Revista Caminhoneiro O roubo do bacalhau
Segunda-feira, 24 Novembro 2014

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O roubo do bacalhau

publicado em: 01/11/2011

O suposto roubo de um bacalhau serve como linha mestra para um show de acrobacias envolvendo cinco carros, duas motos, um caminhão e uma equipe de pilotos altamente profissionais que fazem o Extreme Show, no Beto Carrero World

A mulher pede para o esposo que vá ao mercado e compre um bacalhau para o almoço. Ao sair do supermercado, o obediente marido é surpreendido por ladrões e, para tentar fugir, entra em seu carro e sai em disparada. A fuga é vista por centenas de pessoas que olham em um telão gigantesco montado em uma arena no Beto Carrero World, no município catarinense da Penha. O carro, em alta velocidade, some da tela e aparece embaixo, andando muito rápido e sendo perseguido por mais dois veículos.

O piloto dá um giro de 180º, escapa dos dois carros, mas surgem mais dois, andando apenas sobre duas rodas que passam quase raspando nas laterais. Enquanto o dono do bacalhau faz diversas evoluções para não ficar cercado pelos quatro carros, os outros pilotos dão uma demonstração de perícia fazendo manobras arriscadas e que deixam a platéia em pé.

Depois de grandes escapadas, o dono do bacalhau é encurralado, mas em uma rápida manobra, sai do carro e monta em uma moto e foge. De repente, surge outra moto e a perseguição recomeça: quatro carros e uma moto tentando "roubar o bacalhau". As motos saltam em rampas, giram sozinhas levantando fumaça, até que, mais uma vez, o dono do bacalhau, agora de moto, é encurralado. Quando todos pensam que o show acabou, ele larga a moto e entra em um caminhão e ameaça "passar por cima" dos seus perseguidores. O jogo se inverte e ele sai pilotando o caminhão perseguindo os carros e motos. Depois de muita perseguição, ele consegue fugir e os perseguidores descobrem que não havia bacalhau nenhum, o "dedicado esposo" esqueceu o pedido da esposa no supermercado. Todos os carros, as motos e o caminhão voltam para o centro da arena e seus pilotos são aplaudidos de pé.

Como surgiu a ideia

O Extreme Show estreou em maio como uma nova atração do Beto Carrero World. No final do show, um dos pilotos fazia um looping (dar uma volta de 360 sobre si mesmo) com o carro. "Mas percebemos que precisávamos de algum elo de ligação entre a última acrobacia e o looping, algo que mantivesse o público em expectativa", explicou Ganbaatar Bataa, produtor do Extreme Show. "Vimos o show que o Edson Beber apresentava com a equipe da Cowboys do Asfalto e resolvemos unir forças".

Os pilotos do Extreme Show treinaram com o Edson Beber e a equipe da Cowboys do Asfalto deu as dicas das modificações que deveriam ser feitas no caminhão Volkswagen 19.320, como suspensão, molas, cambagem, etc.

Da equipe de nove pilotos entre carros e motos, apenas cinco dirigiam caminhão. Por isso, foram até o pátio do Posto Santa Rosa, onde Beber faz suas acrobacias, e treinaram exaustivamente durante uma semana. Seguros do que poderiam fazer, a equipe inteira treinou durante mais um longo tempo na arena do Beto Carrero até ter certeza de que tudo sairia como o esperado.

"Com as acrobacias do caminhão, consigo elevar a adrenalina do público e atrair os caminhoneiros que podem ver o seu veículo de trabalho fazendo manobras radicais", explicou Ganbaatar Bataa. "Quando o caminhão entra em cena, a emoção do público sobe, o pessoal gosta mesmo. A entrada do caminhão agregou muito ao show".

Mas toda essa adrenalina tem um custo. No caso dos automóveis, a cada show são trocados os quatro pneus. No caminhão, a troca ocorre a cada semana. Todos os pneus são trocados.

Mas o que tem a ver bacalhau com o Extreme Show? A ideia do bacalhau foi de Alexandre Murat, presidente do Beto Carrero World, que decidiu fazer uma homenagem à cultura açoriana muito forte na região.

Na boca do leão

Assistir as acrobacias na arquibancada é emocionante, mas não se compara a estar dentro do caminhão ou do carro. Cinto afivelado, coração batendo mais forte e o piloto sai lentamente, como que preparando o "carona". De repente, uma acelerada forte, volante esterçado e o caminhão começa a girar sobre o próprio eixo. Outra guinada para direita, uma acelerada rápida, a traseira do "cavalo" quase ultrapassa a frente. O piloto, muito tranquilo, faz mais uma manobra, acelera forte "queima os pneus" e no meio da fumaça, abre a porta e sai do caminhão, deixando o "intrépido redator" com uma enorme saudade de casa. Volta e para.

Mal refeito das manobras dentro do caminhão, entro em um dos carros. Sentado no "banco do carona", tomei o primeiro susto ao me apresentar: "boa tarde. Sou Chico Reis da revista Caminhoneiro", e o piloto responde: "prazer, sou Chico Loco". Acelerador no fundo, volante de um lado para o outro, o carro serpenteia na pista, fica reto, cada vez mais rápido, vai em direção a um restaurante. Cada vez mais próximo, mais rápido, mais próximo, de repente Chico mostra que é "Loco" mesmo. Puxa o freio de mão, vira o volante, o carro quase para, mas ele acelera, o pneu solta fumaça, o carro sai rabeando de um lado para outro, estamos próximos de uma rampa que "se enfia" embaixo da roda do lado direito e eu fico no alto, vendo o Chico Loco lá embaixo, controlando apenas com uma mão o carro que está em duas rodas, com se esse fosse o jeito certo de dirigir.

E para provar que isso não foi "sorte", ele repete a manobra em mais duas rampas. Muita fumaça, muitos giros, aceleradas, freadas e o Gol para tranquilo, como se estacionando na garagem.

O que eu senti? Muita alegria, uma diversão fantástica. Medo? Em nenhum momento. O que mais me impressionou foi a frieza, a tranquilidade e habilidade com que os pilotos faziam as manobras. Saí do carro com a certeza de que de "Loco", o Chico não tem nada. São todos pilotos profissionais que treinam diariamente por várias horas, para garantir um espetáculo com muita adrenalina e, sobretudo, seguro e feito com responsabilidade.


Redação: Francisco Reis
Foto(s): Divulgação


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