O valor de ser caminhoneiro
publicado em: 01/07/2011
Em homenagem a ele, entrevistamos sete profissionais do volante que retratam opiniões e sonhos de boa parte da classe.
No Dia 25 de julho é comemorado o Dia do Motorista, e também o Dia do Caminhoneiro. A categoria é lembrada na data em que se homenageia São Cristóvão, o padroeiro deste profissional. Esse dia foi instituído no Brasil por meio do Decreto nº. 63.461, de 21 de outubro de 1968. A associação se deve ao fato de Cristóvão ter sido um gigante que ajudava os outros a atravessar um rio. Um dia, ao transportar em seus ombros um menino, sentiu que a cada passo ele ficava mais pesado. Ao acabar a travessia, disse que havia transportado o peso do mundo. Então, o menino respondeu-lhe que havia carregado o criador do mundo em seus ombros. Passou a ser invocado pelos condutores. Diz-se que se tornou Padroeiro dos Motoristas após um pedido da rainha Margarida de Sabóia, que creditava a fé no santo, a ter escapado ilesa de um grave acidente de carro na Itália, no início do século XX.
No mundo inteiro imagens e medalhas e orações a São Cristóvão passaram a ser muito difundidas entre os profissionais do volante.
Ser caminhoneiro ou seus familiares não é nada fácil. Como os esposos e namorados passam grande parte do tempo nas estradas, as mulheres são responsáveis por cuidar do orçamento doméstico, acompanhar e orientar a educação dos filhos e, muitas vezes, precisam tomar decisões sobre vários assuntos que, em outras ocasiões, estariam a cargo do casal.
As famílias dos caminhoneiros vivem também em tensão constante por causa dos perigos das estradas. A notícia de um acidente ou roubo de carga e a falta de contato por um dia bastam para mexer com os nervos de seus familiares.
O dia de trabalho do caminhoneiro começa bem cedo, geralmente de madrugada, sempre correndo contra o tempo, porque os fretes têm dia e hora marcados e qualquer atraso acaba em prejuízo. E, além de estradas ruins, muitos pedágios, os caminhoneiros ainda passam pelo risco de assaltos e de perder não apenas a carga, mas a própria vida. Mas com a proteção de São Cristóvão, as coisas ruins se afastarão e a estrada da vida ficará mais suave para os caminhoneiros como José, Reinaldo, Robson, Anderson, Waldecir, Nélio, Humberto, entre outros valentes profissionais.
JOSÉ JORGE DE SOUZA
Idade: 49
Estado: São Paulo
Caminhoneiro: há 24 anos
Revista Caminhoneiro: O senhor trabalha como autônomo ou empregado?
José: Eu sou empregado.
Revista Caminhoneiro: Qual é o caminhão que dirige?
José: Dirijo um VW 24-250.
Revista Caminhoneiro: Por que escolheu ser caminhoneiro?
José: Eu gosto da minha profissão e herdei-a do meu pai.
Revista Caminhoneiro: Qual é a melhor coisa de ser caminhoneiro?
José: Por intermédio dela, conheço quase todo o Brasil.
Revista Caminhoneiro: Qual é a pior coisa de ser caminhoneiro?
José: A distância da família não é nada fácil. A saudade bate fundo no coração, principalmente, em datas comemorativas. Mas sou consciente e já me adaptei a lidar com esse tipo de sentimento.
Revista Caminhoneiro: Para a profissão melhorar o que pode ser feito?
José: Sei que a revista Caminhoneiro sempre faz campanha de valorizar a gente. É isso aí, precisamos ser mais reconhecidos.
Revista Caminhoneiro: Como o senhor vê o uso de drogas na categoria?
José: Irei definir com uma única palavra: terrível.
Revista Caminhoneiro: Qual é o seu sonho?
José: Ter o meu próprio caminhão.
Revista Caminhoneiro: O senhor gostaria que os seus filhos seguissem a sua profissão?
José: Negativo. Sou pai de uma menina e não quero porque a vida é dura.
REINALDO MIGUEL DE SOUZA
Idade: 40
Estado: São Paulo
Caminhoneiro há 22 anos
Revista Caminhoneiro: O senhor trabalha como autônomo ou empregado?
Reinaldo: Atualmente como empregado.
Revista Caminhoneiro: Qual é o caminhão que dirige?
Reinaldo: Dirijo um VW 24-250.
Revista Caminhoneiro: Por que escolheu ser caminhoneiro?
Reinaldo: Essa é uma pergunta fácil porque acabo pensando na minha infância. Desde pequeno adorava caminhões. No meu coração e na minha mente sempre pensei: vou ser caminhoneiro.
Revista Caminhoneiro: Qual é a melhor coisa de ser caminhoneiro?
Reinaldo: Sem dúvida, viajar e conhecer todo o Brasil.
