Revista Caminhoneiro Automática ou automatizada?
Sexta-feira, 18 Maio 2012

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Automática ou automatizada?

publicado em: 01/06/2011

O aumento do uso da eletrônica nos caminhões modernos possibilitou a instalação de transmissões que reduzem o consumo e dão aos motoristas, conforto e maior poder de concentração.


Qual é a principal diferença entre a transmissão automática e a automatizada? ?A principal diferença conceitual se relaciona ao fluxo de torque gerado pelo motor que é transmitido ao eixo tracionado do veículo?, explica Thomas Schmidt, diretor Operacional da ZF Sistemas de Transmissão.

Segundo ele, a transmissão automatizada mantém o conceito de interrupção do fluxo de torque a cada troca de marcha, por meio do acionamento de uma embreagem automotiva, cortando a transmissão de torque enquanto a mudança de marcha se processa. Até que o novo par de engrenagens esteja fisicamente engatado não ocorre transferência de torque do motor para as rodas do veículo. As mudanças de marcha são feitas por meio de um sistema de atuadores que acionam a embreagem e o eixo de engate/seleção das marchas, controlados por uma central de comando eletrônica. As trocas ocorrem como em um câmbio mecânico, mas sem que o motorista precise pisar no pedal da embreagem ou acionar a alavanca de marchas. O sistema eletrônico gerencia as trocas, definindo inclusive o melhor regime de rotação para cada marcha. A transmissão automatizada é indicada para caminhões (médio e grande portes) e ônibus rodoviários.

No caso da transmissão automática, ela não interrompe o fluxo de torque durante as trocas de marcha. Um conversor hidráulico de torque absorve o torque do motor sem cortar a transmissão do mesmo, e as trocas de marcha são feitas por meio do acionamento hidráulico de pacotes de lamelas de embreagem multi-disco que atuam sobre diversos conjuntos planetários. A combinação desses conjuntos determina a relação de redução do torque a transmitir. A transmissão automática da ZF pode ter cinco ou seis marchas. As transmissões automáticas são indicadas para veículos comerciais que rodam em baixas velocidades e fazem paradas constantes (ônibus urbanos e caminhões de lixo, por exemplo).

Apesar de automatizada, a transmissão pode ser usada no modo automático ou no modo manual. No automático, o microprocessador eletrônico envia os impulsos elétricos que se encarregam de acionar as eletroválvulas a executar as ordens do computador para acionar a embreagem e a trambulação das marchas a fim de efetuar as mudanças. No modo manual, o motorista decide o melhor momento para efetuar a troca de marchas, que é feito de forma sequencial (com intervenção via alavanca, por exemplo) sem a necessidade de pisar no pedal de embreagem.

As transmissões da família ASTronic, desenvolvidas pela ZF e utilizadas no Iveco Eurotronic, tornaram desnecessário o pedal de embreagem. As partidas, paradas e todas as trocas de marchas são realizadas por atuadores gerenciados pelo módulo de comando eletrônico. ?Esta tecnologia permite engates de marcha rápidos, precisos e suaves, realizados no momento certo, resultando em menor consumo de combustível, durabilidade consideravelmente maior de todo o trem de força e redução na emissão de poluentes?, afirma Schmidt. ?Além de aumentar a segurança, pois o motorista pode manter sempre as duas mãos no volante?.

Uma das resistência a esse tipo de transmissão é seu custo. Mas Thomas Schimdt esclarece que o preço inicial é compensado com o uso. ?Sob o ponto de vista de custo total, a economia proporcionada pela automatização compensa em curto espaço de tempo o maior valor do investimento inicial na compra do veículo, comparado aos conjuntos com transmissão mecânica?, afirma o diretor da ZF. ?Esse espaço de tempo é variável, de acordo com as condições de aplicação do veículo, e é em especial mais significativo naquelas aplicações em que ocorrem muitas trocas de marcha e acionamento da embreagem?.

Redação: Francisco Reis
Foto(s): Divulgação


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