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Caminhões reagem em julho, mas acumulado segue em queda

Por Graziela Potenza em 07/08/2026 às 12:03
Caminhões reagem em julho, mas acumulado segue em queda

Emplacamentos avançam 19,4% e produção cresce 11,2% na comparação com junho. Apesar da melhora mensal, emplacamentos, produção e exportações continuam negativas no acumulado de 2026

O mercado brasileiro de caminhões apresentou sinais de recuperação em julho, mas os resultados acumulados de 2026 ainda mostram um cenário de retração. Dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) apontam crescimento mensal nos emplacamentos, na produção e nas exportações, embora os três indicadores permaneçam abaixo dos volumes registrados nos primeiros sete meses do ano passado.

Os emplacamentos chegaram a 11,7 mil caminhões em julho, avanço de 19,4% sobre as 9,8 mil unidades registradas em junho. Na comparação com julho de 2025, quando foram licenciados 10,6 mil veículos, houve crescimento de 10,0%.

Apesar da reação, o acumulado do ano continua negativo. De janeiro a julho de 2026, foram emplacados 60,6 mil caminhões, contra 65,3 mil no mesmo período de 2025, o que representa queda de 7,2%.

Produção avança no mês

A produção também mostrou recuperação em julho. As fábricas brasileiras produziram 12,1 mil caminhões, diante de 10,9 mil unidades em junho, uma alta de 11,2%.

Em relação a julho de 2025, o crescimento foi de 0,4%. Nos dois períodos, os volumes aparecem arredondados em 12,1 mil unidades nos dados divulgados pela Anfavea.

No acumulado, entretanto, a indústria ainda registra retração. Entre janeiro e julho deste ano, foram produzidos 68,9 mil caminhões, ante 78,4 mil unidades no mesmo intervalo de 2025, queda de 12,1%.

Exportações também recuam no ano

Os embarques ao exterior somaram 2,3 mil caminhões em julho, crescimento de 8,7%em relação às 2,1 mil unidades exportadas em junho.

Na comparação anual, porém, o resultado foi negativo. Em julho de 2025, o Brasil havia exportado 2,8 mil caminhões, o que significa uma retração de 17,9% neste ano.

De janeiro a julho de 2026, as exportações chegaram a 13,5 mil unidades, contra 16,2 mil no mesmo período do ano passado, redução de 16,5%.

Recuperação ainda é insuficiente

Ao comentar o desempenho dos caminhões, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, destacou que a situação do segmento melhorou em relação ao início do ano, quando o mercado apresentava quedas mais acentuadas. Mesmo assim, os volumes acumulados continuam abaixo do esperado.

Entre os fatores que ainda pressionam o setor estão os juros elevados, que dificultam o financiamento dos veículos, além do aumento dos custos enfrentados pelos transportadores, incluindo combustível e despesas logísticas. Calvet também chamou a atenção para a pressão sobre as margens de produtores rurais, que representam uma parcela importante dos compradores de caminhões.

Segundo o presidente da entidade, a redução gradual das quedas mostra uma melhora em relação ao cenário observado no começo de 2026, mas ainda não representa uma recuperação completa do mercado.

Calvet também relacionou parte do avanço recente dos emplacamentos aos resultados do Move Brasil 2, programa criado para estimular a renovação da frota por meio de condições diferenciadas de financiamento. Com o encerramento dos efeitos desses recursos, a expectativa é de que o ritmo dos emplacamentos possa novamente perder força.

Foto: divulgação

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