Revista Caminhoneiro Não foi acidente
Quarta-feira, 23 Maio 2012

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Não foi acidente

publicado em: 01/01/2012

Um pneu estoura, o carro capota, uma pessoa morre. Isso foi um acidente. O freio do carro falha, o motorista atropela e mata uma pessoa. Isso foi um acidente. Um indivíduo passa a noite inteira bebendo para provar "que é macho", esquece os limites de seu corpo, entra no carro, não consegue controlá-lo devido à sua bebedeira e mata uma pessoa. Isso não foi acidente. Isso foi assassinato.

Quando alguém bebe mais do que seu organismo aguenta, assume o volante de um veículo e tira a vida de alguém, ele é um assassino. Doloso, culposo, horroroso, manhoso, artiloso, não importa. Ele matou alguém e deve ir preso.

O problema é que o Código de Trânsito Brasileiro foi relaxado em 2006, e as punições são mínimas. Com isso, o que se viu foi um aumento vertiginoso dos acidentes. E a sensação de impunidade foi aumentada com a Lei 12.403, que permite ao juiz arbitrar fiança para qualquer crime. Isso acaba fazendo a vida valer nada diante de assassinos atrás do volante. Quanto vale uma vida? R$ 300 mil se for esmagada por um Porsche, R$ 245 mil se for queimada depois de atingida por um Camaro, ou nada, apenas medidas cautelares se o assassino for julgado por um juiz benevolente.

E os bêbados ao volante estão matando cada vez mais. Ermínio Pereira, de 52 anos, foi morto ao ser atropelado por Alexandre Felipe Mendes, que aguarda julgamento em liberdade.

Edson Domingues morreu depois de sofrer por cinco dias com 90% do corpo queimado. O carro dele foi atingido pelo Camaro de um moleque de 19 anos, Felipe de Lorena Infante Arenzon, que pagou R$ 245 mil de fiança e foi liberado.

A juíza Ana Carolina Della Latta Camargo Belmudes morreu esmagada pelo Porsche de Marcelo Malvio de Lima, que pagou R$ 300 mil e está nas ruas.

Miriam Baltresca e sua filha Bruna foram atropeladas e mortas por Marcos Alexandre Martins. Com visíveis sinais de embriagues, esmagou as duas na calçada com seu carro, cujo velocímetro travou em 100 km/h, em um trecho onde a máxima permitida é de 70 km/h. Foi liberado sem pagar fanças, apenas terá que cumprir algumas medidas cautelares.

Até quando vamos ver essas pessoas saindo da cadeia, com a cabeça coberta? Para beber e matar são homens. Para assumirem seus crimes se escondem atrás de advogados e de blusas. Quantas pessoas mais terão que morrer até que alguém tome uma providência?

Rafael Baltresca perdeu a mãe e a irmã. Ele podia ficar chorando, reclamando da sorte e esmurrando a parede. Mas não. Rafael não quer que as mortes de sua mãe e irmã sejam apenas números em uma triste estatística. Rafael lidera um movimento, "Não foi acidente", para modificar a legislação. E você pode ajudar. Acesse esse endereço (http://www.videolog.tv/video.php?id=714369) e veja a reportagem sobre o acidente e como assinar o abaixo assinado (www.naofoiacidente.com.br). Nós, que sempre reclamamos e não fazemos nada, podemos começar a mudar essa história. Ao acessar o site tenham em mãos o título de eleitor. Se você não fizer nada, estará colaborando com mais mortes. Se você assinar o manifesto, estará colaborando com o fim da impunidade.

Rafael chorou relembrando sua mãe e irmã e pedindo apoio. Não deixe que outras pessoas chorem. Vamos mostrar para o País que Miriam, Bruna, Edson, Ana e tantas outras vítimas não morreram em vão. Quem sabe, a partir dessas mortes começamos a fazer um País com menos impunidade. Se você não assinar, não me venha falar que "foi acidente", quando mais um bêbado imprudente matar alguém.


Redação: Francisco Reis


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