Artigo inspirador
publicado em: 01/06/2011
Caro Francisco, meu nome é Eder Fronza, tenho 32 anos e sou motorista autônomo há 12 anos. Esta é a primeira vez que escrevo para comentar sobre um artigo escrito em alguma revista vinculada ao meu trabalho, porém, sempre que possível, acompanho todos os veículos de comunicação que tratam o assunto.
Na edição n° 278, ao ler o artigo ?Não somos criminosos?, parei um pouco para refletir sobre o tema e tive a motivação para lhe escrever. Gostaria de começar perguntando o que mudou desde a reportagem da TV Globo até hoje? Sim, porque nós todos vimos que foi uma bela matéria de denúncia, mostrando os podres, os maus intencionados, os assumidos e os espertinhos que vendem porcarias aos frágeis motoristas que com a tamanha carga horária escolhem como solução usar estimulantes para trabalhar. Infelizmente, colocando em risco a vida própria e a alheia. Quantos de lá pra cá ainda estão se drogando? Quantos morreram? Quais estatísticas desse curto intervalo? Olha, eu não havia pensado sobre o fato de que poderia estar sendo incluído nesse grupo de ?malucos? até ler o depoimento da esposa de um motorista com o qual você começa seu texto. De fato, eu não uso também, porém, este não é meu intuito maior aqui. Gostaria de refletir com você e gostaria mais ainda que outros veículos de comunicação se unissem para melhorar e assegurar que nós motoristas possamos sim ter um futuro melhor, com melhores condições de trabalho e que essas ideias que não são nenhuma novidade venham, de fato, um dia acontecer. Acho que deveríamos ter uma central de denúncias para termos alguém a quem recorrer na hora de denunciar tal empresa, transportadora, que as mesmas estão estabelecendo algum tipo de horário inadequado ao tempo/distância sem levar em consideração o tempo de descanso. Amigo, passou da hora para que algo seja feito. Em 12 anos de profissão, apenas uma única vez um policial rodoviário me pediu para fazer o teste do bafômetro. A fiscalização é muito pequena, resumindo, tudo está no diminutivo: estradas regulares a péssimas (mesmo as pedagiadas), menciono um exemplo, BR-116, trecho de Curitiba a São Paulo. Agora pergunto: alguém já viu alguma estrada que tenha estacionamento com toda infraestrutura, com bons banheiros (gratuitos), restaurantes com comida balanceada, com área e pessoas capacitadas para orientação de boa alimentação e exercícios? Será que é tão difícil, num País tão rico? Será que não seria um futuro tão melhor? O problema é que no Brasil, o que é para se fazer não se faz. Hoje, se você parar às 22h para dormir dificilmente achará vaga se não abastecer. Todo dia se fala em baixar os preços dos combustíveis, mas quantas vezes falaram em baixar o preço do diesel? Nem sequer mostraram algum esforço... Nós estamos esquecidos nesse País. Pode-se dizer que alguma coisa mudou nesses 12 anos de estrada? Te digo com certeza, que os caminhões mudaram, bastante e para melhor: estão mais modernos, mais espaçosos, confortáveis e potentes. Mas, tirando isso, nada mudou. E como serão meus próximos 12 anos de estrada? Infelizmente, não consigo imaginar. Gostaria de terminar este e-mail pedindo, mais uma vez, que vocês que têm espaço para escrever, divulgar, usando um meio de comunicação, que se sensibilizem conosco e ajudem a tirar essas ideias do papel, para que tudo isso venha a ser praticado e não continue sendo assunto de discussão. Um grande abraço,
Eder Fronza
djederfronza@hotmail.com
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