As armadilhas da escolha errada
publicado em: 01/03/2011
Adquirir um caminhão inadequado para determinada aplicação pode representar prejuízo ao negócio e também, ao meio ambiente. Então, conheça algumas dicas para não entrar nessa "fria".
A importância dos meios de transporte cresce significativamente na medida em que se reduzem as distâncias e se permitem os intercâmbios de bens entre as mais diversas comunidades.
Nesse contexto, o caminhão é o meio de transporte que ocupa posição de destaque por oferecer a integração de pontos longínquos, o deslocamento de mercadoria ponto a ponto, além de ser um elo entre os demais modais de transporte.
A escolha do caminhão adequado para atender a uma necessidade de transporte está diretamente relacionada à produtividade e rentabilidade para o caminhoneiro ou frotista.
Por outro lado, um caminhão mal dimensionado trará impacto direto nos custos, nas vias de transporte e no meio ambiente. Por isso, as montadoras oferecem gamas de produtos que atendam as mais diferentes aplicações e necessidades. Portanto, o transportador deve estar sempre atento às soluções e possibilidades disponíveis no mercado para otimizar o seu negócio.
A Scania, por exemplo, possui um amplo portfólio que possibilita a montagem de diversas configurações com o objetivo de oferecer a melhor solução para o transportador, maximizando sua rentabilidade.
A utilização inadequada de recursos se traduz em perdas, um veículo inadequado para uma determinada operação significa prejuízo para o negócio de transporte e, consequentemente, para o meio ambiente como, por exemplo, o consumo de combustível que pode ser diminuído através da correta especificação do motor e da relação de diferencial, o que diretamente otimiza as emissões de gases por tonelada transportada. Segundo Alex Néri, engenheiro de Vendas de Caminhões da Scania no Brasil, para atingir bons resultados, a Scania através da área de Pré-Venda, disponibiliza várias ferramentas que possibilitam a correta especificação do caminhão com foco nos principais valores para o transportador, como consumo de com bustível, velocidade média e disponibilidade física.
Acima de tudo, o planejamento da compra é fator decisivo, pois nesse momento é possível executar todos os estudos necessários partindo da melhor composição (caminhão e implemento), a potência do motor, caixa de mudanças e relação do diferencial cruzando essas informações com a carga transportada, a topografia e a velocidade média desejada, por exemplo.
Conta negativa
Segundo Marcel Bueno, supervisor de Marketing de Vendas da Ford Caminhões, a escolha errada do caminhão para o comprador significa custos desnecessários, que podem se perpetuar por todo o tempo de propriedade do modelo. A compra equivocada também se traduz em problemas técnicos que gerarão custos de manutenção altos. Para o meio ambiente pode significar consumo maior de combustível, óleo e itens de manutenção regulares, como embreagem e lonas de freio.
Sérgio Beraldo, gerente Executivo de Desenvolvimento de Rede da MAN Latin América, também compartilha dessa mesma opinião e acrescenta: a operação que o caminhão fará é a espinha dorsal que irá definir toda a escolha do veículo mais adequado, pois está ligada nas condições em que este será submetido?.
Segundo Álvaro Menoncin, gerente de Engenharia de Vendas da Volvo do Brasil, a Volvo sempre faz a venda correta do caminhão para o transportador. ?Vendemos uma solução de transporte para o cliente. Ele não deve adquirir um caminhão só visando o preço sem observar a capacidade técnica adequada para o serviço?, diz Menoncin acrescentando que a ideia de veículo de prateleira, vender o que tem no estoque não existe dentro da Volvo. ?Temos que comercializar o que realmente o cliente precisa. O que acaba acontecendo é que ele tem hoje uma necessidade de transporte e já tem programado outro contrato em uma outra atividade, desencadeando outras necessidades. Então, vamos buscar um produto que atenda a atual e também, a futura. Evidentemente, pequenos ajustes serão feitos?, esclarece Menoncin.
Carlos Augusto de Souza, supervisor de Assistência Técnica da Iveco Latin America, concorda com as opiniões dos demais executivos e salienta que uma escolha errada irá acelerar os desgastes dos componentes e esses influenciam no desempenho de toda operação, ocasionando mais emissões de poluentes. ?No mercado, o que pode acontecer quando está faltando caminhões é o cliente optar por qualquer modelo disponível, mas que não seja ideal para aquela determinada aplicação. Essa atitude não deve acontecer?, alerta Souza.
