A família é o maior presente
publicado em: 04/01/2011
Enfrentando estradas esburacadas, assaltos, pedágios abusivos, o caminhoneiro não larga a estrada por nada. A lembrança da família é a guia para o retorno ao lar.
As festas de Natal e fim de ano sempre nos fazem refletir sobre aquilo que fizemos e começarmos a fazer planos para o próximo ano, além é claro, de onde passar essas datas tão importantes. "Pretendo passar o Natal e o Ano Novo com minha família, no interior de São Paulo", afirmou Antonio Carlos Tiosso, 36 anos de idade e oito de caminhoneiro. "Todo ano eu passo com ela e não será diferente esse ano. Eu sempre dei um jeitinho de estar em casa nessas datas e não será diferente".
Tiosso acaba o ano feliz, com exceção do governo Dilma, que não o agradou, o resto do ano foi muito bom, inclusive conseguiu abrir sua empresa. Ainda que com apenas um caminhão, um Scania P 270, comprado este ano, e com o qual ele transporta caixarias de São Paulo para Goiânia, ele pensa grande, "a ideia é ter mais caminhões".
Bruno Henrique de Matos, com 25 anos de idade e apenas cinco de profissão, ainda não conseguiu comprar seu caminhão. Empregado, dirige um Volvo VM 260 transportando portas e janelas entre São José do Rio Preto e São Paulo. Conforme seu colega de profi ssão, também está pensando passar as festas com sua família. "Tenho dois garotos, o Gabriel de seis anos e o Mateus, de quatro anos", diz orgulhoso Matos, que em 2011 conseguiu melhorar seu padrão de vida.
Miguel Nivaldo da Silva, 47 anos de idade e 28 de profi ssão, dirige seu Ford Cargo 4331 transportando produtos de higiene pessoal do Rio de Janeiro para Guarulhos, SP. Escaldado por muitos anos de estrada, Silva está planejando passar as festas com a família. "Já passei muito Ano Novo e Natal na estrada", lembra Silva. "Mas agora faço questão de passar essas datas em casa".
Ele não tem nada do que reclamar de 2011, muito pelo contrário. "Em 2011, a melhor coisa que me aconteceu foi entrar o ano casado", explica com um enorme sorriso de felicidade. "Eu era divorciado, casei de novo, encontrei uma 'doida' que me quis. Uma linda mulher, companheira, que me faz querer voltar mais rápido para casa, e que fez o meu ano ser maravilhoso". Puxando um bitrem com seu Scania 113, ano 93, Paulo Ribeiro da Silva, 51 anos e 33 de estrada, de Umuarana, transporta madeira, soja, ferro, do Paraná para o Mato Grosso e São Paulo, levando de volta rolos de arames.
"Pretendo passar Natal e o Ano Novo em casa", diz ele. "Nunca passei um ano fora de casa e não será agora que irei passar. Já briguei por isso, é algo que faço questão".
Esse ano de 2011 não deixará saudades em Silva. "Tirando o fato de que eu não tive nenhum problema de saúde, as coisas não foram muito boas", lembra o caminhoneiro que teve o motor de seu caminhão duas vezes fundido. "Mas nem isso vai me deixar longe de casa no Natal nem no Ano Novo". De Monte Mor, interior de São Paulo, para todo o Brasil, José Dionísio dos Santos, 49 anos e 20 de caminhoneiro vai dirigindo um Mercedes-Benz 2035 com o qual transporta embalagens de papel. "Pretendo passar o Natal e o Ano Novo em casa, com a família", diz Santos, enquanto prepara seu almoço na cozinha do caminhão. "Sem a família não temos nada". Para ele, o que melhor aconteceu em 2011 foi sua conversão à religião evangélica. "Eu era católico e as coisas estavam dando tudo errado. Não conseguia nada. Depois que eu me converti, as coisas mudaram e tudo está acontecendo como eu peço. Está muito bom. Melhorou muito depois da minha conversão, por isso, 2011 foi um ano muito bom. Não tenho nada do que reclamar".
Pedidos semelhantes
Mesma profissão, mesmas dificuldades e, é claro, desejos muito semelhantes. Ao serem perguntados sobre o que deixariam neste ano que está acabando, dando uma risada gostosa, Antonio Tiosso foi rápido: "minhas contas, que elas fiquem em 2011 e não passem para 2012". Quem sabe assim ele consiga realizar sua meta de comprar um outro caminhão.
Paulo Ribeiro da Silva quer conseguir comprar um caminhão mais novo. José Santos e Bruno Matos pensam na casa própria. José Santos quer acabar a casa do filho e Matos quer um caminhão melhor para trabalhar o que lhe permitiria comprar uma casa. "A casa própria é tudo", afirma Matos.
Para Miguel Silva, se 2012 for igual 2011, será muito bom. "Com a casa junto, estaria perfeito", diz Silva. "Muita gente pensa em comprar carro primeiro, mas é errado. A casa é o fundamental".
E todos eles esperam o melhor. José Dionísio dos Santos pede muita saúde e dinheiro no bolso, para acabar a casa do filho. Antonio Tiosso pede saúde e felicidade para todos. Mais politizado, Bruno quer, além de saúde, mais respeito para a categoria e mais liberdade para trabalhar, sem tantas restrições.
E Miguel Nivaldo da Silva colocou na mente e como alvo para 2012 a construção de sua casa. "Não tenho carro, não tenho nada, mas preciso construir minha casa, mais do que comprar um caminhão, e é para isso que vou trabalhar, com muita paz e saúde, se Deus quiser".
E Ele há de querer a todos os homens honestos e trabalhadores, como é a categoria dos caminhoneiros.
Redação: Francisco Reis
Foto(s): Roberto Silva
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