Pra frente, Appa
publicado em: 01/04/2011
Pra frente Appa O superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Airton Vidal Maron, falou sobre diversos assuntos, entre os quais os novos desafios.
Revista Caminhoneiro: Fale-me um pouco de sua vida profissional.
Airton Vidal Maron: Sou engenheiro civil graduado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Tenho especialização em obras hidráulicas, portos, hidrovias, planejamentos de controle de obras, projetos e obras viárias e estruturas de edifícios pela UFPR. Fiz cursos de extensão nas áreas de transporte, tecnologias, comércio exterior, navegação, contêineres e transporte intermodal. Trabalho na Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina há 31 anos e, atualmente, assumi o cargo de superintendente da Appa.
Revista Caminhoneiro: Quais os planos de melhorias?
Airton Vidal Maron: Já realizamos a primeira campanha de dragagem, que foi a dragagem de manutenção dos berços de atracação. Ela custou R$ 2,5 milhões e foi paga com recursos próprios. A próxima campanha a ser realizada é a dragagem de manutenção do Canal da Galheta e da bacia de evolução. A intenção é que a obra seja iniciada em julho deste ano, devendo custar cerca de R$ 100 milhões, a serem pagos com recursos da Appa. Com a obtenção de todas as licenças necessárias, a expectativa da Appa é iniciar imediatamente, após a dragagem de manutenção, a campanha de dragagem de aprofundamento. Esta que, ainda, não tem custo final estimado, será paga em partes com verbas do Governo Federal, que destinará R$ 53 milhões à Appa, através de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Fora isso, temos a previsão de investimentos privados. A Cotriguaçu, terminal portuário privado que movimenta granéis sólidos, está investindo R$ 20 milhões para a construção de mais um armazém em Paranaguá, com capacidade de 60 mil toneladas. As obras estão previstas para começar em breve e o armazém deve estar pronto até outubro. Outra empresa que já planeja novos investimentos em Paranaguá é a Fospar. O terminal, que movimenta fertilizantes, investirá R$ 13,6 milhões para a compra de um novo guindaste e para a manutenção e modernização de outros equipamentos utilizados na descarga de fertilizantes. Num cenário mais amplo, temos os projetos de expansão dos portos de Paranaguá e Antonina que estão em fase de estudos e projetos. Com as obras, ganharemos 12 novos berços, o que representa um crescimento de 60% no tamanho do nosso cais acostável. As obras de ampliação permitirão aumentar a capacidade de movimentação de cargas da Appa em até 60%, passando dos atuais 38 milhões de toneladas/ano para 60 milhões de toneladas/ano. Esta é uma obra para ser concluída em até quatro anos. Ao todo, o projeto de ampliação dos portos de Paranaguá e Antonina está subdividido em nove grandes obras que, juntas, somam cerca de R$ 1 bilhão de investimentos. Boa parte das obras será paga com recursos próprios da Appa. Outra parte será custeada com recursos federais que ainda dependem de negociação.
Revista Caminhoneiro: Qual é a expectativa dessa safra?
Airton Vidal Maron: A safra de grãos de 2011 deve ser recorde. Todas as projeções apontam para aumento nas exportações de grãos. Na Appa, devemos ter um aumento de até 15%, levando em conta que estamos, também, recuperando muitos clientes que deixaram o porto nos últimos anos porque haviam perdido a credibilidade nos portos paranaenses. Ações contínuas de desrespeito ao exportador, como a proibição na exportação de transgênicos, a não realização das dragagens, tudo isso afastou muitos exportadores.
Revista Caminhoneiro: Quais são as reformulações no Pátio de Triagem do Porto de Paranaguá para melhor receber a safra?
Airton Vidal Maron: O Pátio de Triagem do Porto de Paranaguá está passando por reformulações para melhor receber a safra. Estão sendo instalados mais guichês para recebimento dos caminhões, recapagem e concretagem de algumas vias, além de melhora na infraestrutura de apoio aos caminhoneiros como banheiros novos e receptivo. A expectativa é que, durante a safra, cerca de 1.500 caminhões cheguem ao pátio por dia. Para evitar filas e garantir o fluxo logístico, a Appa adota um sistema de ordenação do escoamento da safra agrícola. O Carga On-line é um sistema que faz o gerenciamento do fluxo logístico dos veículos até o porto, estabelecendo quotas diárias de recebimento de caminhões e vagões para cada terminal/operador, dimensionando os fluxos e evitando filas.
