Com custos em alta, empresas buscam tecnologia, gestão de combustível e mais eficiência para manter a operação equilibrada
O frete rodoviário de cargas acumulou alta de 16,8% nos últimos 12 meses, segundo o Índice Frete.com de Preços (IFP). O movimento reflete a pressão dos custos operacionais sobre as transportadoras brasileiras.
Na prática, isso significa que transportar cargas ficou mais caro. Diesel, manutenção, pneus, peças, mão de obra e outras despesas da operação continuam pesando no caixa das empresas.
Em abril, os veículos baú registraram o maior valor médio entre os tipos de carroceria acompanhados pelo índice, chegando a R$ 0,677 por tonelada/km rodado. Esse indicador mostra o valor médio cobrado para transportar uma tonelada de carga por um quilômetro.
O levantamento também aponta diferenças regionais. O Sudeste teve o maior valor médio de frete em abril, com R$ 0,472 por tonelada/km rodado. O resultado está ligado ao alto volume de operações, à concentração industrial e à forte demanda logística na região.
Alta do frete não significa ganho automático
Para José Alberto Panzan, diretor da Anacirema Transportes e vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transportes e Cargas de Campinas e Região (SINDICAMP), a alta no preço do frete mostra uma realidade já conhecida pelo setor: o transporte rodoviário opera sob forte pressão de custos.
Segundo ele, o aumento do frete não representa, necessariamente, mais lucro para as transportadoras. Em muitos casos, o reajuste serve apenas para recompor despesas que cresceram de forma significativa nos últimos anos.
“Esse aumento revela uma realidade que o setor já vem enfrentando há bastante tempo: o transporte rodoviário opera sob forte pressão de custos e, em muitos casos, com margens cada vez mais estreitas”, afirma Panzan.
De acordo com o executivo, o transporte é um dos pilares da economia brasileira e precisa de remuneração compatível com a complexidade, os riscos e os custos da atividade.
Custos pressionam a operação
O diesel continua entre os principais fatores de impacto para o transporte rodoviário de cargas. Como o combustível representa uma parcela importante do custo de cada viagem, qualquer variação no preço afeta diretamente a formação do frete.
Além dele, outros itens também pesam na conta, como manutenção, pneus, peças, seguros, salários, pedágios e estrutura operacional.
Esse conjunto de despesas obriga as empresas a buscar alternativas para manter a qualidade do serviço sem comprometer a saúde financeira da operação.
Na Anacirema, segundo Panzan, os investimentos têm sido direcionados para tecnologia, gestão de dados e produtividade operacional.
“Trabalhamos com processos cada vez mais automatizados, monitoramento em tempo real das operações, gestão rigorosa de combustível e manutenção, além de uma forte cultura de melhoria contínua”, explica.
Em termos simples, eficiência operacional significa fazer a operação rodar melhor, com menos desperdício, mais controle e melhor uso dos recursos disponíveis.
Repassar custos ainda é desafio
Mesmo com a alta dos custos, muitas transportadoras encontram dificuldade para repassar esses aumentos ao mercado.
Em um ambiente de forte concorrência, nem sempre é possível reajustar o frete na mesma velocidade em que sobem as despesas. Com isso, as empresas acabam trabalhando com margens menores.
Quando o custo aumenta e o valor do frete não acompanha, a transportadora começa a perder capacidade de investimento. Primeiro, reduz a margem. Depois, pode adiar a renovação da frota, a compra de tecnologia, a ampliação da estrutura e até melhorias na manutenção.
No limite, esse desequilíbrio pode comprometer a qualidade do serviço, a capacidade de crescimento e a continuidade da operação.
“Quando os custos aumentam e não são repassados adequadamente, a consequência é a deterioração gradual da saúde financeira das empresas”, afirma Panzan.
Relações de longo prazo ajudam na previsibilidade
Para enfrentar esse cenário, o executivo defende relações mais estáveis entre transportadoras, clientes e fornecedores.
Segundo ele, parcerias de longo prazo ajudam a criar previsibilidade. Ou seja, permitem que as empresas planejem melhor seus custos, negociem de forma mais equilibrada e construam soluções sustentáveis para todos os lados da cadeia logística.
Esse ponto é importante porque o transporte rodoviário não funciona de forma isolada. Quando o frete fica desequilibrado, os efeitos podem chegar à indústria, ao comércio, ao produtor rural e, no fim da cadeia, ao consumidor.
Frete precisa cobrir a realidade da operação
A alta do frete rodoviário mostra que o transporte está tentando acompanhar uma estrutura de custos cada vez mais pesada.
Para as transportadoras, o desafio é manter a competitividade sem comprometer a sustentabilidade financeira do negócio. Para os embarcadores, a questão é entender que o frete precisa cobrir uma operação complexa, que envolve frota, motoristas, combustível, manutenção, tecnologia, segurança e cumprimento de prazos.
Em um setor essencial para o abastecimento do País, equilíbrio econômico não é apenas uma necessidade das empresas de transporte. É uma condição para manter a cadeia produtiva funcionando com regularidade, segurança e eficiência.
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