Produção cresceu 16,6% na comparação com agosto de 2025, enquanto emplacamentos avançaram 12,3%; exportações, porém, recuaram 20,6% na mesma base de comparação
A indústria brasileira de caminhões apresentou resultados distintos em agosto de 2026. Os dados divulgados pela Anfavea mostram crescimento da produção e dos emplacamentos na comparação com o mesmo mês do ano passado, mas o desempenho acumulado de janeiro a agosto ainda permanece abaixo de 2025.
Em agosto, foram produzidos 11,8 mil caminhões, volume 2,8% menor que as 12,1 mil unidades fabricadas em julho. Na comparação com agosto de 2025, quando saíram das linhas de montagem 10,1 mil veículos, no entanto, houve crescimento de 16,6%.
Apesar da recuperação observada na comparação anual, o resultado acumulado ainda é negativo. Entre janeiro e agosto de 2026, foram produzidos 80,7 mil caminhões, contra 88,5 mil no mesmo período do ano passado, o que representa queda de 8,9%.
Segundo Igor Calvet, presidente executivo da Anfavea, a trajetória negativa observada no acumulado vem perdendo intensidade. “Antes estávamos em um abismo e agora estamos em uma situação ruim. O Move Brasil ajudou a reduzir essa queda.”
Calvet destacou que tanto o Move Brasil 1 quanto o Move Brasil 2 exigiram um trabalho intenso da Anfavea, sobretudo a primeira fase do programa. “O Move 1, em função das novas taxas de juros, facilitou muito o acesso ao crédito. Chegou a funcionar, sim, e a demanda cresceu. Com isso, o mercado começou a cair menos.”
Segundo o presidente, os recursos destinados ao Move Brasil 2 também já foram integralmente utilizados. “Agora, o Move 2 já acabou. Todo o dinheiro disponível foi utilizado.”
Emplacamentos recuam frente a julho
No mercado interno, agosto terminou com 10 mil caminhões emplacados, ante 11,6 mil unidades em julho, uma retração de 14,1% de um mês para o outro.
Já na comparação com agosto de 2025, quando foram registrados 8,9 mil caminhões, o desempenho foi positivo, com alta de 12,3%.
No acumulado dos oito primeiros meses do ano, os emplacamentos chegaram a 70,7 mil unidades, abaixo das 74,3 mil registradas entre janeiro e agosto de 2025. A diferença representa uma queda de 4,9%.
Exportações avançam no mês, mas caem no ano
As exportações de caminhões somaram 2,2 mil unidades em agosto, crescimento de 3,9% em relação às 2,1 mil unidades embarcadas em julho.
Na comparação anual, porém, o cenário é inverso. Em agosto de 2025, o Brasil havia exportado 2,8 mil caminhões. Com isso, o resultado de agosto deste ano representa uma queda de 20,6%.
O desempenho negativo também aparece no acumulado. De janeiro a agosto de 2026, foram exportados 15 mil caminhões, contra 19 mil unidades no mesmo período de 2025, uma retração de 21%.
Os números mostram, portanto, que agosto trouxe sinais positivos na comparação anual para a produção e os emplacamentos, mas o setor ainda carrega resultados negativos no acumulado de 2026, principalmente nas exportações, que apresentam a maior retração entre os três indicadores.
Foto: divulgação
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