Direção e sono não combinam
publicado em: 01/05/2011
Olá! Meu nome é Claudiomiro e faço a linha São Paulo/Araçatuba. Chegando à cidade de Areiópolis, São Paulo, fiz uma parada em um posto de combustível. Ao sair, avistei uma van com pacientes. Esta van era da prefeitura de Araçatuba e estava levando doentes para se tratarem no Hospital das Clínicas, em São Paulo. Passei ao lado dela e fui em direção ao caminho do meu trabalho. Pouco tempo depois, quando estava na altura do km 160 da rodovia Castelo Branco, mais ou menos uns 50 metros à minha frente, na minha faixa, estava circulando uma carreta carregada de açúcar.
A estrada estava boa, com pouco movimento, tudo tranquilo. Quando de repente, aquela mesma van me ultrapassou e entrou na faixa da direita, na minha frente, e sem explicação, bateu com tudo na traseira da carreta.
Presenciei tudo. Apavorado, parei meu caminhão e desci correndo para ajudar. A cena que presencie era assustadora. Pessoas pedindo minha ajuda, chorando, gritando e outras caladas, sem vida. Pedi a Deus que me guiasse.
Senti-me impotente na hora. Queria salvar a todos, mas não foi possível. Não consegui ajudar a todos. Sou sincero em dizer que ajudei as vítimas que pude, mas infelizmente o choque foi tão violenta, que na colisão morreram sete pessoas. Não havia o que ser feito por elas, apenas uma oração para que Deus as recebesse em um bom lugar.
Quando os bombeiros e ambulâncias chegaram, agradeceram meu trabalho e assumiram a dura tarefa de salvar os sobreviventes e encaminhar os corpos das vítimas fatais ao Instituto Médico Legal.
Prossegui minha viagem, angustiado e assustado com tudo que havia acontecido. Como um motorista profissional pode fazer isso? Bater daquela maneira? A única explicação que encontrei é a de que ele, ao me ultrapassar, dormiu ao volante. O que realmente aconteceu, jamais saberemos, pois ele foi uma das vítimas fatais.
Na viagem seguinte fui até a prefeitura de Araçatuba para saber o estado das vítimas, e fiquei feliz em saber que todas as pessoas que ajudei sobreviveram. Ato heroico? Quem sabe. Para mim não há heroísmo em socorrer vítimas de acidente, apenas a obrigação de todo ser humano. Para as pessoas que socorri, com certeza fui um herói, mas a minha grande recompensa é saber que elas estão vivas e bem de saúde. Desse episódio, além das imagens que jamais vou esquecer, reforcei o que sempre soube e que espero que todos nunca esqueçam: direção e sono não combinam! Chegue atrasado em seu destino, mas chegue.
Claudiomiro Evangelista Vicente é o segundo classificado no concurso ?Herói das Estradas?,
promovido pela Goodyear.
Redação: Claudiomiro Evangelista Vicente
Foto(s): Pedro Celso
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