Revista Caminhoneiro: Qual é a pior coisa de ser caminhoneiro?
Reinaldo: O frete baixo que é um problema de anos.
Revista Caminhoneiro: Para a profissão melhorar o que pode ser feito?
Reinaldo: Valorizar mais a nossa profissão. Precisamos ser mais unidos e lutar pelos nossos direito, afinal, a união faz a força.
Revista Caminhoneiro: Como o senhor vê o uso de drogas na categoria?
Reinaldo: Eu acho péssimo e muito triste. Mas essa prática não é um privilégio somente da nossa categoria.
Revista Caminhoneiro: Qual é o seu sonho?
Reinaldo: Ter o meu próprio caminhão.
Revista Caminhoneiro: O senhor gostaria que os seus filhos seguissem a sua profissão?
Reinaldo: Tenho três filhos estudando para exercer outra profissão.
ROBSON F. SOLIMAN
Idade: 28
Estado: Rio Grande do Sul
Caminhoneiro há 3 anos
Revista Caminhoneiro: O senhor trabalha como autônomo ou empregado?
Robson: Eu sou empregado.
Revista Caminhoneiro: Qual é o caminhão que dirige?
Robson: Dirijo um Volvo VM 240 e faço rotas internacionais, como Brasil/Argentina.
Revista Caminhoneiro: Por que escolheu ser caminhoneiro?
Robson: Desejei seguir o exemplo do meu pai.
Revista Caminhoneiro: Qual é a melhor coisa de ser caminhoneiro?
Robson: A liberdade e curtir a bela paisagem de todo o Brasil que é maravilhosa.
Revista Caminhoneiro: Qual é a pior coisa de ser caminhoneiro?
Robson: A solidão. Não é fácil.
Revista Caminhoneiro: Para a profissão melhorar, o que pode ser feito?
Robson: Regulamentar a categoria.
Revista Caminhoneiro: Como o senhor vê o uso de drogas na categoria?
Robson: É muito ruim, mas em cada cabeça uma sentença.
Revista Caminhoneiro: Qual é o seu sonho?
Robson: Eu já realizei. Era ser caminhoneiro.
Revista Caminhoneiro: O senhor gostaria que os seus filhos seguissem a sua profissão?
Robson: Ainda estou namorando, mas quando tiver um filho, não quero que exerça essa profissão. Ela está desvalorizada. É uma pena que a sociedade não veja que somos essenciais para a economia do País.
WALDECIR F. GONÇALVES
Idade: 38
Estado: Paraná
Caminhoneiro há 9 meses
Revista Caminhoneiro: O senhor trabalha como autônomo ou empregado?
Waldecir: Sou empregado.
Revista Caminhoneiro: Qual é o caminhão que dirige?
Waldecir: Trabalho com um Mercedes-Benz 1113
Revista Caminhoneiro: Por que escolheu ser caminhoneiro?
Waldecir: Era o meu sonho. Antes eu morava em um sitio. Quando vim para a cidade, comecei a trabalhar como borracheiro e depois me interessei mais ainda pelos caminhões.
Revista Caminhoneiro: Qual é a melhor coisa de ser caminhoneiro?
Waldecir: Estou na fase que tudo ainda é muito legal.
Revista Caminhoneiro: Qual é a pior coisa de ser caminhoneiro?
Waldecir: É a distância da família.
Revista Caminhoneiro: Para a profissão melhorar, o que pode ser feito?
Waldecir: Melhorar o tratamento por parte das empresas que recebem a gente na hora de carregar e descarregar o caminhão.
Revista Caminhoneiro: Como o senhor vê o uso de drogas na categoria?
Waldecir: É muito ruim e um caso sério, situação complicada.
Revista Caminhoneiro: Qual é o seu sonho?
Waldecir: Meu sonho é viver a realidade, o dia a dia. O futuro a Deus pertence.
Revista Caminhoneiro: O senhor gostaria que os seus filhos seguissem a sua profissão?
Waldecir: Pretendo que cada um faça a sua escolha de livre e espontânea vontade. Comigo foi assim. Eu escolhi a minha profissão.
ANDERSON FONSECA DUARTE
Idade: 24
Estado: Paraná
Caminhoneiro há 3 anos
Revista Caminhoneiro: O senhor trabalha como autônomo ou empregado?
Anderson: Hoje sou empregado.
Revista Caminhoneiro: Qual é o caminhão que dirige?
Anderson: Dirijo um truck MB 2313.
Revista Caminhoneiro: Por que escolheu ser caminhoneiro?
Anderson: Era a profissão que mais gostava. Sou o único caminhoneiro da família.
Revista Caminhoneiro: Qual é a melhor coisa de ser caminhoneiro?
Anderson: Ela nos dá a oportunidade de conhecer lugares diferentes.
