Revista Caminhoneiro Categoria Ameaçada
Quarta-feira, 23 Maio 2012

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Categoria Ameaçada

publicado em: 01/06/2011

É isso o que acontece com a classe dos caminhoneiros. Infelizmente, por não estarem recebendo o devido valor, estão procurando outras profissões e se nada for feito, em breve, não haverá ninguém que se habilite a sentar atrás do volante de um caminhão.


Era uma vez, uma profissão admirada, respeitada e desejada. Os jovens queriam a liberdade das estradas, os mais maduros, a segurança de um salário digno e os mais experientes o respeito da população por onde passavam. Todos queriam ser caminhoneiros.

Porém, os tempos mudaram. Os salários foram achatados por uma série de motivos, inclusive pelo excesso de profissionais. Com isso, as condições de trabalho se tornaram cada vez piores, os caminhoneiros passaram a fazer ?loucuras? e os acidentes começaram a ocorrer em maior número.

Os ?heróis das estradas? passaram a ser mais exigidos para cumprirem as entregas. A profissão está deixando de atrair novos candidatos. E quem irá transportar nossos alimentos, nossa safra, nossos produtos industrializados, 70% de tudo que se produz?

?Está faltando algo em torno de 50 mil caminhoneiros?, calcula Flávio Benatti, presidente da Associação Nacional dos Transportadores de Carga&Log;ística, NTC&Log;ística. ?Um grande empresário me disse que está muito difícil contratar pessoas para dirigir um equipamento de alta tecnologia?.

Benatti explica que já rotularam o setor de transporte rodoviário como o grande vilão, pois estaria ocupando espaço dos demais modais, o que não é verdade. O presidente da NTC&Log;ística afirma que não se investiu, não se projetou a ampliação dos demais modais e o transporte rodoviário foi obrigado a suprir a falta dos outros tipos de transporte. ?Mas o rodoviário ficou como o grande vilão?, diz Benatti.

Ele afirma ainda, que qualquer acidente que aconteça na rodovia com envolvimento do caminhão, todo mundo diz que a culpa é sempre do caminhoneiro. ?Nas cidades não se projetam investimento em ampliação das malhas rodoviárias. Se vendem automóveis como nunca e alegam que a culpa é do caminhão que atrapalha o trânsito?, diz Benatti com uma constatação surpreendente: ?hoje, qual é o jovem interessado em ser caminhoneiro, mesmo ganhando até R$ 6 mil por mês??

Restrições
Se já não bastasse a falta de caminhoneiros, muitos bons profissionais são impedidos de trabalharem pelas gerenciadoras de risco. Um cheque sem fundo, mesmo que tenha sido há anos, é o suficiente para impedir que o caminhoneiro arrume emprego, com o qual ele poderia quitar sua dívida.

?Também falta incentivo e profissionalismo do caminhoneiro?, afirma Norival de Almeida Silva, presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens do Estado de São Paulo, Sindicam-SP. ?O caminhoneiro fica 30 dias fora de casa e a remuneração é pequena. Se ele for vender pastel na feira, consegue ficar com a família todos os dias?.

Silva afirma que tirar carteira de habilitação é fácil, mas dirigir caminhões com este alto índice de tecnologia é outra coisa. Os candidatos a caminhoneiros deveriam se profissionalizar. ?Mas o motorista desempregado não tem dinheiro para fazer cursos, nem as empresas têm dinheiro para gastar com o motorista que pode trabalhar alguns dias e trocar de emprego?, analisa o presidente do Sindicam-SP.

Para o presidente da NTC, é preciso mudar a imagem do caminhoneiro e isso passa pela profissionalização que pode ser feita no Sest/Senat que tem 70 mil vagas gratuitas. ?Além da profissionalização, é preciso mudar a imagem do caminhoneiro, pois existe uma rotulagem muito ruim do setor?, afirma Benatti. ?Existem alguns profissionais que utilizam algum tipo de droga e não acho certo que depois digam que isso ocorre porque o empresário mandou eles fazerem umas horas a mais. Isso não é verdade. Há uma camada da sociedade que é usuária de drogas, independente da profissão que exerça. Não venha me dizer que um empresário, dono de um caminhão que vale R$ 600 mil, vai pedir para seu motorista que transporta safra usar esse recurso para andar mais e ficar dois dias parado no porto?.

A recuperação
Com dificuldades em contratar caminhoneiros, muitas transportadoras têm feito programas de treinamento interno de formação fazendo com que o motorista tenha uma carreira dentro da empresa. Muitas pegam ajudantes, financiam a carteira de habilitação, dão veículos menores, para que ele faça carreira.

?Nós estamos procurando oferecer isso, fazendo convênios com a Secretaria de Relações de Trabalho em São Paulo. Fizemos um plano piloto com motoristas que estavam desempregados por não estarem qualificados, e na hora da formatura, já receberam as carteiras profissionais assinadas?, explica Benatti. ?A CNT está trabalhando um planejamento de melhora da imagem do profissional por meio de campanhas publicitárias. É um caminho para contrapor a ideia de que o motorista é o grande vilão?.

Roney de Vitto, gerente de Recursos Humanos do Expresso Jundiaí assinala uma mudança na tradição. ?Há falta de profissionais em todos os segmentos, e este fato não é diferente para o cargo de motorista, onde no passado, alguns jovens seguiam como espelho a profissão de motorista do pai e atualmente existe uma migração para outras especializações.