Segundo Ari de Carvalho, diretor de Pós-Venda da Mercedes-Benz do Brasil, a escolha do caminhão deve acontecer depois de uma conversa com o vendedor de veículos da concessionária (ou ainda com algum dos consultores da fábrica), pois o especialista no produto indicará o veículo mais adequado para o tipo de operação de transporte do comprador. A partir desse contato, entendendo-se o negócio como um todo, haverá uma sugestão mais completa que envolva a indicação do caminhão e também do equipamento mais adequado. Afinal, de que adianta ter um caminhão com carroceria inadequada ao tipo de transporte que ele vai praticar? É importante fazer cálculos para evitar o prejuízo na operação, para ter retorno do investimento e tornar a atividade comercial rentável e menos agressiva ao meio ambiente.
Leve em consideração os principais dados
Característica da carga
É importante observar o peso, a fragilidade, se utiliza embalagem e qual é, se há a necessidade de conservação e a legislação específica da carga em questão.
Característica da operação
É importante observar a demanda e frequência de abastecimento ou atendimento, identificação da origem e do destino, se há e como é o sistema de carga e de descarga, os tempos dessas operações, horários de funcionamento dos locais de origem e de destino, além de dias úteis disponíveis por mês.
Característica da rota
É importante observar a distância entre os pontos de origem e de destino, qualidade da estrada ou via, topografia, pesos máximos permitidos em pontes, viadutos e vias, limites de altura dos túneis e viadutos, a legislação do trânsito (federal, estadual e municipal), além de distâncias máximas entre os pontos de abastecimento e os pontos de assistência técnica.
Soluções
É importante a identificação das soluções possíveis, onde se deve analisar o portfólio, os veículos mais adequados e os prováveis opcionais mais adequados à necessidade da operação, além de sugerir alternativas. Assim, poderemos
definir as características técnicas necessárias do veículo.
Levantadas às alternativas, deve-se quantificá-las para verificar a produtividade. Uma das formas utilizadas é por meio do dimensionamento da frota e pelo custo operacional.
Concluindo, a observação e verificação dos dados necessários para a definição e determinação do caminhão mais adequado à operação diária que será submetido, terá retorno significativo em valores para o proprietário, além de uma maior responsabilidade com o meio ambiente e social.
A escolha inadequada influencia em alguns pontos
Produtividade: veículo subdimensionado não atenderá a solicitação de demanda diária ou programada, resultando em sobrecarga do veículo e desgaste prematuro de conjuntos e peças. Haverá consequências nos tempos e nos prazos de abastecimento e de distribuição. Por outro lado, veículos superdimensionados terão sua capacidade máxima sempre ociosa, sem retorno do investimento inicial realizado.
Durabilidade: desgaste acentuado dos conjuntos de suspensão, rodagem (pneus), sistemas de freio, sistemas de transmissão, solicitação de esforços desnecessários do motor e do chassi.
Desempenho: escolha errada dos componentes da transmissão acarretará esforço acentuado do trem de força, influenciando no desempenho operacional (força ou velocidade) e principalmente nos custos de consumo de combustível.
Segurança: impacto direto na segurança ativa do veículo. Um dos principais itens comprometidos é o sistemas de freio, visto que é dimensionado para o peso máximo determinado pelo fabricante.
Conforto: a escolha de cabine leito ou curta, sistemas auxiliares de navegação e conjuntos que diminuem os esforços para operações específicas, têm significativo impacto no bem estar do motorista.
Estradas e vias: a sobrecarga do veículo irá comprometer acentuadamente as vias.
Meio ambiente: os esforços desnecessários promovidos pelo mal dimensionamento do produto, provocarão maior frequência de troca ou substituição de componentes, gerando gastos desnecessários e maior consumo de matéria-prima. Adicionalmente, a utilização de materiais ou componentes inadequados, ou de segunda linha, promovem maior precipitação de materiais, gasosos ou sólidos, na atmosfera, um caso frequente no Brasil.
Redação: Graziela Potenza
Foto(s): Divulgação, Thiago Piffer
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