A evolução das cabines
publicado em: 01/09/2011
Antigamente elas possuíam acabamento simples com espaço reduzido. Hoje são verdadeiras
Antes, quando o caminhoneiro acabava de fazer uma viagem, sentia todo o seu corpo dolorido, porque a cabine do caminhão era pequena, desconfortável, barulhenta e dura. No quesito segurança, não havia testes para cintos de segurança, bancos, capotamento, etc. Mas com o tempo, elas foram mudando sua estrutura, desenho e incorporando itens de conforto e segurança.
Segundo Gustavo Colepícolo Florezi, engenheiro de Produto da Engenharia de Carroceria e Acabamento da MAN Latin America, com o passar dos anos, assim como os automóveis, as cabines dos caminhões passaram por transformações quanto a acabamento, conforto, acessibilidade, funcionalidade e segurança.
Florezi explica que novas tecnologias em materiais plásticos estão sendo utilizadas em painéis de instrumentos, consoles, peças de acabamento externo, etc. As carrocerias estão utilizando aço de alta resistência, otimizando peso sem perder a resistência mecânica exigida e com revestimentos de zinco, para melhorar a proteção superficial contra corrosão.
Em relação ao conforto, estudos do posicionamento ergonômico e de visibilidade para o motorista são realizados para permitir uma posição de direção e pedais agradável e que não canse o condutor com diminuição dos esforços de acionamento. Além disso, estudos da densidade e formato das espumas dos bancos são realizados para garantir que o motorista fique horas na direção sem ter a sensação de desconforto e cansaço. O espaço interno amplo é proporcionado por uma coluna ?A? mais vertical e também por estudos de cores do interior, gerando uma sensação de espaço e limpeza. Além dos estudos de cores, os acabamentos em plástico possuem texturas diferenciadas para melhorar o visual das peças, além de proporcionar uma resistência contra danos ocasionados pelos impactos de objetos na superfície.
Com o objetivo de manter o ambiente agradável, tem-se utilizado revestimentos nos painéis laterais, traseiros e teto em toda a linha de cabines. Todas essas ações somadas à utilização de antirruídos, dentro e fora da cabine, proporcionam uma diminuição considerável do nível de ruído das cabines. A acessibilidade foi melhorada com a utilização de portas maiores, com aberturas de 90º, soleiras maiores e alças de acesso garantindo a segurança do motorista e do acompanhante. Os requisitos de segurança, como ancoragem de cintos, fixação de bancos, resistência a impacto frontal, traseiro e esmagamento de teto são analisados e testados para melhorar a segurança passiva do motorista. "O escritório de um caminhoneiro é atrás de uma direção", explica Gustavo Colepícolo.
Conforme Marcel do Prado, responsável pelo portfólio de produto da Scania no Brasil, em especial, as primeiras cabines Scania eram mais simples em questão de comandos e requintes, mas já com uma preocupação com qualidade, segurança e ergonomia.
"A evolução das cabines até os dias de hoje foi gigantesca. Iniciamos nossos caminhões com um tipo de cabine e hoje, focando em segmentação e necessidades de nossos clientes, temos quatro tipos de cabines> P, G, R e Highline", diz.
Para preservar a célula de segurança da cabine são realizados testes rigorosos feitos na Suécia onde as cabines têm que aguentar 15 toneladas de carga estática no teto e uma tonelada a 28 km/h na coluna 'A' do caminhão, por exemplo.
Na ergonomia, ele menciona a recente atualização dos materiais internos da cabine, para tornar o posto do motorista realmente um ambiente de trabalho agradável, tanto à visão como ao toque.
Marcel do Prado explica que tem focado muito na interação do motorista com o caminhão. Todos os comandos estão bem próximos dele e sempre no seu campo de visão, por exemplo. O painel de instrumentos é outro item que merece destaque, pois mostra as informações de funcionamento necessárias durante a condução do caminhão. Para os veículos equipados com ABS, há o Scania Driver Support, software que acompanha a maneira que o motorista conduz o caminhão e dá alertas e dicas quando os itens que mais influenciam na condução econômica e segura não são seguidos.
Vicente Lopes Garcia Filho, da Engenharia de Vendas da Iveco, Regional SP, explica que as cabines dos caminhões eram pequenas e o espaço interno pensado apenas para o motorista dirigir o veículo. Não havia preocupação com ergonomia, nem com conforto e segurança e com o descanso noturno. Aos poucos foram surgindo cabines mais largas e mais altas. As áreas envidraçadas foram aumentando. "Suspensão na cabine passou a ser adotada e nas cabines leito com cama foram disponibilizadas como opcional", diz Vicente Garcia.
Hoje, os principais itens no projeto das cabines são referentes à aerodinâmica para poupar combustível, à segurança ativa e passiva (zonas de deformação pré-definidas, air bag, vidros laminados, etc.) para proteção e itens de conforto para diminuir o cansaço e assim aumentar a produtividade.
Os itens que mais evoluíram são referentes à ventilação (teto solar elétrico, ar-condicionado inteligente, climatizador), à ergonomia e antropometria (volante de direção com vários ajustes de inclinação e altura, bancos com várias regulagens, comandos do painel e do câmbio à mão do motorista), ao conforto do condutor, tais como suspensão com bolsões de ar em quatro pontos, banco com suspensão pneumática e com vários ajustes de inclinação e de altura e também com apoio lombar, cama ampla com colchões de alta densidade e cortinas e a visibilidade com a introdução de amplos para-brisa e vidros laterais.
Mais produtividade
"Com cabines maiores é mais fácil encontrar uma posição de assento ideal, graças ao espaço extra. O banco do condutor dos caminhões da linha F, da Volvo, se adequa perfeitamente aos usuários, independentemente de qual seja o porte do motorista, pois tem uma grande variedade de regulagens", diz Sérgio Gomes, gerente de Planejamento Estratégico da Volvo do Brasil. Uma altura maior também é uma grande vantagem, por exemplo, ao proporcionar mais conforto quando é necessário ficar de pé dentro da cabine.
Para o gerente de Engenharia de Vendas da Volvo do Brasil, Álvaro Menoncin, nas cabines maiores é possível especificar um número maior de acessórios e conexões, possibilitando oferecer ao motorista alternativas para uso de equipamentos durante as horas em que o veículo não está rodando.
Por suas peculiaridades e exigências, algumas operações de transporte não permitem que o motorista tenha uma rotina programada de parar todos os dias para fazer refeições em lanchonetes ou restaurantes. Nestes casos, o motorista precisa ou prefere fazer suas refeições dentro da cabine. "Cabines espaçosas são mais adequadas para essas situações", lembra Menoncin.
Com as cabines amplas, é possível também duplicar o espaço para guardar objetos pessoais. No caso do Globetrotter XL, por exemplo, existem 250 litros a mais de espaço. Além disso, o motorista tem melhor acesso aos seus pertences e equipamentos.
"As cabines espaçosas e ergonomicamente desenhadas pela Volvo são um grande auxílio para os motoristas que, muitas vezes, têm um período intenso de trabalho, percorrendo centenas de quilômetros ao longo do dia", destaca Gomes. "Mas todos estes atributos de conforto, espaço, qualidade de vida e menor nível de estresse são muito importantes também para aumentar a produtividade da operação de transporte", ressalta Álvaro Menoncin. "Um motorista mais disposto e trabalhando num ambiente planejado nos mínimos detalhes para atender suas necessidades, chega ao final de sua jornada mais satisfeito", finaliza o executivo.
Redação: Graziela Potenza
Foto(s): Divulgação
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