Para tentar driblar essa fase, o Expresso Jundiaí pratica uma política de remuneração e benefícios condizentes com o mercado, bem como oferece incentivos específicos para o cargo e um programa interno de treinamento com reciclagem anual. Tudo isso com o objetivo do desenvolvimento profissional e também oferecendo uma segurança e conforto para os motoristas, por meio de uma frota de caminhões totalmente revisados, com sistemas completos de segurança e um sistema de gerenciamento de riscos muito moderno. ?Temos um processo de avaliação e treinamento com foco no aproveitamento de profissionais que queiram assumir o cargo de motorista, este fato tem contribuído no preenchimento de vagas?, explica Vitto que aconselha a todos os empresários estarem atentos com o que está acontecendo no mercado e incentivar este profissional, divulgando a importância da profissão para o segmento e para o País, oferecendo cursos específicos por intermédio das entidades de classe.

Prevendo que essa situação pudesse ocorrer, a JSL (antiga Júlio Simões) mantém há 10 anos, um Centro de Treinamento e, há mais de cinco anos, uma Escola de Formação de motoristas e operadores de máquinas e equipamentos.

Os novos colaboradores fazem um curso intensivo de, no mínimo, 226 horas. ?No caso dos motoristas, por exemplo, o curso contempla disciplinas como direção defensiva, condução econômica, atendimento ao cliente, alimentação saudável e procedimentos operacionais, entre outras disciplinas?, explica Irecê Andrade, diretora Comercial da JSL. ?E se, ao final do curso, os instrutores perceberem que o motorista ainda não está pronto, a carga horária pode ser estendida até 377 horas?.

Depois que ingressaram na companhia, os profissionais alocados nas operações precisam passar pelo Programa de Educação Continuada (PEC), que consiste em treinamento anual para atualização do profissional e reforço das condutas adequadas em cada tipo de operação.

É importante salientar também, que cada novo serviço ou operação implementada pela companhia, precede um treinamento da equipe que o realizará, mesmo que os funcionários já integrem o corpo de colaboradores da empresa e já tenham feito os cursos tanto da escola de formação quanto do Programa de Educação Continuada.

A qualificação contínua garante oportunidades de crescimento dentro da própria empresa, fator que contribui para a retenção de pessoal, aliado ao pacote de benefícios da companhia que contempla, entre outros, itens como premiações aos motoristas por redução no consumo de combustível e programa de participação nos resultados (PLR).

Onde se aperfeiçoar
Para quem deseja se tornar um caminhoneiro, ou quer aperfeiçoar seus conhecimentos, existem vários centros de formação, entre eles, o Sest/ Senat e a Fabet que aponta o crescimento econômico, a falta de interesse do jovem em ingressar na profissão, a falta de regulamentação da profissão, a visão da maioria dos transportadores que ainda veem a capacitação dos seus profissionais como um custo e não como investimento como alguns motivos para a falta de caminhoneiro.

A Fabet oferece, desde 1995, um curso pioneiro na América Latina que prepara o motorista para encarar a realidade das estradas. O curso de formação de motoristas chamado Programa Caminhão Escola Básico tem 30 dias de duração (entre aulas teóricas, práticas com o caminhão na pista própria da Fabet e prática supervisionada com instrutor da Fabet nas rodovias brasileiras).

São 310 horas/aula e geralmente as empresas de transporte consideram como critério de contratação do motorista inexperiente o fato de ter passado pelo curso Fabet. Uma prova da seriedade e eficiência desse curso é a quantidade de alunos inexperientes que procuram a Fabet para fazer o curso e já saem empregadas: mais de 80%.

Os interessados em se tornarem motoristas profissionais e não tiverem ainda habilitação categoria C, D ou E, deverão alterar a categoria diretamente em uma autoescola e depois procurar a Fabet para fazer o curso de formação. Para quem quer passar para Categoria C, deverá estar habilitado no mínimo há um ano na categoria B. Para quem deseja passar para categoria D, deverá ser maior de 21 anos e estar habilitado, no mínimo, há dois anos na categoria B ou um ano na C.

Para quem deseja ter habilitação categoria E, deverá ser maior de 21 anos e estar habilitado, no mínimo, há um ano na categoria C ou D.

Os interessados podem acessar o site da Fabet (www.fabet.com.br) e visualizar os cursos e as datas disponíveis tanto na Fabet Matriz, em Concórdia, SC, ou na Fabet Filial, em SP. Também podem entrar em contato via telefone ou e-mail.
Matriz (SC): (49) 3442-9656 - marketing@fabet.com.br
Filial (SP): (11) 4708-1784 ? marketingsp@fabet.com.br

Opção existe, resta saber se haverá candidatos para ocuparem os bancos das salas de aula. O presidente do Sindicam deixa um alerta muito importante: hoje, os caminhoneiros são os primeiros a dizerem para seus filhos não seguirem a profissão. Se continuar assim, os netos desses caminhoneiros seguirão outras profissões e em cinco anos haverá um apagão em termos de motoristas e um aumento do número de pastelarias.

Redação: Francisco Reis
Foto(s): Julio Kniss


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Autor do comentário: ADRIANO DE ASSIS VELOZO
Comentado em: 19/11/2011
Comentário: É DE GRANDE VALIA INFORMAÇÕES DESTE PORTE NÃO RESTA DÚVIDA QUE NECESSITAMOS DE TAL SUPORTE FORTE E ATÉ