Inversão de valores
publicado em: 01/11/2011
No início do mês, o Brasil e o mundo viram pela televisão, a nossa mal paga e mal aparelhada Polícia Militar enfrentando estudantes. Não estudantes ingleses que pediam mais verbas para a educação e financiamento para pesquisas. Não estudantes chilenos pedindo redução nas mensalidades e mais vagas nas universidades. Eram estudantes brasileiros exigindo o direito de fumarem maconha.
Há 30 anos eu treinava na USP às terças e quintas, das 20 às 23 horas. Corria, praticava esportes com uma enorme população e nunca tive problema, mesmo quando corria sozinho. Um dia, infelizmente, uma moça foi estuprada no campus. Em vez de prenderem o estuprador, fecharam a USP à população. Só entram alunos e funcionários. Alunos ricos, que têm condições de pagar escolas particulares desde o berçário e são um bom alvo para os ladrões. Lamentavelmente um estudante morre. Gritos, protestos e apelos para a Polícia Militar garantir a segurança. A Polícia Militar foi para lá e cumpriu seu papel.
Até que três indivíduos portando maconha são presos e seus amigos fazem protesto, tumulto, danificam viaturas, arrombam portas, com os rostos encobertos, quebram câmeras de segurança, como os ladrões covardes fazem. Quem esses arruaceiros pensam que são? Destruíram um patrimônio que todos nós pagamos. O que eles querem? Liberdade para fumar maconha? Vão fumar maconha nas suas respectivas casas, pois não devem ter pais, ou então, têm pais "bonzinhos" que não estabelecem limites.
O diretor do Sintusp (sindicato dos funcionários da USP), Marcelo Pablito, disse que "muitas coisas podem ter sido feitas pela PM", e para completar, afirmou que uma comissão de mães de alunos passou pela reitoria e verificou que não havia nada quebrado. Mas, segundo ele, essa comissão cometeu o "erro de não filmar".
Senhor Pablito, onde o senhor estava quando os vândalos atacaram seu local de emprego? Com certeza fugiu, deixando a PM enfrentar um bando de revoltados sem causa e seus comparsas. Por um acaso essa comissão de mães era formada pelas mães dos invasores? Se foi, não tinham nem o direito de entrar. Se não sabem nem educar seus filhos, o que vão olhar? E se seus filhinhos não tivessem quebrado as câmeras de segurança, tudo estaria registrado. Os policias, perfilados na frente da reitoria, olhavam nos olhos dos vândalos. Nossa polícia ganha mal, é mal aparelhada, mas seu efetivo compensa com amor à farda e à profissão. São homens dispostos a darem a vida para proteger algo que é de todos e esses estudantes acham que é deles. É importante dizer que esses arruaceiros são a minoria. Não mais que 10%. O restante dos alunos estava nas salas de aula, estudando para ter um futuro melhor.
Todos 72 invasores presos foram soltos. Quem vai pagar os danos? Por mim, além da fiança, faria esses vândalos pagarem os prejuízos e expulsaria todos, dando vaga para quem realmente quer estudar. A PM permanece no campus, mais intensamente nas proximidades da reitoria para impedir novas invasões. Enquanto isso, os ladrões sem estudo, porém, profissionais e assumidos, agradecem aos "manos da USP".
Redação: Francisco Reis
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