Revista Caminhoneiro: Qual é a pior coisa de ser caminhoneiro?
Anderson: No meu ponto de vista, são as péssimas rodovias. Tem trechos que nem estrada possui para o caminhão circular.
Revista Caminhoneiro: Para a profissão melhorar, o que pode ser feito?
Anderson: Um melhor incentivo financeiro.
Revista Caminhoneiro: Como o senhor vê o uso de drogas na categoria?
Anderson: Não tenho conhecimento sobre esse assunto.
Revista Caminhoneiro: Qual é o seu sonho?
Anderson: Ter o próprio caminhão. Acredito que ainda irei realizar esse sonho.
Revista Caminhoneiro: O senhor gostaria que os seus filhos seguissem a sua profissão?
Anderson: Quando tiver um filho, não quero que siga a minha carreira, pois atualmente nos deparamos com muitas dificuldades e pouca compensação financeira.
NÉLIO BRAGA
Idade: 31
Estado: São Paulo
Caminhoneiro há 4 anos
Revista Caminhoneiro: O senhor trabalha como autônomo ou empregado?
Nélio: Sou empregado.
Revista Caminhoneiro: Qual é o caminhão que dirige?
Nélio: Dirijo um Mercedes-Benz 1620.
Revista Caminhoneiro: Por que escolheu ser caminhoneiro?
Nélio: Foi uma opção que fiz para melhorar a minha renda.
Revista Caminhoneiro: Qual é a melhor coisa de ser caminhoneiro?
Nélio: O bom é não ficar parado em um lugar só.
Revista Caminhoneiro: Qual é a pior coisa de ser caminhoneiro?
Nélio: Ficar muito tempo parado para carregar ou descarregar em uma empresa.
Revista Caminhoneiro: Para a profissão melhorar, o que pode ser feito?
Nélio: O pessoal precisa conhecer mais sobre a nossa profissão e valorizar a gente. Sem nós, o Brasil para.
Revista Caminhoneiro: Como o senhor vê o uso de drogas na categoria?
Nélio: De um modo geral, quem segue esse caminho, pode perder a sua vida e colocar em risco a de terceiros.
Revista Caminhoneiro: Qual é o seu sonho?
Nélio: Comprar meu próprio caminhão e trabalhar como autônomo.
Revista Caminhoneiro: O senhor gostaria que os seus filhos seguissem a sua profissão?
Nélio: Acho que não. Meu filho tem nove anos de idade e ama caminhão. Vamos ver se até lá a carreira está mais valorizada. A nossa profissão é muito bonita e tenho esperança que ainda iremos conquistar o nosso devido valor.
HUMBERTO Z. CALIMAN
Idade: 56
Estado: Espírito Santo
Caminhoneiro há 35 anos
Revista Caminhoneiro: O senhor trabalha como autônomo ou empregado?
Humberto: Sou empregado.
Revista Caminhoneiro: Qual é o caminhão que dirige?
Humberto: Um Volvo FH 440.
Revista Caminhoneiro: Por que escolheu ser caminhoneiro?
Humberto: Na minha família não tem ninguém caminhoneiro. Na época foi a minha opção como serviço onde morava.
Revista Caminhoneiro: Qual é a melhor coisa de ser caminhoneiro?
Humberto: Está difícil falar algo, já foi o tempo bom.
Revista Caminhoneiro: Qual é a pior coisa de ser caminhoneiro?
Humberto: Antes tinha pouco movimento de caminhão nas estradas brasileiras. Hoje esse número triplicou e não temos rodovias suficientes para atender essa demanda que vem crescendo.
Revista Caminhoneiro: Para a profissão melhorar, o que pode ser feito?
Humberto: Melhorar o frete, salário digno e boas rodovias. No nordeste tem lugar que possui ponte bem estreita que fica difícil passar com um caminhão. Eu falo para meus colegas de trabalho que não temos rodovias, mas ?picadas? do tempo dos antigos tropeiros.
Revista Caminhoneiro: Como o senhor vê o uso de drogas na categoria?
Humberto: Nunca usei e quando estou cansado eu paro e durmo. A gente vê muitos acidentes por causa da ausência de sono ou uso de algum estimulante.
Revista Caminhoneiro: Qual é o seu sonho?
Humberto: Que entrem em vigor as melhorias que já falei.
Revista Caminhoneiro: O senhor gostaria que os seus filhos seguissem a sua profissão?
Humberto: Tenho três filhos e ninguém seguiu a minha profissão.
Redação: Graziela Potenza
Foto(s): Roberto Silva
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Autor do comentário: Mauricio Rodrigues Gonçalves
Comentado em: 17/02/2012
Comentário: Com esta proibiçao contra caminhoneiro quem assumi nossas dividas nao pode marginais diverso sao probiçoes ,eu tenho caminhao 1979