Revista Caminhoneiro: Quais ações estão sendo adotadas para buscar novas cargas?
Airton Vidal Maron: Estamos num trabalho duro para recuperar as cargas que foram para outros portos nos últimos anos. A diretoria empresarial da Appa está indo até o exportador para ver quais são as queixas, as solicitações, para que possamos atendê-las e trazer estes clientes de volta. Este trabalho já está surtindo efeito e temos conseguido trazer importantes movimentações de volta para o Porto de Paranaguá.
Revista Caminhoneiro: Como foi o desempenho dos portos do Paraná em 2010?
Airton Vidal Maron: Os portos de Paranaguá e Antonina fecharam o ano de 2010 com recorde na movimentação de mercadorias e receita cambial. Foram 38,16 milhões de toneladas de mercadorias, número 22% maior do que o registrado em 2009, equiparando-se ao recorde histórico de 2007, quando os portos de Paranaguá e Antonina movimentaram 38,2 milhões de toneladas de produtos. A receita cambial -que é o valor gerado pelas exportações de mercadorias- foi de US$ 14,48 bilhões, a maior já registrada na história dos portos paranaenses. Os bons números registrados em 2010 nos dão mais otimismo para crescermos ainda mais em 2011. Com a realização das obras de dragagem e o trabalho pesado que iremos realizar, para recuperar cargas perdidas nos últimos anos, acredito que os Portos de Paranaguá e Antonina fecharão 2011 com números ainda mais expressivos. Os bons números foram impulsionados pelo bom desempenho de mercadorias como o açúcar, que em 2010 atingiu o recorde de exportação nos portos paranaenses: foram 4,46 milhões de toneladas exportadas, volume 21% superior ao ano anterior.
Revista Caminhoneiro: Quais serão os principais desafios?
Airton Vidal Maron: Certamente será buscar as cargas que perdemos nos últimos anos, além de novos investimentos. Será um desafio e conseguindo fazer isso, nós fixamos trabalho na cidade, conseguimos comprometer renda ao trabalhador e damos um retorno ao povo da cidade que já sofreu tanto com as dificuldades que enfrentamos nos últimos tempos.
Revista Caminhoneiro: O que acha do evento Exposafra?
Airton Vidal Maron: A Exposafra já acontece aqui em Paranaguá há 15 anos e se tornou um dos maiores eventos realizados na cidade. Estimula a economia local e possibilita um momento de alegria e também, dá a possibilidade ao caminhoneiro de receber muitas informações e conhecer novas tecnologias do setor.
Revista Caminhoneiro: Como o porto se relaciona com os caminhoneiros? Há planos para eles?
Airton Vidal Maron: Existe o plano de expansão do pátio e também, de algumas melhorias. Com as obras que devem acontecer no porto de Paranaguá, a descarga dos caminhões deve ser agilizada. A nossa intenção é sempre estar de bem com os caminhoneiros, caminhar de mãos dadas, até porque o Brasil se movimenta através de rodas.
Revista Caminhoneiro: Qual é a sua visão sobre o caminhoneiro brasileiro?
Airton Vidal Maron: O caminhoneiro é um verdadeiro herói, e um homem que corta o Brasil de norte a sul, de leste a oeste, enfrenta todas as estradas, cumpre o tempo das cargas, esta sempre prestativo. O caminhoneiro brasileiro precisa de atenção. E a atenção é fácil de ser dada, é criar infraestrutura para que ele não perca tempo, não perca viagem, que consiga pagar seu caminhão e fazer seu negócio girar, e assim ele se torna uma pessoa extremamente feliz. Para isso, não precisa muito, apenas dessa atenção, de infraestrutura para se trabalhar e prontidão na sua descarga.
Redação: Graziela Potenza
Foto(s): Divulgação
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