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Aprovação ambiental de caminhões chega a 98,3% em São Paulo

Por Equipe RC em 20/07/2026 às 16:47
Aprovação ambiental de caminhões chega a 98,3% em São Paulo

Programa Despoluir ampliou atendimentos no transporte de cargas e reforça a importância da manutenção preventiva da frota

O Programa Despoluir registrou crescimento no número de avaliações ambientais realizadas em caminhões no Estado de São Paulo. Segundo levantamento da FETCESP, responsável pela execução do programa no estado, foram feitas 6.561 avaliações no transporte rodoviário de cargas no primeiro semestre de 2026.

O volume representa alta de aproximadamente 35% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registrados 4.853 atendimentos.

Criado pelo Sistema Transporte, formado pela CNT, pelo SEST SENAT e pelo Instituto de Transporte e Logística (ITL), o Despoluir realiza gratuitamente a medição da emissão de fumaça preta em veículos movidos a diesel.

Na prática, o programa verifica se o caminhão está emitindo fumaça dentro dos limites adequados. Para isso, são usados equipamentos que medem a opacidade dos gases que saem pelo escapamento. A opacidade indica o quanto a fumaça está escura ou densa. Quanto maior esse índice, maior pode ser o sinal de falhas na queima do diesel ou na manutenção do motor.

Aprovação segue em nível elevado

Os dados da FETCESP mostram que os caminhões avaliados em São Paulo mantêm alto índice de conformidade ambiental. A taxa de aprovação passou de 97,9% em 2022 para 99,2% em 2025. No primeiro semestre de 2026, o índice ficou em 98,3%.

Também houve melhora na média de opacidade das emissões ao longo dos últimos anos. O indicador era de 0,233 em 2022, caiu para 0,129 em 2025 e ficou em 0,157 no primeiro semestre de 2026.

A redução desse número indica menor emissão de fumaça preta e melhor desempenho ambiental da frota avaliada. Para o caminhoneiro e para a transportadora, esse resultado também pode estar ligado a manutenção em dia, melhor funcionamento do motor e maior controle sobre o consumo de combustível.

Manutenção entra no centro da gestão da frota

Para o presidente da FETCESP, Carlos Panzan, os resultados mostram que as transportadoras passaram a usar as avaliações ambientais também como ferramenta de gestão da frota.

Segundo ele, o teste deixou de servir apenas para verificar se o veículo está dentro dos limites de emissão. Agora, também ajuda a identificar problemas que podem afetar o desempenho do caminhão.

“Observamos uma mudança importante no comportamento das transportadoras. As avaliações deixaram de ser utilizadas apenas para verificar o atendimento aos limites de emissão e passaram a funcionar como instrumento de acompanhamento da manutenção”, afirma Panzan.

De acordo com o presidente da FETCESP, o diagnóstico pode apontar antecipadamente falhas no sistema de injeção, nos filtros, na regulagem do motor e em outros componentes que interferem tanto nas emissões quanto no desempenho do veículo.

Caminhão novo também precisa de acompanhamento

Segundo Flávio Teixeira, coordenador do Programa Despoluir no Estado de São Paulo, o alto índice de aprovação é resultado de uma combinação entre renovação da frota, manutenção preventiva e conscientização das empresas.

Ele explica que caminhões mais novos contam com tecnologias mais avançadas de controle de emissões, mas isso não elimina a necessidade de acompanhamento técnico.

“Mesmo um veículo relativamente novo pode apresentar emissões acima do esperado quando existem falhas de manutenção. Da mesma forma, caminhões com mais tempo de uso podem permanecer dentro dos limites quando recebem acompanhamento adequado”, afirma.

Para Flávio, renovação, manutenção e conscientização precisam caminhar juntas. Ou seja, trocar o caminhão ajuda, mas manter o veículo bem cuidado continua sendo essencial durante toda a vida útil.

Entre os veículos atendidos pelo Despoluir em São Paulo, a idade média ficou entre sete e oito anos. O dado mostra que parte das empresas participantes mantém um processo de renovação, embora caminhões mais antigos ainda sigam em operação em diferentes segmentos do transporte.

Diagnóstico ajuda a reduzir custos

Além do controle ambiental, o Despoluir também pode ajudar transportadoras e motoristas a acompanhar melhor a saúde mecânica do caminhão.

Segundo Flávio Teixeira, o programa oferece um diagnóstico técnico que contribui para reduzir emissões, melhorar o consumo de combustível, aumentar a confiabilidade dos veículos e evitar gastos maiores com manutenção corretiva.

A manutenção corretiva é aquela feita depois que o problema já apareceu. Em muitos casos, ela é mais cara e pode deixar o caminhão parado. Já a manutenção preventiva busca identificar falhas antes que elas causem prejuízo maior.

Para quem trabalha com transporte de cargas, esse cuidado faz diferença. Caminhão parado representa perda de produtividade, atraso na operação e aumento de custos.

Renovação de frota ainda é desafio

Apesar dos bons resultados entre as empresas atendidas pelo programa, a FETCESP afirma que a permanência de veículos antigos ainda é um desafio, principalmente entre transportadores com menor capacidade de investimento.

Pequenas e médias transportadoras e caminhoneiros autônomos enfrentam mais dificuldade para renovar a frota. Entre os principais obstáculos estão o preço dos veículos novos, as exigências de garantias e o custo dos financiamentos.

Para Panzan, o avanço ambiental precisa vir acompanhado de uma política nacional de renovação de frota, com crédito acessível, juros competitivos e prazos compatíveis com a realidade do transporte.

Segundo ele, a modernização da frota deve ser tratada como uma política ligada à eficiência econômica, à segurança viária e à redução de emissões.

Meio ambiente e eficiência andam juntos

Os números do Despoluir em São Paulo mostram que controle ambiental e eficiência operacional podem caminhar juntos. Quando o caminhão emite menos fumaça, isso pode indicar motor mais bem regulado, manutenção mais cuidadosa e melhor aproveitamento do combustível.

Para o caminhoneiro, a lição é direta: fumaça preta não é apenas um problema ambiental. Ela também pode ser sinal de desperdício, falha mecânica e custo maior na estrada.

Com mais avaliações, maior conscientização e manutenção preventiva, o transporte rodoviário de cargas avança em uma direção importante: reduzir emissões, preservar o equipamento e melhorar a eficiência da operação.

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