A conclusão da oferta está condicionada à adesão de pelo menos 95% das ações ordinárias da Iveco. Esse porcentual pode cair automaticamente para 80% caso os acionistas aprovem, na assembleia de 16 de outubro, uma resolução específica prevista para esse cenário.
As aprovações prévias necessárias para a operação, incluindo as de órgãos antitruste (que fiscalizam se a fusão prejudica a concorrência no mercado) e de investimento estrangeiro, já foram obtidas. Falta agora o resultado da adesão dos acionistas dentro do prazo.
Até que a oferta seja concluída, Tata Motors e Iveco Group continuam operando como empresas independentes. Para o setor de transporte, o desfecho deve definir nos próximos meses como ficará a estrutura de fábricas, rede de concessionárias e portfólio de caminhões da Iveco no Brasil e na América do Sul, hoje sob a marca que lidera o mercado de caminhões na Argentina e mantém fábrica em Sete Lagoas (MG).
Foto: divulgação
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