Revista Caminhoneiro Olhar atento de caminhoneiro
Quarta-feira, 23 Maio 2012

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Olhar atento de caminhoneiro

publicado em: 04/01/2011

Apesar de a Fenatran ser uma feira essencialmente voltada a negócios, aos transportadores, alguns caminhoneiros também a visitam em busca de novidades. Basta que tenham a atenção que merecem e eles também fecham negócios.

Em todas as edições da Fenatran, falamos sobre os lançamentos, produtos e serviços. Este ano, resolvemos mostrar, além disso, um outro lado, o do caminhoneiro e como ele vê a exposição.

O primeiro problema que enfrentamos foi encontrar um caminhoneiro em uma feira de negócios. Depois de meia hora na entrada do pavilhão, com uma placa "Procuro caminhoneiro autônomo", Eliseu Gomes de Oliveira se apresentou e disse que tinha 25 anos de profissão.

Trabalhando no ramo de mudanças, é proprietário de um Ford Cargo 815 com o qual transporta grandes volumes, e de um Hyundai HR, para entregas pequenas no centro da cidade de São Paulo.

"Minha intenção na Fenatran é ver as novidades e tenho interesse em adquirir um caminhão maior", explicou Oliveira. "Na outra edição, vim com meu primo e olhei tudo, caminhões, pneus, rodas, rastreadores. Tirei o dia inteiro para visitar a Feira".

Caminhando pelos corredores, o primeiro estante que chamou a atenção do caminhoneiro, foi um de caixas e geladeiras para caminhão. Mas ele preferiu passar direto, parando no estande da Foton.

"Achei bonito, mas preciso de um caminhão maior", explicou o caminhoneiro. "Mas o motor que ele usa é muito bom, da Cummins. Tenho um motor desses no meu caminhão há cinco anos e nunca deu problema. Por falar nisso, quero conversar com um engenheiro da Cummins para tirar umas dúvidas".

Ao passar pelo estante da Sinotruk, ficou impressionado com os modelos, mas preferiu não entrar nos caminhões para não ficar com vontade de comprar. Oliveira quis saber os preços, principalmente de um modelo que lhe sirva, ou seja, um 4x2. Segundo informações do vendedor, o Sinotruk A7, 4x2, com cabina simples e leito, com 370 cavalos, deverá chegar ao Brasil em março por um preço competitivo.

Passeando pelos corredores, recebeu uma oferta de seguro, ao que respondeu com bom humor que "já estava segurado", referindo-se aos seus dois caminhões que estão no seguro.

Ao ver uma geladeira, ficou entusiasmado e resolveu entrar no estante da Maxiclima, onde foi muito bem recebido. O vendedor explicou todos os detalhes do produto, vantagens, como utilizar corretamente e, o grande diferencial de poder ficar desligada por 12 horas sem descongelar e ter três camadas de vedação o que impede que qualquer sujeira entre. Oliveira gostou que a geladeira possui uma fechadura com chave. De "brinde", ganhou um copo de água gelada que estava dentro da geladeira.

Andando pelos corredores, Eliseu Oliveira ficou impressionado com o tamanho de uma carreta da RodoLinea para cargas indivisíveis. Ele observou que, além da quantidade enorme de pneus, os ganchos para amarração ficavam embutidos, sem perigo de causar acidentes.

Desvendando o motor

No estande da Cummins, além de perguntar sobre os motores, contou ao vendedor um problema do seu caminhão. O técnico explicou e alertou que o ideal é ligar o caminhão e deixar por um tempo ele funcionar, sem acelerar. Isso é para que o motor se aqueça, receba toda a lubrifi cação ideal antes de começar a rodar. O mesmo acontece quando o motorista vai parar. Ele não deve acelerar e desligar, pois isso pode fazer com que os pistões fiquem sem a lubrificação correta. O técnico da Cummins explicou também como funciona o processo SCR para reduzir a emissão de poluentes.

Na Ford, Oliveira se interessou pelo novo visual dos caminhões e disse para o vendedor que estava querendo comprar um caminhão maior, mas com cabine leito porque ele viaja. O vendedor ofereceu o Cargo 1717. Explicou que se esse caminhão ficar ligado em uma sala de 20 m2, com dois fumantes, polui menos que o cigarro. Isso graças à tecnologia que atende os níveis de emissão estabelecidos pelo Proconve 7. Depois de ver o 1717, foi ver o Ford Cargo 816, evolução do modelo que ele tem atualmente.

"Para comprar um caminhão, o caminhoneiro tem que ter algum bem para dar de garantia", disse Oliveira, que vai para o nordeste com mudança e volta com algo que possa vender em seu comércio, em São Paulo. "Meu caminhão hoje vale cerca de R$ 80 mil, para comprar o Cargo 1717, teria que financiar o restante. Até R$ 4 mil por mês eu posso pagar", calcula ele que tem um Cargo 815, ano 2006, com 226 mil quilômetros rodados, sem nunca ter mexido no motor.

Depois de passar pela Ford, Eliseu Oliveira passou pela Volvo onde descobriu que seus 100 quilos, em uma batida a 50 km/h, se transformam em 4.800 quilos. De lá foi para a Iveco e gostou muito do Tector. Chegou a deixar seus dados com o vendedor para uma possível compra. Aproveitou e visitou o estante da MAN onde entrou em um Volkswagen que serviria bem à suas necessidades. Ainda passou pela Scania e tirou foto ao lado do International.

Boa conclusão

Em uma parada no estante da revista Caminhoneiro, Eliseu Oliveira fez um balanço positivo, começando pelo maior número de novidades em comparação à edição anterior, principalmente devido ao Proconve P7. Graças às explicações dos técnicos das fábricas e da Cummins, conseguiu entender o que muda, para que serve o Arla 32 e a importância do diesel com baixo teor de enxofre.

"O que mexeu comigo foi o caminhão da Volkswagen e o da Ford, o 1717", disse suspirando. "Estou sofrendo há cinco anos com a cabine simples. Às vezes eu levo o dono da mudança comigo. Uma vez, uma mulher largou o marido, colocou tudo no caminhão e não quis ir de avião. Foram três dias me perturbando", lembra dando risada.

"Aquele caminhão da Iveco achei muito bom também. O da Mercedes-Benz até fecharia o negócio caso encontrasse uma boa proposta".

Oliveira disse que o atendimento nos estantes foi razoável, encontrando ótimos atendentes, que sabiam tudo sobre o seu produto, mas também encontrou alguns que não estavam preparados o suficiente nem quanto aos preços, nem quanto à tecnologia que seu produto dispunha. Em um dos estantes, foram necessárias sete pessoas para que a última explicasse onde fica o freio motor do caminhão.

Quanto ao acesso à Feira, ele disse que foi simples, se cadastrando pela internet, porém, ao chegar ao Anhembi, teve que voltar com o seu carro até a rua Voluntários da Pátria, pois o estacionamento estava fechado.

"Valeu a pena vir à Feira", garantiu Oliveira. "Agora vou ver o restante da Feira, principalmente a parte de pneus e rastreadores" e saiu pelos corredores.

Redação: Francisco Reis
Foto(s): Roberto Silva


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