A produção de caminhões registrou, em novembro de 2025, a quarta queda consecutiva, segundo dados divulgados pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). No mês, foram fabricadas 9,6 mil unidades, volume inferior às 10,2 mil produzidas em outubro, o que representa retração de 5,5%. A comparação com novembro de 2024 reforça a gravidade do momento: a queda atinge 27,1%, evidenciando o enfraquecimento contínuo do segmento ao longo do ano.
No acumulado de janeiro a novembro de 2025, a produção somou 118,4 mil caminhões, contra 130,6 mil no mesmo período de 2024 — uma redução de 9,3%. O presidente da Anfavea, Igor Calvet, explica que novembro teve quatro dias úteis a menos, o que impactou diretamente os resultados, mas ressalta que este não é o principal motivo de preocupação.
“Os dias a menos ajudaram a explicar a queda mensal, mas o que realmente me preocupa é a comparação entre novembro de 2025 e novembro do ano passado. A retração é muito mais profunda”, afirmou o executivo.
Calvet destacou ainda que o setor enfrenta uma sequência de quatro meses de recuo, com média mensal de queda em torno de 26%. Ele lembrou que, no início do ano, a projeção da entidade para o desempenho do segmento era de uma redução de aproximadamente 3,1%, baseada em um cenário macroeconômico. No entanto, a realidade já aponta, para o acumulado na produção, para uma retração superior a 9%, quase três vezes acima do previsto.
O mercado interno também refletiu o desaquecimento do setor. Os emplacamentos de caminhões totalizaram 8,9 mil unidades em novembro, abaixo dos 10,7 mil licenciados em outubro, resultando em queda de 16,3%. Na comparação com novembro de 2024, o recuo foi de 12,3%. De janeiro a novembro, foram emplacadas 103,7 mil unidades, frente a 113,5 mil no mesmo intervalo de 2024 — retração acumulada de 8,7%.
As exportações, por sua vez, tiveram comportamento misto. Em novembro, houve queda de 9,1% em relação a outubro. Porém, quando comparado ao mesmo mês do ano passado, o setor registrou alta: foram embarcadas 2,1 mil unidades, contra 2,0 mil em 2024, crescimento de 8,8%. No acumulado anual, o desempenho é expressivo: 26,1 mil caminhões exportados, frente a 15,8 mil no mesmo período de 2024 — um avanço robusto de 65%, demonstrando que o mercado externo tem sido um importante amortecedor diante da desaceleração interna.
Foto: divulgação
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