Linha Mais Mobilidade já consumiu 95% dos recursos disponíveis e segue aberta para novas operações até 28 de agosto
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou R$ 20 bilhões em financiamentos aprovados pelo programa BNDES Mais Mobilidade. A linha de crédito é voltada à renovação da frota de veículos pesados e à modernização do transporte rodoviário e urbano de cargas e passageiros.
O valor já representa 95% da dotação orçamentária da linha, estimada em R$ 21 bilhões. Dotação orçamentária, em termos simples, é o total de dinheiro reservado para aquele programa.
O BNDES Mais Mobilidade financia a compra de caminhões, caminhões-tratores, ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários. Os implementos são equipamentos como semirreboques, reboques e carrocerias usados no transporte de cargas.
Linha busca modernizar a frota
A proposta do programa é facilitar a troca de veículos antigos por modelos mais novos. Essa renovação pode trazer ganhos em segurança, redução de emissões, menor custo de manutenção e mais eficiência na operação.
Segundo Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, o banco tem respondido com rapidez à demanda de modernização da frota de caminhões e ônibus.
“O BNDES tem respondido com rapidez à demanda de modernização da frota de caminhões e ônibus. Chegamos a aprovar quase 1.400 operações por dia, atendendo frotistas e motoristas autônomos de todo país com condições de crédito facilitadas”, afirma.
De acordo com Mercadante, a linha permite a troca de veículos antigos por uma frota mais segura e menos poluente, além de ajudar a reduzir o custo logístico e impulsionar a indústria nacional.
Mais de 19 mil operações aprovadas
Até agora, o BNDES Mais Mobilidade soma mais de 19 mil operações aprovadas, com tíquete médio de R$ 1 milhão por operação.
Tíquete médio é o valor médio de cada financiamento aprovado. Ou seja, ao dividir o volume total de recursos pelo número de operações, chega-se a uma média próxima de R$ 1 milhão por contrato.
O programa já atendeu beneficiários em 1.966 municípios de todas as regiões do País.
Podem solicitar o financiamento transportadores autônomos de cargas, pessoas físicas associadas a cooperativas, empresários individuais e empresas do setor de transporte rodoviário ou urbano de cargas e passageiros.
Pessoa física é o cliente que compra em seu próprio nome. Pessoa jurídica é a empresa, como uma transportadora ou operadora de ônibus. Já o empresário individual é quem possui CNPJ, mas atua como titular único do negócio.
Frotistas concentram maior parte dos recursos
A maior parte dos recursos aprovados foi destinada aos frotistas. Frotistas são empresas ou operadores que possuem e administram uma frota de veículos.
Segundo os dados divulgados, esse grupo respondeu por R$ 19,1 bilhões em cerca de 17,2 mil operações. Desse total, R$ 2 bilhões foram destinados à aquisição de ônibus.
Também foram aprovados R$ 900 milhões para transportadores autônomos, em 2,1 mil operações.
Esse recorte é importante porque mostra que, embora as empresas concentrem a maior parte dos recursos, os autônomos também estão acessando a linha de crédito.
Como o financiamento é solicitado
Os financiamentos são feitos por meio da rede de agentes financeiros parceiros do BNDES. Na prática, o transportador não contrata diretamente com o BNDES na maior parte das operações.
O interessado deve procurar o gerente da instituição financeira da qual já é cliente e perguntar pelo programa BNDES Mais Mobilidade. O banco ou agente financeiro informa a documentação necessária, analisa a possibilidade de concessão do crédito e negocia as garantias.
Depois da aprovação pelo agente financeiro, a operação é encaminhada para homologação do BNDES e, em seguida, para liberação dos recursos.
Segundo o BNDES, os agentes financeiros parceiros atendem 94% do território nacional.
Prazo vai até 28 de agosto
O prazo para protocolo das operações no sistema do BNDES vai até 28 de agosto de 2026.
A página oficial do programa informa que a vigência da linha vai até essa data. Por isso, transportadoras, operadores de ônibus e caminhoneiros autônomos interessados precisam avaliar a operação com antecedência.
Como a linha já alcançou 95% dos recursos disponíveis, o tempo e a disponibilidade de verba passam a ser pontos de atenção para quem ainda pretende buscar financiamento.
Prazos de pagamento variam conforme o perfil
As condições de pagamento dependem do tipo de cliente e da operação.
Para transportador autônomo de cargas e pessoas físicas associadas a cooperativas de transporte rodoviário de cargas, o prazo pode chegar a até 120 meses, incluindo até 12 meses de carência.
Carência é o período inicial em que o cliente ainda não começa a pagar a parte principal do financiamento. Em outras palavras, é um prazo de respiro antes do início das parcelas mais pesadas.
Para empresários individuais e pessoas jurídicas do setor de transporte rodoviário ou urbano de cargas, o prazo pode chegar a até 60 meses, com até seis meses de carência.
No caso do transporte de passageiros, o prazo pode chegar a até 120 meses, com até seis meses de carência.
O que o transportador deve avaliar
Apesar das condições facilitadas, a decisão de renovar a frota precisa ser feita com planejamento.
Antes de contratar o financiamento, o transportador deve calcular o valor das parcelas, a entrada, o custo do seguro, a manutenção, o consumo, a demanda de fretes ou contratos e a capacidade real de pagamento.
Para o caminhoneiro autônomo, esse cuidado é ainda mais importante. Um caminhão mais novo pode reduzir custos e aumentar a produtividade, mas o financiamento precisa caber na realidade da operação.
A renovação da frota pode trazer benefícios para o transporte, para a segurança nas estradas e para o meio ambiente. Mas, para quem vive da estrada, a conta precisa fechar no dia a dia.
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