Indignação! Indigna nação
publicado em: 01/07/2011
Você já deve ter assistido filmes nos quais os ladrões, durante a elaboração do plano dizem: ?depois que pegarmos o dinheiro, fugimos para o Brasil?. O pior é que a ficção virou realidade. Ronald Biggs, o ladrão do trem pagador na Escócia, em 1963, fugiu para o Brasil em 1970 e virou ?celebridade?. Depois vieram os traficantes colombianos, Nestor Chapparro e Juan Carlos Ramires Abadia. E, desde 2007, o terrorista italiano, que se diz perseguido político, mas foi condenado à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos, Cesare Battisti.
Perseguido político foi o jornalista Vladimir Herzog, morto nas dependências do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), cujo único crime cometido foi tentar mostrar a realidade. Este sim, pode ser chamado de perseguido político.
Battisti, não. Battisti matou quatro pessoas, uma das quais, na frente do filho, que ficou paraplégico. Gostaria de perguntar para os ministros Luiz Fux, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa, Ayres Britto e Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, e para o ex-presidente Lula, que no último dia de seu mandato, decidiu manter Battisti aqui, o que fariam com um assassino que deixasse os respectivos filhos paraplégicos.
Com essa decisão, nossos juízes mandaram um recado ao mundo: o Brasil não cumpre tratados, nem o de extradição entre Brasil e Itália firmado em 1989. O subsecretário das Relações Exteriores da Itália, Alfredo Mantica, disse que esta libertação é um grave erro político e estratégico, além de judiciário.
Mas nosso país está ficando mestre nesse tipo de atitude. Lembram-se? Guilherme de Pádua mata a tesouradas Daniela Perez, cumpre oito anos e está livre, solto e com a ficha limpa. Pimenta Neves matou Sandra Gomide pelas costas e com tiro de misericórdia. Demorou 11 anos para ser julgado e cumprirá, se cumprir, 23 meses de prisão. O deputado Fernando Ribascali Filho matou dois jovens com seu carro e está em liberdade. Irlan Graciano Santiago com um comparsa, matou um estudante da USP para roubar seu carro. Por se entregar, não ter antecedentes, está livre, e, alegando a ?ética do crime?, não disse o nome do comparsa que deu o tiro.
?Ética do crime?? Vejam o absurdo em que chegamos. Os bandidos são mais ?éticos? que nossos políticos. Liberar Battisti é virar as costas a um país que permitiu a ex-primeira dama ter a dupla cidadania, é uma prova de que o Brasil é o país da impunidade. Mas tenho certeza que em pouco tempo Battisti voltará a ser famoso. Ele disse que escreverá um livro e, de repente, esse livro se tornará um filme no qual ele contará para seus parceiros, que depois de matar quatro se refugiará no Brasil.
Redação: Francisco Reis
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