A concessionária Codema, da Scania, em Guarulhos (SP), recebeu no último domingo (08/02) o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, para um evento de balanço do Programa Move Brasil — iniciativa do governo federal voltada à modernização da frota brasileira de caminhões. O encontro reuniu diretores da Scania, representantes do setor de transporte,empresários e clientes beneficiados pela linha de crédito, que disponibiliza R$ 10 bilhões com taxas de juros reduzidas para estimular eficiência logística, segurança e sustentabilidade ambiental.
Durante o discurso, Alckmin destacou que o programa tem papel estratégico para o país ao contribuir para a melhoria da logística nacional e a redução de impactos ambientais, por meio da substituição de veículos antigos por modelos mais modernos e eficientes. Segundo ele, a renovação da frota se torna ainda mais necessária diante do crescimento da produção agrícola e da expectativa de aumento do comércio exterior.
“O Brasil teve um crescimento de 17% na safra agrícola no ano passado, e essa produção precisa ser transportada. Além disso, temos a perspectiva de expansão do comércio exterior com o acordo entre o Mercosul e a União Europeia”, afirmou o vice-presidente.
Alckmin também ressaltou que a redução do custo do crédito é fundamental para destravar investimentos no setor. De acordo com o ministro, por meio do Move Brasil foi possível reduzir a taxa de juros do financiamento para cerca de 13% ao ano, o equivalente a 0,99% ao mês — patamar significativamente inferior ao praticado em linhas tradicionais.
“É preciso baixar juros para ajudar nas vendas de caminhões, e o programa cumpre esse papel”, disse.
Lançado neste ano pelo governo federal, o Move Brasil tem como objetivo estimular a renovação da frota brasileira de caminhões, oferecendo financiamento com condições diferenciadas para caminhoneiros autônomos, cooperativas e empresas de transporte rodoviário de cargas. As operações contemplam veículos que atendam a critérios de sustentabilidade e de conteúdo local. O programa é operado pelo BNDES e conta com recursos do Tesouro Nacional.
Alckmin esclareceu ainda que o programa não possui data limite para encerramento, mas está condicionado ao teto de R$ 10 bilhões em crédito disponível. “Não importa se vai durar alguns meses ou anos, existe um teto, e ele não está em discussão neste momento”, afirmou.
O Move Brasil também busca criar um efeito em cadeia no mercado de transporte: ao facilitar a compra de veículos novos e seminovos — com até 11 ou 12 anos —, estimula a troca de caminhões usados, aquecendo diferentes segmentos do setor.
Entre os empresários presentes estava José Orlando, da Boaventura Transportes, que compartilhou a trajetória da empresa e os impactos do programa na decisão de compra. Segundo ele, a transportadora atua há cerca de 20 anos no mercado, tendo começado como um negócio familiar no transporte para os Correios, passando depois para o setor de medicamentos e, desde 2015, focando no e-commerce.
A expansão da frota ocorreu de forma gradual.
“Começamos com um caminhão em 2006 ou 2007 e fomos comprando outros ao longo do tempo para atender à demanda. Hoje temos 29 veículos na frota”, afirmou Orlando. Com sede em Santa Isabel (SP), a empresa atende diversos segmentos do comércio.
Para o empresário, o Move Brasil “chegou em boa hora”. Ele avalia que o país precisa de incentivos para renovar a frota e que as condições oferecidas pelo programa ajudam a destravar investimentos, especialmente para transportadores de pequeno e médio porte. A empresa adquiriu um caminhão Scania P280 trucado 6x2, que deverá operar na rota São Paulo–Rio de Janeiro.
"Um modelo novo gasta hoje até R$ 200 a menos em combustível em uma viagem daqui para o Rio de Janeiro, por exemplo. A gente busca a renovação de frota e essa taxa de juros é adequada, está dentro do nosso padrão. Conseguimos um bom preço e achamos que era o melhor momento para comprar", contou. A empresa deve contratar mais cinco trabalhadores este ano.
Orlando também destacou o suporte recebido durante o processo de compra, mencionando a cooperação nas etapas de documentação, taxas e o apoio da equipe da concessionária.
Segundo Christopher Podgorski, atual presidente e CEO da Scania Latin America, o programa Move Brasil chega em um momento oportuno. Trata-se de um instrumento importante, muito bem pensado e estruturado, que ajuda a destravar o setor no mercado. O caminhão pesado, por ser um bem de capital, exige previsibilidade e estímulos adequados para impulsionar as decisões de investimento. Com o elevado patamar dos custos financeiros antes do programa, muitos empresários vinham adiando a compra. Agora, a iniciativa já começa a movimentar a economia e a incentivar novos negócios.
Alex Nucci, diretor de Vendas de Soluções da Scania Brasil que “a iniciativa lançada pelo governo para impulsionar a renovação de frota, a Move Brasil, aponta uma grande oportunidade e movimento do mercado, que pode ser muito benéfica para que clientes de pequeno e médio porte renovem suas frotas, e nós estamos prontos para atender essa demanda.”
Mesmo com o estímulo, a expectativa de crescimento do setor permanece moderada, com projeções próximas de 3% ao longo do ano. Ainda assim, o Move Brasil é visto como um instrumento relevante para sustentar o desempenho do transporte rodoviário em um cenário de juros elevados, funcionando como uma ponte até um ambiente de crédito mais favorável.
O evento reforçou a confiança dos transportadores tanto na marca quanto no programa, considerado uma oportunidade estratégica para modernizar a frota, ganhar eficiência operacional e aumentar a competitividade no médio e longo prazo.
O programa
Move Brasil oferece linhas de crédito para a aquisição de caminhões novos e seminovos, desde que tenham sido fabricados a partir de 2012 e cumpram exigências ambientais. O financiamento é viabilizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
No fim de janeiro, a iniciativa Renovação da Frota — que integra o Move Brasil — já havia atendido caminhoneiros autônomos, cooperativas e transportadoras em 532 municípios. Apenas no mês anterior, foram registradas 1.152 operações, com média de R$ 1,1 milhão por contrato.
Ao todo, o programa prevê a liberação de R$ 10 bilhões em crédito, provenientes do Tesouro Nacional e do BNDES. Desse montante, R$ 1 bilhão é destinado exclusivamente a caminhoneiros autônomos e cooperados. As taxas de juros ficam entre 13% e 14% ao ano, com condições mais vantajosas para quem comprovar a entrega de veículos antigos para desmonte.
Cada beneficiário pode financiar até R$ 50 milhões. O prazo máximo para pagamento é de cinco anos, com possibilidade de carência de até seis meses.
Além disso, todas as operações contam com cobertura do Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), que pode garantir até 80% do valor financiado.
Foto: divulgação
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